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PRESIDENTE DA CÂMARA DE VALONGO JUNTA-SE À POPULAÇÃO DE SOBRADO NA LUTA CONTRA O “ATERRO”! “RECIVALONGO” PREPARA(VA)-SE PARA OFICIALIZAR DESCARGAS DIRETAS DE LIXIVIADO EM RIBEIRA A CÉU-ABERTO…

O Aterro de Sobrado – 12 hectares de terreno destinado ao depósito de resíduos industriais -, no concelho de Valongo, e gerido, desde 2012, pela “Recivalongo”, continua a dar que falar e pela pior das razões. Aliás, razões que este jornal revelou e destacou já na edição de julho de 2019.

A juntar aos maus-cheiros – entre outros danos colaterais, como a poluição das águas residuais e superficiais e pragas de mosquitos -, surge agora a possibilidade da empresa fazer, oficialmente, “descargas diretas de lixiviado na Ribeira do Vilar”, que, durante maior parte do ano, não tem caudal, sendo o mesmo formado à custa, essencialmente, de águas pluviais.

Foto: L.N.

Estes factos continuam a preocupar a população de Sobrado, e sobremaneira a “Jornada Principal” – associação que, neste caso, a representa -, e que teve, no passado dia 24 de fevereiro, um direto e importante apoio na luta que tem vindo a encetar, com a presença, no local, de José Manuel Ribeiro, presidente da edilidade.

Foto: JP

Por estas e por outras, não foi nem casuística, nem inocente, a presença de José Manuel Ribeiro junto ao aterro de Sobrado. O presidente da Câmara Municipal de Valongo já tinha manifestado, por diversas vezes, a sua preocupação quanto aos problemas que estavam a surgir com depósito de resíduos, e, principalmente, quanto aos maus-cheiros, poluição de águas residuais e ainda contra a presença de resíduos perigosos que continuam a revoltar a população local.

“RECIVALONGO” CONDENADA A PAGAR MULTA POR DESCARGAS “CONTAMINANTES”

Foto: JP
Foto: JP

A população juntou-se, assim, ao autarca, que denunciou uma “descarga ilegal da Recivalongo para uma ribeira, cujo caudal é determinado pela pluviosidade”, salientando José Manuel Ribeiro, que a referida empresa “tem um pedido de autorização à Agência Portuguesa do Ambiente para proceder a mais descargas deste género”.

Foto: JP

Ora, o que se sabe, e sabe-o também a autarquia, é que “esta estação de tratamento de águas lixiviantes não tem capacidade para tratar da quantidade de produto que é produzido”, e a provar está no facto, “de a Recivalongo ter sido, pela segunda vez, condenada a pagar uma multa de 44 mil euros por descarga indevida no coletor público, registando-se carga contaminante superior a trinta por cento do valor permitido”, referiu o presidente da Câmara de Valongo.

MINISTÉRIO DO AMBIENTE DIZ TER «INDEFERIDO» PEDIDO DA “RECIVALONGO”

Foto: VO

O Ministério do Ambiente, reagiu, entretanto, às declarações proferidas pelo presidente da Câmara Municipal de Valongo, e ao “Jornal de Notícias”, garantiu que “o pedido da “Recivalongo” foi indeferido, tendo em conta o volume que se pretendia descarregar na Ribeira, e o facto de se tratar de uma linha de água com canal diminuto, quase seco em estiagem e com qualidade inferior a bom”.

O referido Ministério informou também que, depois das notícias veiculadas pela comunicação social, no passado dia 24 de fevereiro, “a Administração da Rede Hidrográfica do Norte fez deslocar os seus técnicos ao local, onde não foi detetada qualquer rejeição de lixiviados”.

EMPRESA DIZ NUNCA TER FEITO NEM PREVÊ REALIZAR DESCARGA DE LIXIVIADOS PARA O MEIO HÍDRICO…”

Foto. Recivalongo

A “Recivalongo”, através de um dos seus responsáveis, deu também a saber, publicamente, que as declarações do autarca José Manuel Ribeiro “são falsas”, e que “nunca foi feita, nem se prevê fazer, qualquer descarga de lixiviados para o meio hídrico”. Quanto à multa que foram obrigados a pagar, o referido responsável referiu que o processo relativo à coima se encontra em “fase de contestação” por parte da empresa, uma vez que “os fundamentos que a originam são falsos”.

