Menu Fechar

Queimada Galega (Licor)

Quando a Covid-19 nos deixar totalmente, vamos festejar, reunindo os amigos numa festa e para que ela seja alegre e diferente vamos fazer uma Queimada, pois todos podem participar é muito divertido.

A Queimada é um licor que possivelmente, a sua origem provem dos Celtas que estiveram estabelecidos na Galiza e no Norte de Portugal.

A Galiza assim como o Nordeste Transmontano são regiões repletas de tradições milenares. A Galiza soube sempre conservar a tradição e mais ainda a ascendência Celta que vem dá 3000 anos. Foi da Galiza que os Celtas partiram para a conquista da Irlanda. Daí os galegos possuírem uma marca dos ancestrais Druidas, Meigas e Bruxas, dos velhos deuses e da magia dos antigos.

Os Celtas acreditavam nas forças da terra, no fogo, na água no ar e no poder das plantas para a cura de muitos dos seus males. Todos estes elementos estão presentes na Queimada, claro que era diferente, assim como a que se fez na Idade Média, pois ainda não tinham os ingredientes que só mais tarde chegaram à Península Ibérica.

O Fogo simboliza o elemento purificador e que nos livra da má sorte, a água cura os males e trás juventude e beleza o ar é a vida e as plantas não só curam como servem para amuletos, são mágicas e encantam, o Caldeirão simboliza a abundância. A Queimada era uma poção mágica. Que servia para afastar os espíritos do mal. E como a nossa Covid-19 precisa de ser afastado vamos fazer a poção mágica a “Queimada Galega” e o seu “conjuro” que também se usa no Minho e Trás-os-Montes.

 

Ingredientes

1 Litro de Aguardente de qualidade
200gr. de açúcar
1 Casca de uma Laranja, fininha, cortada em diversas tiras
1 Casca de um limão, fininha,          “                    “
1 Maçã meio madura, cortada em bocados pequenos
20/30gr. +/- de grãos de café torrado
1 pau de canela
5 nozes peladas

Preparação

Num recipiente próprio, ou tacho de barro (se for num tacho, não se esqueça que não deve ficar pousado em cima da mesa, devido ao calor). Coloque os ingredientes, (sem o pau de canela) e a aguardente. (para ficar mais divertido, convide cada uma das pessoas a deitar uma colherzinha do açúcar devido). Deixe um pouco de açúcar para colocar na concha com que vai mexer a Queimada, e um pouco de aguardente.

Com um acendedor deite fogo na concha, (se estiver muito frio demora um pouco mais acender). Uma vez que a concha já tenha as chamas azuladas caraterísticas, vá muito lentamente, aproximando do pote com a aguardente e verta muito devagar. Vá dando voltas pela superfície para que as chamas passem para o resto da aguardente; quando as chamas cobrirem todo o recipiente, continue a dar voltas e a envolver os ingredientes para dar todo o sabor, passados uns minutos já pode elevar a concha um pouco e verter lentamente, para dentro do recipiente para dar mais espetacularidade à preparação.

Enquanto arde uma outra pessoa já pode começar a recitar o Conjuro, criando-se um ambiente muito especial. Todos os presentes devem-se concentrar em tudo o que querem ver afastado de suas vidas, mentalizando que todo o mal arda naquelas chamas.

A pessoa que se encarregar da preparação, continua a dar voltas à poção até que o fogo vá perdendo força, neste momento pode por o pau de canela e pode provar deitando um pouquinho numa canequinha de barro, apaga o fogo da canequinha e vê se já está doce a gosto, convêm deixar queimar bem o álcool para ficar licorosa.
Deve-se beber quente. A cor com que fica é tostada.

CONJURO

Mochos, corujas, sapos e bruxas,
demónios, trasgos e diabos,
espíritos das enevoadas veigas.
Corvos, píntigas e meigas,
feitiços das mezinheiras.
Podres canhotas furadas,
lar dos vermes e alimárias.
Fogo das Santas Companhas,
mau-olhado, negros feitiços,
cheiro dos mortos, trovões e raios.
Uivar do cão, pregão da morte;
focinho do sátiro e pé do coelho.
Pecadora língua da má mulher
casada com um homem velho.
Averno de Satã e Belzebu,
fogo dos cadáveres ardentes,
corpos mutilados dos indecentes,
peidos dos infernais cus,
mugido do mar embravecido.
Barriga inútil da mulher solteira,
falar dos gatos que andam à janeira,
guedelha porca da cabra mal parida.
Com este fole levantarei
as chamas deste fogo
que assemelha ao do Inferno,
e fugirão as bruxas
a cavalo das suas vassoiras,
indo-se banhar na praia
das areias gordas.
Ouvi, ouvi, os rugidos
que dão as que não podem
deixar de se queimar na aguardente
ficando assim purificadas.
E quando esta beberagem
baixe pelas nossas goelas,
ficaremos livres dos males
da nossa alma e de feitiço todo.
Forças do ar, terra, mar e fogo,
a vós fazem esta chamada:
se é verdade que tendes mais poder
que as humanas pessoas,
aqui e agora, fazei que os espíritos
dos amigos que estão fora,
participem connosco desta
Queimada.

Após a ceia, na obscuridade da noite é um bom momento para realizá-la. Antes de beber a bebida, cada um fará mentalmente os seus pedidos que pretende atrair para a sua vida.

Saúde a todos!

 

Carmen Navarro

(texto)

Fotos: pesquisa Google

01abr20

 

Partilhe:

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.