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Celebrar o Amor e a Amizade em meio escolar no Dia dos Namorados

José Lopes

Sem a vertente comercial em que se transformou o Dia dos Namorados/as (Dia de São Valentim), em meio escolar, as atividades sobre esta efeméride, estimulam naturalmente a pesquisa sobre a história da origem do Dia de São Valentim, que remonta, segundo a lenda, ao século III d.c., em que, o sacerdote Valentim terá desrespeitado o decreto do Imperador romano Cláudio II, que impedia os casamentos para angariar mais soldados para as suas tropas. Acabando o sacerdote por ser descoberto e preso, torturado e condenado à morte, sendo executado a 14 de fevereiro do ano de 269, data que viria a dar origem ao Dia dos Namorados, e, na era do consumismo, a toda a imaginativa comercialização deste Dia do Amor.

Mas, assinalar o Dia dos Namorados em meio escolar, neste caso na escola pública, também pode e deve ser, promover reflexão e reforçar a importância de prevenção primária com crianças e jovens, considerando os mais recentes resultados de um estudo da UMAR, em que refere, que “67% dos/as jovens aceitam pelo menos um comportamento violento numa relação de intimidade”. Dados inquietantes, quando na realidade da violência doméstica e de género entre adultos, deparamos com média de idades, de vítimas e agressores, que ronda os 40 anos, ou seja, pessoas que já nasceram em democracia e passaram pela escola pública.

Independentemente do percurso de vida das famílias, a que, em grande parte não são alheios comportamentos violentos, a exemplo do crime da violência doméstica e suas trágicas consequências. As origens étnicas, culturais ou religiosas, que dão o corpo ao ambiente multicultural que se acentua nestes tempos na Escola, são cada vez mais um enorme desafio, para esta, mesmo sem os meios adequados para corresponder a novas realidades sociais, para, além da sua missão pedagógica, ser também um reduto fundamental de resistência, assumindo-se exemplarmente como um espaço de liberdade, de tolerância, de amor e inclusão. Como ferramentas fundamentais, também para os primeiros relacionamentos amorosos, que permitam experienciar emoções e afetos, tão importantes no crescimento dos homens e das mulheres.

É imperioso um caminho consequente a percorrer, com mensagens claras que ajudem a desmistificar as tentações de recuar às trevas, que, inevitavelmente marcam as vivências dos jovens, e dos novos alunos cada vez mais oriundos de diferentes regimes e conceções sobre direitos fundamentais da dignidade humana (tipo bolsonarismo), que vão influenciando o retrocesso civilizacional em países e continentes.

Num tal cenário, não deixa de ser um privilégio, os jovens partilharem do convívio multicultural em meio escolar e em democracia, tendo a oportunidade de se relacionarem na Escola sem preconceitos na sua inclusão, tantas vezes negada nos seus países de origem. Mesmo quando, também por cá, depois de décadas a espreitar oportunidade para afirmação de comportamentos intolerantes e homofóbicos, conquistam espaço.

Aos arautos da intolerância, do fundamentalismo que nega direitos do homem, que fomenta ódios, a Escola terá de continuar a proporcionar aos seus filhos e educandos em sucessivas gerações, com mais entusiasmo e empenho, a extraordinária e gratificante vivência (em que se baseia a inspiração deste texto), numa comunidade escolar e educativa em que os jovens alunos celebram de forma tão natural, a amizade, o amor e a tolerância, entre jovens de diferentes etnias e nacionalidades, deixando uma mensagem de esperança, de que celebrar o Dia dos Namorados e do Amor, também pode ser todos os dias, contra qualquer tipo de intolerância.

 

Foto: pesquisa Google

01mar20

 

 

 

 

 

 

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