Só que esta posição da empresa é pouco ou nada convincente para a autarquia e população da vila de Sobrado, defendida que ela é, oficialmente, pela associação “Jornada Principal”, que ainda antes da deslocação do presidente da Câmara Municipal de Valongo ao local do aterro, se reunião em Assembleia Geral…

ASSOCIAÇÃO “JORNADA PRINCIPAL” PROMETE INTENSIFICAR A LUTA

Foto: VO

E em Assembleia Geral, a associação Jornada Principal decidiu “reforçar a luta contra o aterro de Sobrado” situado, mais concretamente, no Vale da Cobra.

“Enquanto não houver resultados das intenções anunciadas pelo Ministério do Ambiente, não vamos cruzar os braços. Estamos cada vez mais unidos e vamos endurecer a luta até vermos o aterro definitivamente encerrado e até recuperarmos a qualidade de vida e a saúde a que temos direito”, garante a Direção.

Na última Assembleia Geral foram decididas várias ações a implementar durante o ano de 2020, que passam pelo “alargamento das sessões de esclarecimento a vários públicos, designadamente escolas, associações e empresas”, estando prevista ainda a realização de “um debate sobre o impacto do aterro no mercado imobiliário de Sobrado”.

A Jornada Principal promete mobilizar de novo a população “para a recolha de mais de quatro mil assinaturas”, como a entrega “na Assembleia da República, de uma petição pelo encerramento do aterro”.

Outra das ações será a de “vestir Sobrado de Negro, através da colocação de lonas alusivas à perigosidade do aterro e frases de apelo e sensibilização é outras das medidas a implementar em 2020”.

Na referida reunião magna, a associação decidiu também “intensificar ações junto das entidades responsáveis e autoridades de fiscalização do Ministério do Ambiente, IGAMAOT, da CCDR-N, APA, para que se intensifique a fiscalização, designadamente das águas residuais e superficiais e dos camiões que transportam os resíduos.

Será também solicitado ao ACES Maia-Valongo um esclarecimento formal relativo às consequências de picadas de mosquitos e da presença de pragas de roedores e insetos relacionados com o aterro”.

MARISOL MARQUES: “ACABARAM-SE AS NEGOCIAÇÕES! SÓ QUEREMOS QUE ACABEM COM O ATERRO…”

Marisol Marques (em junho de 2019) – Foto: L.N.

Com o desenvolvimento, recente, dos acontecimentos, a “Jornada Principal” – que não é aceite pelo Ministério do Ambiente, na Comissão de Acompanhamento aos trabalhos que a Recivalongo desenvolve, independentemente desta associação representar de forma legítima a população, e ter à sua frente gente qualificada -, afastou “de qualquer tipo de negociações” quanto a este assunto, defendendo, como disse ao “Etc e Tal jornal”, Marisol Marques, dirigente e fundadora da associação Jornada Principal, como única solução “acabar com o aterro!”.

“O nosso objetivo único é acabar com o aterro ! Acabaram-se as negociações, ou a possibilidade de nelas participarmos futuramente”, referiu a responsável associativa, para quem o facto de o “Ministério do Ambiente não aceitar-nos na Comissão de Acompanhamento, para além de se assistir a reuniões, como foi o caso que aconteceu na mais recente, reflete o facto de que não há boa-fé neste processo”.

HÁ (SENSIVELMENTE) NOVE MESES….

Foto: L.N.

Em junho do ano passado, o “Etc e Tal jornal” deslocou-se ao Aterro de Sobrado em reportagem publicada na edição de julho de 2019, tendo, inclusive, recebido a inesperada visita de alguns elementos ligados à “Recivalongo”.

Dias antes, precisamente no Dia de Portugal, a 10 de junho, perto de mil pessoas manifestavam-se – todas elas vestidas de negro – contra a presença do Aterro devido à crise ambiental que o mesmo estava a criar.

