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Quando termina uma década?

Joaquim Castro

Alguns dos meus amigos, assim como muitas outras pessoas, festejaram, a 31 de dezembro de 2019, o que consideraram ser o fim da última década, iniciada a 1 de janeiro de 2011. Mas, afinal, a década terminou em 2019 ou vai terminar em 2020? Segundo várias fontes consultadas, quem pensa que estamos numa nova década, vai ter de voltara fazer contas! Por exemplo, a Real Academia Espanhola, tutela oficial da língua castelhana, veio esclarecer a questão: “a nova década começará em 2021 porque “cada década começa em um ano acabado em 1 e termina em um ano acabado em 0″.

Assim, a primeira década do século 21 é a que vai de 2001 a 2010; a segunda, de 2011 a 2020, etc.”, completou, citando o Dicionário Panhispânico de Dúvidas. “Se contarmos para trás, temos o -1, então pulamos o ano 0. Ao pularmos o ano 0, se contarmos 10, vamos de 1 ao 10, não de 1 a 9. Então, uma década termina em 10. E a segunda década é do ano 11 ao 20”, conclui. Por outro lado, existe uma diferença entre década e decénio, o que pode originar a confusão. Mas a década pode começar entre quaisquer 2 anos, mas, mesmo assim, um decénio, por exemplo 2008 a 2018, acaba por ter 11 anos!

UM “TAC”, UMA “TAC”

Recentemente, fui consultar um médico-especialista, que perante as minhas queixas, nada por aí além, me disse que era melhor fazer “um TAC”. Não concordando com o género masculino, perguntei, com jeitinho: “ó senhor doutor, diz-se um TAC ou uma TAC?”. O meu médico foi apanhado de surpresa com a pergunta, mas respondeu, sorridente: “tem toda a razão, deve dizer-se uma TAC, e não um TAC. Sabe é uma questão de hábito, que vou procurar não repetir”, rematou o médico-especialista.

Realmente, TAC quer dizer Tomografia Axial Computorizada e pertence ao género feminino. Deve, portanto, dizer-se uma TAC. Ainda assim, aceita-se a designação de “um TAC”, quando se presume que está a ser feita referência a um exame complementar de diagnóstico, que é a TAC, conforme refere “Ciberdúvidas da Língua Portuguesa”.

AS FIGURAS E OS FACTOS

Houve tempos, em que os jornais eram uma escola de português para quem os lia. Infelizmente, tal já não sucede, pois tudo mudou, para pior, no que à Língua Portuguesa diz respeito. Os grandes jornais parece não terem grande preocupação com a forma como são redigidos os textos. Há uns meses, enviei uma mensagem ao director de um grande jornal do Norte, lamentando algum desleixo na escrita desse jornal, enumerando alguns erros de palmatória. A resposta foi muito diplomática, com um simples “procuramos sempre melhorar”. Mas não melhorou, tudo continuou na mesma! Para justificar o que digo, mostro o exemplo de uma imagem e respectiva legenda: “Vote nos factos e figuras da época”, quando, em meu entender, seria mais rigoroso escrever: “Vote nos factos e nas figuras da década”. (Ver 1 – Quando termina uma década?).

OS CÃES LADRAM, E A CARAVANA PASSA!

Salvador Malheiro, presidente da Câmara Municipal de Ovar e vice-presidente do PSD, utilizou, na sua página pessoal do Facebook, o provérbio “Os cães vão ladrando e a caravana vai passando”, dirigido aos críticos, pela demora de obras de repavimentação de dezenas de arruamentos da freguesia de Válega, que já vai em dois anos, originando uma chuva de respostas, incluindo um pedido de desculpas pela ofensa publicada. O autarca emendou a publicação, retirando o provérbio, mas as críticas não pararam.

A questão é a de saber se esse provérbio é ofensivo ou não. A maioria dos munícipes considera que sim, a avaliar pelas reacções nas redes sociais. No entanto, alguns, muito poucos, consideram que o provérbio não é ofensivo, mas até alguns seguidores do presidente da Câmara de Ovar consideram que o comentário foi infeliz. Pela minha parte, enquanto munícipe, considero a expressão muito ofensiva, considerando o sofrimento da população de Válega, perante a demora das obras nos arruamentos.

GLICÉMIA E GLICEMIA

Tenho lido e ouvido os dois termos: glicemia e glicémia, Mas qual será o termo correcto? Segundo Sandra Duarte Tavares, especialista em Língua Portuguesa, a forma correcta é glicemia, com “e” fechado, escrevendo-a sem qualquer acento gráfico. O termo é formado com origem em dois elementos gregos ”glyýs” (doce) e “emia” (sangue), duas palavras gregas, que significa açúcar no sangue. Note-se que o segundo elemento entra na composição de muitas outras palavras: anemia, leucemia, alcoolemia, e toxicemia. São palavras graves, em que a sílaba tónica é a penúltima “mi”, pelo que não devem ser acentuadas graficamente. Em todo o caso, a expressão “glicémia” já é consagrada em alguns dicionários de referência. Mesmo assim, com a recomendação de se dever optar pelo termo “glicemia”, que é o meu preferido.

FRASES QUE FIZERAM HISTÓRIA! (para rir)

“Estar vivo é o contrário de estar morto”. – Lili Caneças.

“Nós somos humanos como as pessoas”. – Nuno Gomes, SL Benfica.

“Quem corre agora é o Fonseca, mas está parado”. – Jorge Perestrelo (relato de jogo).

“Inácio fechou os olhos e olhou para o céu!” – Nuno Luz (SIC).

“O meu coração só tem uma cor: azul e branco”. – João Pinto, antigo capitão do FC Porto.

“Lá vai Paneira no seu estilo inconfundível. (pausa). Mas não, é Veloso. – Gabriel Alves.

“É trágico! Está a arder uma vasta área de pinhal de eucaliptos”. – Jornalista da RTP.

“Um morreu e o outro está morto”. – Manuela Moura Guedes.

“Antes de apertar o pescoço da mulher até à morte, o velho reformado suicidou-se”. – João Cunha, testemunha do crime.

“O acidente foi no tristemente célebre Retângulo das Bermudas”. – Paulo Aguiar (TV Globo).

” À chegada da polícia, o cadáver encontrava-se rigorosamente imóvel.” -Ribeiro de Jesus, PSP de Faro.

“O acidente provocou forte comoção em toda a região, onde o veículo era bem conhecido”. – António Bravo (SIC).

“Ela contraiu a doença em vida”. – Dr. Joaquim Infante, Hospital de Santa Maria.

“Os sete artistas compõem um trio de talento”. – Manuela Moura Guedes (TVI).

“Esta nova terapia traz esperanças a todos aqueles que morrem de cancro em cada ano”. – Dr. Alves Macedo, oncologista.

“Querem fazer do Boavista o bode respiratório”. – Jaime Pacheco, treinador do Boavista.

“Se entra na chuva é para se queimar.” – Denilson, jogador da Seleção do Brasil.

“O difícil, como vocês sabem, não é fácil”. – Jardel.

“Em Portugal, é que é bom. Lá, a gente recebe semanalmente de 15 em 15 dias”. – Argel, ex-jogador do Benfica.

“Nem que eu tivesse dois pulmões alcançava essa bola”. -Roger, ex-jogador do Benfica.

“Finalmente, a água corrente foi instalada no cemitério, para alegria da população” repórter do Fundão.

 

Nota: Por vezes, o autor também erra!

 

Fotos: pesquisa “net

01mar20

 

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