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Cravos murchos

Miguel Correia

Durante algum tempo os socialistas acolheram a rosa como símbolo do partido. Usaram, de igual modo, a música instrumental “hollywoodesca” de Vangelis como banda-sonora triunfal nas campanhas, se bem que isso, para esta crónica, pouco ou nada importa. Os que estão a ler este parágrafo devem reter que a malta responsável, por este refrescar da imagem socialista, rapidamente se apercebeu que as flores têm um curto espaço de vida e acabam por perder todo o seu brilho, perfume e beleza.

Infelizmente, o pessoal que viveu intensamente a Revolução de Abril não chegou a essa conclusão e, ainda hoje, se agarra aos cravos vermelhos na esperança dos ideais de liberdade, que nunca chegaram a acontecer! Mas que, graças a um dia de feriado, continuam a valer a pena! O resultado mais visível, do nosso pseudo golpe de estado, é a completa falência de quase todos os serviços tutelados pelo Estado, que se agoniza com os sucessivos governos. E, caros leitores, pasmem-se porque o panorama agrava-se quando resolvem impor medidas estruturais corretivas…

A senhora com a venda nos olhos (não confundir com “As Cinquenta Sobras”) mostra que a justiça, apesar de conceito abstrato, deve ser razoável e imparcial entre interesses, riquezas e oportunidades. Coisa linda, a teoria… Na realidade podemos assumir que ela tem uma venda porque é cega ou não quer ver aquilo que se passa! Acreditando na beleza do conceito de igualdade, os procuradores titulares da investigação ao roubo de Tancos (ainda continuam a dizer que foi um assalto!) quiseram chamar o Presidente da República e o Primeiro-ministro para serem ouvidos na qualidade de testemunhas. Esqueceram completamente que, mesmo atuando em nome da justiça, ainda existe um chefe e, quem manda é ele! Albano Pinto resolveu proibir tal façanha, tendo em conta a inutilidade da diligência e dignidade dos senhores mais importantes deste país.

Para protagonismo mediático já basta o José Sócrates… A situação agravou-se quando – por insistência dos procuradores perante a casmurrice do chefe – a Procuradoria emitiu um parecer que teve o mesmo efeito que a gasolina numa fogueira! Aparentemente alguém quis passar a ideia que é permitida a interferência de um superior hierárquico, numa determinada investigação, sem que haja qualquer indicação ou registo no processo. Tal como acontece no futebol, quando o árbitro começa a influenciar o resultado e ninguém sabe quem deu a indicação… A democracia move-se por terrenos incertos e o marasmo e conformismo que afeta o povo de Portugalinegrado leva-me a crer que, de facto, os cravos vermelhos… estão murchos!

 

Foto: pesquisa Google

01mar20

 

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