Em junho de 2019 – Foto: VO
Foto: VO
Foto: VO

Diogo Pastor, um dos responsáveis pela associação “Jornada Principal”, salientou, na altura, que, de início”a população concordou com o aterro de inertes. Ou seja, existe uma atividade que a população é contra e outra que é a favor. O facto de ter um aterro de resíduos inertes, nesta área envolvente, emprega pessoas, e reduz o número de resíduos. É contra, contudo, a tal entidade que surge em 2012, a Recivalongo, entidade essa à qual a Agência Portuguesa do Ambiente licenciou um aterro de resíduos industriais não perigosos, e que, mesmo assim, está habilitada a receber resíduos perigosos, como é o caso do amianto. Portanto, essa entidade tem um aterro de resíduos não perigosos, mas recebe os perigosos também”.

Diogo Pastor e Marisol Marques à conversa com o “EeTj” – junho 2019 – Foto: LN

A “Recivalongo” e o lixiviado

Na altura, Mário Marques, um dos responsáveis da empresa, que se abeirou da nossa equipa de reportagem, começou por concordar que “os cheiros pontuais existem. Não é um cheiro exagerado, é um cheiro pontual e os cheiros pontuais são devidos a um único problema: os lixiviados.”

E “temos esses problemas porque a ETAR de Campo – com quem nós assinamos um contrato – não cumpre com os parâmetros exigidos. Nós fazemos um segundo tratamento dos lixiviados, que enviamos para a ETAR de Campo tratar do resto, é o contrato que existe. Os nossos Valores Limites de Exposição (VLE) são equivalente ao de uma casa! Nós cumprimos e fizemos investimentos avultados para tal, mas a ETAR de Campo não cumpre desde 2005. Neste momento essa ETAR só está a depositar tratamento primário da parte do afluente”.

Mário Marques (Recivalongo) em declarações ao EeTj, sem querer dar a cara – Foto: LN

“Na verdade, o nosso problema é o do lixiviado, e esse problema advém da ETAR de Campo não cumprir. Essa ETAR não recebe a água! A gestão das águas residuais é um monopólio legal geográfico e, portanto, nós para podermos contornar essa situação pedimos uma autorização: ou sja pedimos à Aguas do Norte para tratar do lixiviado que a ETAR de Campo não consegue resolver. A Águas do Norte aceitou; perguntou-se à Águas de Valongo e esta disse logo não ter capacidade para a resolução de um problema que dura há 14 anos… o que é gravíssimo. Uma ETAR não cumprir durante 14 anos…Os cafés, os restaurantes, as indústrias, etecetera, pagaram 30 milhões de euros para fazer um tratamento que não foi feito… é grave! O tratamento secundário não está a funcionar”.

COMO SE APRESENTA A “RECIVALONGO”…

A “Recivalongo” apresenta-se como uma “unidade de confinamento de resíduos não perigosos, com uma capacidade de mais de dois milhões de m3”, utilizada para a “deposição dos resíduos não perigosos, que ainda não são passíveis de valorização. O aterro está desenhado para que os impactos ambientais sekam, drasticamente, reduzidos, cumprindo na íntegra com todas as normas ambientais mais exigentes”.

Mais:

“No âmbito da sua unidade de confinamento e tratamento de resíduos não perigosos e de fibrocimento, a «Recivalongo» foi reconhecida com a certificação ISO 9001:2015 e ISO 14001:2015. A ISO 9001 é a norma de sistemas de gestão mais utilizada mundialmente, constituindo-se como referência internacional para a Certificação de Sistemas de Gestão da Qualidade. Quanto à ISO 14001 é referência mundial para sistemas de gestão ambiental.

Exemplos de resíduos industriais admitidos: Resíduos têxteis; Resíduos plásticos; Metal e Resíduos biodegradáveis”.

Mas, ao que parece, e tendo em conta que os moradores de Sobrado, nem o presidente da Câmara Municipal de Valongo, não serão, por certo, irracionais, as coisas não estão a correr como deviam…

PERTINENTES PERGUNTAS

Foto: L.N.

E a associação “Jornada Principal” deixa uma série de pertinentes questões no ar, de modo a que, mais cedo ou mais tarde, sejam respondidas pelas entidades responsáveis…

“- Quais foram os pressupostos legais que estiveram na base da renovação da Licença da “Recivalongo” em 2019?

– Admitindo que o lixiviado da ETAL da “Recivalongo” é altamente poluente para o meio ambiente, como pode a APA e ARH estarem há meses a analisar a possibilidade de descarga do lixiviado diretamente na ribeira do Vilar?

