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Coliseu é do povo, Coliseu é do Porto, não é do negócio!

“Há quase 25 anos, o povo do Porto desceu à rua contra a intenção da então proprietária (a seguradora Aliança UAP) de vender o Coliseu do Porto a uma seita religiosa, para finalidades incompatíveis com a história daquele património afetivo da cidade.

Nessa formidável manifestação popular foram definidos os objetivos da Associação “Amigos do Coliseu do Porto” que começou então a ser construída: salvar o Coliseu da destruição anunciada, recuperar o edifício, garantir que aquele equipamento continuasse a ser um local de cultura, de espetáculos para toda a cidade.

Vem tudo isto a propósito da realização no passado dia 13 de Março da assembleia geral da Associação “Amigos do Coliseu do Porto”. Como é sabido, foi aprovada a concessão a privados da “reabilitação, requalificação e exploração” do Coliseu pelos votos esmagadoramente maioritários (mais de 55.000) do Estado (Direção Regional de Cultura do Norte), Área Metropolitana do Porto e Município do Porto na qualidade de associados institucionais.

Esta foi a resposta dos 3 associados institucionais à necessidade de realizar obras, com um custo previsto, num primeiro orçamento, de 8 milhões de euros. Diferente, muito diferente, foi a posição assumida pelos associados individuais: discordância do processo e da proposta de entregar a privados, quer a realização de obras quer a programação/exploração durante muitos anos daquele símbolo cultural da cidade do Porto.

Inaugurado há quase 80 anos, por iniciativa da companhia de seguros Garantia, no espaço do antigo jardim Passos Manuel, com projeto do arquiteto Cassiano Branco, o edifício do Coliseu e a sala de espetáculos com mais de 3.000 lugares não tiveram durante muito tempo as necessárias obras de manutenção, apesar de estar classificado desde 2012 como Monumento de Interesse Público.

Participando como associado na assembleia geral, lembramos que os órgãos sociais da Associação “Amigos do Coliseu do Porto” receberam há 25 anos do povo do Porto uma orientação expressa, um mandato muito claro de assegurar uma programação que prestigiasse o Coliseu e servisse a cidade, pelo que os sócios institucionais (e maioritários) têm que assumir as suas responsabilidades e cumprir obrigações: realizar as obras necessárias, mesmo que num projeto com custos mais contidos, e manter a Associação “Amigos do Coliseu do Porto” a gerir a programação.

A proposta dos três associados institucionais não tem apenas falta de transparência, como alguns associados apontaram. O que a proposta do Estado (DRCN), da Área Metropolitana do Porto e do Município do Porto tem de absolutamente intolerável é que pretende entregar por muitos anos a exploração/programação do Coliseu do Porto a um grupo privado, com óbvias finalidades lucrativas. E tal propósito é um desrespeito pelo clamor popular manifestado há quase 25 anos, é uma autêntica traição à reivindicação dos milhares de populares que em 1995 se juntaram na rua de Passos Manuel em defesa do Coliseu como símbolo cultural da cidade.

O Coliseu é do povo, o Coliseu é do Porto, não é do negócio …”

José Castro

(leitor)

 

Foto: Arquivo EeTj

01abr20

 

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