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Francisco Xavier da Silva Pereira – Conde das Antas

Francisco Xavier da Silva Pereira nasceu em Valença, em 14 de Março de 1793 e faleceu em Lisboa, em  20 de Maio de 1852 – foi o Conde das Antas. Ao ser baptizado, recebeu o mesmo nome de seu pai, um oficial subalterno do regimento de Valença, sendo sua mãe Antónia José de Abreu. A família viveu em Valença, até 1807, altura em que o pai passou à reserva residindo, depois, no Porto.

Silva Pereira integrou o 1.º Batalhão da Legião Lusitana, por decreto de 3 de Novembro de 1809. Participou em numerosas batalhas entre o exército português e as forças de Napoleão, sendo ferido na de Salamanca, em 1812. Distinguindo-se no campo de batalha, pela sua conduta e valentia, foi-lhe atribuída a medalha da Guerra Peninsular.

Em 1820, aderiu à revolução de 24 de Agosto, servindo às ordens do coronel e depois general Sepúlveda. Distinguiu-se de forma brilhante, nas guerras liberais e a sua vida militar teve um lugar de destaque na história do século XIX. Em 1823 militou no Exército Constitucional contra as forças rebeldes do general, conde de Amarante.

Desligado do exército com a mudança de política foi, mais tarde, reintegrado e colocado no Batalhão de Caçadores n.º 7 com o posto de capitão graduado em major e, depois, no Batalhão n.º 12.

Fez a campanha contra as tropas rebeldes do marquês de Chaves, em 1827. Em 16 de Maio de 1828 foi proclamada, no Porto, a reacção cartista contra a usurpação do poder por D. Miguel. Silva Pereira conseguiu desembarcar com o seu batalhão na ilha Terceira e, em 1832, fez parte do Exército Libertador que desembarcou nas praias do Mindelo, em 8 de Julho desse ano.

Distinguiu-se na defesa das linhas do Porto, especialmente na sortida de 17 de Novembro de 1832, com o batalhão de Caçadores nº 5 e a tomada das alturas das Antas, monte situado à direita da grande bateria do monte da Quinta dos Congregados e à esquerda da bateria da cumeada das “Guelas de Pau”, até nele se construir um forte reduto.

Em 24 de Março de 1833, Francisco Xavier da Silva Pereira atacava de forma aguerrida a posição do monte das Antas, desalojando o inimigo, composto por forças muito superiores e obrigando-o a abandonar essa posição. Por este facto foi-lhe concedido o grau de cavaleiro da Ordem da Torre e Espada, de Valor, Lealdade e Mérito e igual condecorarão foi conferida a diversos oficias e soldados de Caçadores nº 5, pelo denodo e valentia que mostraram nos dois sangrentos combates. Por decreto de 22 de Novembro de 1832 foi promovido a coronel graduado.

Os sucessivos feitos, realizados durante o cerco do Porto, valeram a Silva Pereira numerosas distinções – foi condecorado com o hábito da Conceição, por ter atacado intrepidamente, na acção de 24 de Março, a posição das Antas. Entrou, também, no combate do Covelo, em 10 de Abril de 1833, sendo nomeado comendador da Ordem de Avis, por decreto de 15 de Agosto do mesmo ano.

Em 25 de Julho foi promovido a coronel efectivo. Mas, o seu desempenho militar não ficou por aqui, dado que, com o Batalhão de Caçadores n.º 5, contribuiu para a defesa da capital, sendo muito elogiada a sua acção. D. Pedro IV, nomeou-o Conde das Antas, comendador da Torre e Espada e de Avis, pelos serviços prestados em 18 de Agosto e 9 de Setembro.

A particular bravura que sempre demonstrou valeu-lhe o título nobiliárquico, criado por D. Maria II de Portugal, por Decreto de 16 de Maio de 1838, em favor de Francisco Xavier da Silva Pereira, antes 1.º Barão das Antas e 1.º Visconde das Antas.

Registe-se que a morte do Conde das Antas foi muito sentida pelo povo que acorreu, em grande quantidade, no dia do funeral e que, após os ofícios religiosos, que se celebraram com grande pompa, na igreja de Santa Isabel, o caixão foi levado em braços até ao cemitério dos Prazeres. As últimas homenagens foram prestadas pelas tropas de toda a guarnição, formadas no largo do cemitério. O seu mausoléu, para onde em 1859 foram trasladados os seus restos mortais, foi construído a partir de uma subscrição popular que se formou para concretizar o desejo de o homenagear para além da vida. Sobre o túmulo está a sua estátua, da autoria do escultor Victor Bastos.

 

OBS Por vontade da autora e, de acordo com o ponto 5 do Estatuto Editorial do “Etc eTal jornal”, o texto inserto nesta rubrica foi escrito de acordo com a antiga ortografia portuguesa.

 

Maximina Girão Ribeiro

(texto)

Foto destaque: pesquisa “net

01mar20

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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