– Após o grande incêndio que deflagrou em 2019 no interior do aterro, o Ministério do Ambiente solicitou alguma análise técnica às telas de impermeabilização do aterro da “Recivalongo”?

– Alguma vez foi ordenado pela APA ou CCDR-n alguma contra análise aos resultados técnicos das águas provenientes dos piezômetros fornecidos pela entidade gestora do Aterro?

– O Gabinete do Ministro do Ambiente já solicitou alguma análise técnica aos resíduos depositados no aterro, através da recolha de amostragens retiradas em profundidade?

– Qual o parecer técnico do Gabinete do Ministro de Ambiente, relativamente ao depósito de resíduos contendo amianto (Resíduo considerado perigoso segundo a LER) juntamente com resíduos não perigosos?

– Existe diferenciação das células do aterro para receber resíduos de amianto ou são misturados com resíduos não perigosos?

– Se o aterro da “Recivalongo” recebe diariamente camiões contendo amianto, e os resíduos são “partidos” com a finalidade de redução de volume em aterro, que garantias de segurança dá o Ministério do Ambiente à população de Sobrado, sobre o ar que respiram, como podem garantir que não contém partículas de amianto?

De salientar que o aterro foi construído a uma distância inferior a 500 metros das habitações, das escolas e do complexo desportivo, que já aí existiam).

– Perante as queixas da população, sobretudo no que diz respeito aos odores e às picadas de insetos, que medidas foram tomadas, pelo Ministério do Ambiente e pelo Ministério da Saúde, para aferir as causas dessas queixas? E que tipo de resposta e de auxílio foi dado à população?”

Ficam as perguntas…

 

ÚLTIMAS

 

“COMISSÃO DE ACOMPANHAMENTO” GARANTE QUE “RECIVALONGOTEM CUMPRIDO COM AS MEDIDAS IMPOSTAS…

 

A Comissão de Acompanhamento da visando a avaliação final das medidas impostas à empresa “Recivalongo”, visitou, na passada sexta-feira (29fev20) as instalações da empresa, concluindo que se têm cumprido as três medidas determinadas a 18 de dezembro último.

As medidas dizem respeito à “redução ao mínimo da frente de trabalho de deposição dos resíduos, bem como a obrigação da cobertura diária da totalidade dos resíduos depositados, através da aplicação de camadas de terras com 15 a 25 cm de altura, conforme previsto no Manual de Exploração do Aterro”; à “cobertura, por telas “provisórias”, da área da atual célula de deposição de resíduos, tendo por objetivo reduzir ao mínimo a área exposta à formação de lixiviado e a área presumível na geração e libertação de odores; e “finalizar a cobertura dos tanques da Estação de Tratamento de Águas Lixiviantes, por forma a mitigar um dos possível focos de odores.

Ainda de acordo com a referida “Comissão de Acompanhamento” foram ainda “adotadas outras medidas consideradas necessárias pelos elementos da CA, no decurso das reuniões intercalares, designadamente: o desencadeamento de novo procedimento de licenciamento do depósito de combustível junto da C.M. de Valongo, estando atualmente em tramitação processual, em virtude de anteriores indeferimentos; o ajustamento no modo de descarga da rede de recirculação do lixiviado por forma a que a saída não se processe em “cascata”, com o objetivo da diminuição de odores; a aplicação de geotêxtil na cobertura dos pneus que protegem os taludes como medida preventiva ao aparecimento de insetos nas bolsas de água; e, por último, a “Instalação de um queimador de biogás e respetiva rede de drenagem, a concretizar até meados de julho de 2020.

Relatório Trimestral

Nesta reunião foi, também, apresentado pelo operador o segundo Relatório Trimestral do “Levantamento da Comunidade de Insetos na Envolvente à Recivalongo”, realizado pela empresa BIOTA – Estudos e Divulgação em Ambiente, Lda, e que “será objeto de oportuna apreciação, em particular pela Administração Regional Saúde do Norte”.

Registou-se, ainda, que foi iniciada a instalação pela “Recivalongo” de uma Estação de Tratamento de Águas Lixiviadas com Osmose Inversa de 3 Fases.

Ainda de acordo com o comunicado da Comissão de Acompanhamento “foi ainda transmitido à Recivalongo” pelos membros da CA a necessidade de apresentação de um Plano de Adaptação e respetiva calendarização, tendo em vista o cumprimento das condições definidas a nível nacional para a deposição de resíduos de construção e demolição contendo amianto”.

