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AUDITÓRIO DA CASA DE EUGÉNIO DE ANDRADE SERÁ DESTINADO A INICIATIVAS CULTURAIS PROMOVIDAS PELA UNIÃO DE FREGUESIAS LOCAL

O projeto cultural para a casa de Eugénio de Andrade, nomeadamente para o seu auditório, fica a cargo da União de Freguesias de Aldoar, Foz do Douro e Nevogilde, pelo menos durante um ano, período de vigência do contrato. Assim foi decidido, no passado dia 17 de fevereiro, pela Assembleia Municipal, numa prova de “confiança” que o Município deposita nas Freguesias, exemplo de que “esta é a melhor forma de descentralizar”, referiu o presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira.

A Assembleia Municipal do Porto aprovou, com três abstenções da CDU e uma do PS, a cedência do auditório da casa do poeta Eugénio de Andrade à União de Freguesias de Aldoar, Foz do Douro e Nevogilde.

A proposta prevê que aquela União de Freguesias utilize o espaço, que inclui um auditório de cerca de 50 lugares, para implementar “programação cultural ao nível de serviço educativo e outras atividades para a população local”.

Rui Moreira: “Conseguiu-se resolver uma situação que era vergonhosa

Na apresentação da proposta, o presidente da Câmara do Porto quis ressalvar, como primeira nota, “que ao fim de muitos anos, em que havia uma situação muito incómoda relativamente às pessoas que Eugénio de Andrade considerava como familiares, a Câmara do Porto conseguiu resolver por consenso e a contento dessas pessoas, a sua reinstalação” noutra morada, nomeadamente num outro imóvel do Município, doado por Marta Ortigão Sampaio.

“Conseguiu-se, a meu ver, resolver uma situação que era vergonhosa”, declarou Rui Moreira, informando que o edifício está hoje devoluto, com os aposentos do poeta, de quem o autarca era amigo pessoal, intactos. “Nunca foram mexidos nem tocados”, asseverou. Contudo, esclareceu o presidente da Câmara, essas instalações “não são visitáveis, a não ser por especialistas ou investigadores, acompanhados por funcionários da Câmara, porque tem lá o roupão do Eugénio [de Andrade] como estava pendurado, a escova de dentes, os óculos e os livros”, detalhou.

Sublinhando, por isso, que nunca foi intenção municipal consignar a casa onde viveu Eugénio de Andrade a espaço museológico, pois “quisemos muito manter esse espaço inviolável”, o presidente da Câmara do Porto assinalou “que aquilo que sobra de utilização pública é um auditório”, tendo em conta que o espólio foi transferido para a sala Eugénio de Andrade da Biblioteca Municipal Pública do Porto, localizada junto ao Jardim de São Lázaro.

PS considera estranho o Município ter abandonado a ideia para a criação de polo cultural

Ora, tendo o presidente da União de Freguesias de Aldoar, Foz do Douro e Nevogilde, Nuno Ortigão, informado o Município que havia interesse em “ativar aquele equipamento no sentido de lá serem desempenhadas um conjunto de atividades literárias pertinentes”, Rui Moreira tomou essa vontade como boa, estranhando, por isso, a atitude que o PS demonstrou em relação ao tema, pela voz da deputada Maria José Espinheira, que considerou “estranho” o município “ter abandonado a ideia de desenvolver no espaço o novo polo cultural”, o género de Casa da Poesia.

Na resposta, Rui Moreira contestou essa “visão paternalista”, afirmando, por um lado, que não passa pelos planos da autarquia ter uma Casa da Poesia – ressalvando que nos 12 anos em que o PS foi governo da cidade também não passou – e, argumentando, por outro, que as Juntas de Freguesia têm de ter capacidade para desenvolver projetos desta natureza que, além do mais, como frisa este contrato específico, vão contar com o apoio dos serviços municipais da Cultura. Caso contrário, não se justificaria a existência de Freguesias no meio urbano, constatou Rui Moreira, acrescentando ainda que “é este tipo de descentralização de competências que verdadeiramente interessa”. Aliás, por essa razão é que logo à segunda edição do Orçamento Colaborativo, o Município decidiu transferir para as Juntas de Freguesia o poder de conceder e gerir os projetos selecionados.

CDU teme que “Eugénio de Andrade não seja valorizado”

Da parte da CDU, o deputado Rui Sá CDU revelou estar apreensivo com a cedência do espaço àquela União de freguesias, temendo que, com esta decisão, Eugénio de Andrade “não seja valorizado”, uma vez que o contrato não refere a obrigatoriedade da União de Freguesias promover iniciativas dedicadas a Eugénio de Andrade.

Por seu turno, tanto o deputado do BE Joel Oliveira como o deputado Fernando Bravo do PSD apoiaram a cedência do espaço que visa levar a União de Freguesias de Aldoar, Foz do Douro e Nevogilde a promover iniciativas culturais.

 

Texto: Porto. / EeTj

Foto: Miguel Nogueira (Porto.)

01mar20

 

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