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Economicices (15)

Cristóvão Sá TTmenta

 

SUSTENTABILIDADE DA SEGURANÇA SOCIAL/ESPERANÇA DE VIDA

Portugal (2)

 

O volume do fator trabalho nas organizações é determinante para o incremento das contribuições para a segurança social. Mas também o é o nível de salários pagos e a regularidade e consistência dos vínculos laborais. Em Portugal, tal como noutros países onde o modelo de desenvolvimento é marcadamente balizado por políticas neoliberais, o capitalismo financeiro assume papel liderante, com prática de salários baixos em geral e relações laborais precárias. Nada favoráveis à acumulação de meios financeiros no sistema para se assumir compromissos futuros.

Nas simulações sobre as necessidades financeiras do sistema estuda-se também a evolução da população ao longo do tempo. Neste campo a variável relacionada com a natalidade assume papel importante. Porque quanto mais a população aumentar maior é a probabilidade de trabalhadores futuros a contribuírem para a segurança social. Também contribuições assumidas pelas entidades empregadoras.

Mas Portugal não tem bons indicadores neste aspeto. Veja o gráfico acima. Passamos de 24 nascimentos por 1.000 habitantes em 1960 para menos de 8 em 2015.

Segundo o INE, Portugal por volta de 2033 terá menos de 10 milhões de habitantes. “E daqui a apenas 30 anos, o país vai ter menos de 5 milhões de pessoas com idade para trabalhar, um cenário que será ainda mais negro em 2080, quando a população em idade ativa será de apenas 4 milhões. Para se ter a noção da pressão que será colocada sobre o sistema de Segurança Social já a meio deste século, o número de idosos vai andar na casa dos 3 milhões e o de jovens vai cair para menos de um milhão.DN 16/11/18”. Preocupante e a dar que pensar.

O recurso às migrações tem sido uma das formas que as sociedades se tem alimentado para compensar estes desequilíbrios demográficos. Porém, sabemos bem o que significam hoje as correntes migratórias e quanto elas tem servido para instilar ódio, racismo, xenofobia e mesmo armas de arremesso político. Geradoras até de potenciais situações de guerra. Atente-se (à data em que estou a escrever esta peça, 13/3/20) o que se está a passar entre a Turquia e a Grécia.

As novas tecnologias e a inteligência artificial tem vindo a desenvolver processos e ferramentas para diminuir o trabalho humano nas linhas de produção intensivas. Os robots não são personagens de cenários futuristas e de ficção. Eles já estão bem aí.

Os robots não são contribuintes do sistema. Não são eles nem as organizações que os adquirem e utilizam. Contudo incrementam o seu volume de negócios e mesmo o encaixe de fluxos monetários relevantes. Assim sendo há que pensar em formas de, por via da sua utilização, até porque reduzem o volume de trabalho humano nas organizações, instituir um mecanismo de contribuição para o sistema em função dos acréscimos que se registam e que são contabilizáveis no seu valor acrescentado líquido. Aja então força e vontade política para capturar novas fontes de financiamento do sistema. Contrariando na justa medida a drenagem dos rendimentos sempre e cada vez em maior volume para o sistema financeiro capitalista.

 

Fotos: pesquisa Google

01abr20

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