Recorde-se que a “CA” foi constituída em dezembro de 2109 e integra elementos da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte, da Agencia Portuguesa do Ambiente, Autoridade Regional de Saúde do Norte e Câmara Municipal de Valongo (CMV), enquanto entidades da administração com atribuições no licenciamento da RECIVALONGO e demais instalações similares, tendo em vista responder às preocupações das populações e da CMV.

 

AVISOS DA CÂMARA MUNICIPAL DE VALONGO NÃO FORAM TIDOS EM CONTA PELA COMISSÃO DE ACOMPANHAMENTO

 

Ainda antes de se saber os resultados da reunião e visita da Comissão de Acompanhamento à Recivalongo, já a Câmara Municipal de Valongo chamava à atenção, em comunicado assinado pelo presidente do executivo, José Manuel Ribeiro, para a sua posição sobre o assunto, recomendando à referida Comissão certas posições, as quais não foram atendidas.

“O Município de Valongo discorda da existência deste aterroe, em particular, do processo de licenciamento da atividade, quer no que respeita à licença de exploração, quer à licença ambiental, cujo processo contestamos e reputamos como ilegal, conforme tem defendido publicamente e junto das entidades competentes e da tutela, ao longo da operação do aterro da Recivalongo.

Esta atividade ilegal é do conhecimento público e foi objeto de diversos alertas junto das autoridades do Ministério do Ambiente e Transição Energética”.

A autarquia faz questão de frisar o facto de que “também contestamos o averbamento das licenças, e comunicámos à tutela a gravidade desta situação”, mas “apesar de todas as diligências e tomadas de posição públicas do Município de Valongo, o aterro em causa continua em laboração em condições inadequadas e a receber mais de 420 resíduos diferentes, incluindo orgânicos e com amianto.

Em particular, verifica-se a deposição de resíduos com amianto na mesma célula onde são depositados resíduos biodegradáveis, o que agrava perigosamente os impactos e as consequências desastrosas para a saúde e segurança das populações residentes”.

A CMV refere ainda que “desde o início que o Município de Valongo solicitou a integração na Comissão do representante da Associação Jornada Principal, Sr. Engº Diogo Pastor Oliveira, licenciado em Ciências e Tecnologias do Ambiente e Mestre em Técnicas de Remediação de Solos, e Autor Líder de Certificação em Qualidade, Ambiente e Segurança, e do Sr. Professor António Guerner, membro da academia, consultor externo e perito em matéria de aterros, o que, incompreensivelmente e sem fundamento técnico ou legal, não foi aceite”.

Portanto, “pelo exposto, na defesa dos interesses das populações do concelho de Valongo e da Área Metropolitana do Porto, perante todos os indícios apurados, o Município de Valongo posiciona-se no sentido de que a Comissão de Acompanhamento, nessa reunião de avaliação final, deve concluir no sentido de recomendar o cancelamento das licenças de exploração  e ambiental, que foram indevidamente prolongadas no final de 2018, apesar da contestação fundamentadas por parte do Município de Valongo contra a renovação das mesmas”.

 

“JORNADA PRINCIPAL” PEDE DEMISSÃO IMEDIATA DO MINISTRO DO AMBIENTE POR “ATENTADO À SAÚDE PÚBLICA E AOS DIREITOS HUMANOS!”

 

Após a tomada de posição da Comissão de Acompanhamento, a associação Jornada Principal emitiu um comunicado que publicamos na íntegra:

“Na sequência do esclarecimento, emitido hoje pela CCDR-n, perante o desrespeito de todas as entidades envolvidas na Comissão de Acompanhamento (CCDR-n, APA, ARS-N) e perante a desconsideração do Sr. Ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes, para com o povo de Sobrado, ignorando o seu sofrimento diário e todas as queixas e manifestações públicas, a Associação Jornada Principal, voz e rosto do povo sobradense, faz saber:

–  Visto que o Ministro do Ambiente não tomou nenhuma medida que salvaguardasse os interesses da População de Sobrado, e apenas se limitou a criar uma “encenação técnica” patrocinada pela Recivalongo, e visto que o que se passa em Sobrado é um atentado ambiental, um atentado à saúde pública e um atentado aos direitos humanos, resta-nos solicitar a sua demissão imediata. 

– Sendo o aterro de Sobrado um aterro de resíduos não perigosos e não existindo condições físicas que permitam o depósito independente de residuos de amianto (resíduo considerado perigoso segundo a LER), como podem as entidades do estado compactuar com esta ilegalidade?  

– Quem garante que a saúde da população de Sobrado e das freguesias vizinhas não está em risco, uma vez que foi permitido, pela Agência Portuguesa do Ambiente, durante anos, a deposição na mesma célula de amianto e resíduos biodegradáveis? E se, agora, não é permitido vão continuar a enterrar os resíduos nas células que já contém amianto?

– O facto das entidades públicas não terem acatado, a sugestão da CMV, para integrar um membro da Associação e o Professor António Guerner na Comissão de Acompanhamento, em nosso entender, esta comissão só serviu para branquear a actividade da entidade e mais grave ainda, serviu para muscular e legalizar, os interesses da empresa, protegendo os mais fortes em detrimento dos mais vulneráveis. .

– De acordo com o comunicado, a empresa cumpriu com 3 das Medidas determinadas pela CA, no passado dia 18 de dezembro, como pode tal ser possível se, precisamente desde o mês de dezembro os odores têm-se intensificado de tal forma, ao ponto de serem insuportáveis, resta-nos concluir que as medidas são inócuas e insuficientes, menosprezando o sofrimento diário de um povo que perdeu toda a sua qualidade de vida. 

– Sendo a incidência de odores, sobretudo, a partir das 18:00h, a Associação questionou o Comissão de Acompanhamento se tinham realizado alguma fiscalização em período noturno, tendo os técnicos referido que não trabalhavam fora do horário laboral. Resta-nos alertar que a entidade efetua a recirculação do lixiviado em  período noturno,  com a finalidade de evaporar o lixiviado e reduzir o volume do efluente, fazendo-o ao fim do dia e isenta de qualquer fiscalização, o que lhe permite alegar que os odores são “pontuais”.

–  Questionamos, também, como pode a CCDR-n considerar um relatório de levantamento do estudo de insetos, que é apresentado pela própria entidade gestora do aterro (principal parte interessada), qual a fiabilidade do mesmo? Sendo este, um problema de interesse publico, aproveitamos para perguntar, ainda, onde estão os relatórios realizados à água, ao ar e à saúde, feitos pelos organismos responsáveis do governo, ou será que o valor recebido pelo estado proveniente da TGR não pode suportar estas análises técnicas?

– Como podem as entidades do estado (APA e ARH) omitir um pedido da Recivalongo para descarregar o lixiviado diretamente na ribeira do Vilar? Tendo a associação em sua posse da Eng. Lara Carvalho (ARH) que afirma  que est´em apreciação técnica um pedido efetuado pela Recivalongo.  Será que é o autarca de Valongo tem “falta de memória”, ou será que mais uma vez o ministro do ambiente está empenhado em defender interesses privados?

–  Como podem os técnicos da ARS omitir as queixas das populações se esta associação já encaminhou diversos casos, quer para a Sr. Ministra da Saúde, quer para a Delegada de Saúde da ACES Maia – Valongo, anexando várias evidências de relatórios médicos, receitas e faturas de fármacos e registos fotográficos?

– Será que o incêndio de grandes dimensões que deflagrou no interior do aterro não danificou as telas de impermeabilização? A CCDR-n e APA realizaram alguma monitorização das águas dos piezômetros para aferir algum foco de contaminação?

– Visto que os resíduos são depositado sem qualquer tipo de controlo e tratamento, como podem os técnicos da APA e CCDR-n determinar qual a formula química dos resíduos do aterro de Sobrado? Será que a reação de mais de 400 tipos de resíduos não está a produzir um composto perigoso? Foi solicitado à Comissão de Acompanhamento que ordenasse uma amostragem em vários pontos do aterro para despistar eventuais suspeitas de resíduos perigosos, tendo o mesmo sido ignorado”.

 

Texto: José Gonçalves

Fotos: Luís Navarro (L.N.)

Fotos (parceria): “Verdadeiro Olhar” (VO), e “Jornada Principal(JP)

01mar20

 

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