Lúcio Garcia
A próxima edição do “Etc e Tal Jornal” só sairá após as próximas eleições autárquicas (*), pelo que vou reservar o espaço deste mês para tecer algumas considerações sobre este assunto.
Estas eleições autárquicas são marcadas por um facto novo. O impedimento de uma candidatura após o cumprimento de três mandatos seguidos como Presidente de Câmara ou como Presidente de Junta.
A lei parece-me muito clara. Parlamentares do PSD que votaram esta Lei, confirmaram publicamente o espirito da mesma. Paulo Rangel por exemplo foi claro em entrevista a uma televisão, ao afirmar que a intenção e espirito da Lei seria a de impedir o prolongamento indefinido do lugar de Presidente de Câmara ou de Junta para evitar vícios e influências eternas, posição com que concordo e aprovo.
Aliás, não são os únicos na gestão da coisa pública. Isto acontece em vários cargos, incluído o do Presidente da Republica que só pode cumprir dois mandatos consecutivos. Isso não lhe retira mais ou menos direitos que os outros cidadãos, apenas obrigam a uma salutar rotatividade. Passado um mandato, todos os cidadãos que já cumpriram consecutivamente três mandatos como Presidentes de Câmara ou de Junta, já podem de novo, candidatar-se a novo cargo.
Curiosamente o que sucede? O mesmo grupo partidário, leia-se PSD, que suporta um governo que constantemente tenta fazer passar leis que violam a lei fundamental do País, a Constituição da Republica, é o mesmo, que mais presidentes de Câmara quer fazer eleger contrariando a Lei que ele mesmo aprovou. Não sei o que dirá o Tribunal Constitucional e como é óbvio acatarei bem, a sua decisão como soberana, mas espero sinceramente estar com a razão. O problema é uma questão de princípio, não é partidária, é uma questão que deve ser lida como um exercício salutar de rotatividade para todos.
Nos últimos anos e conforme já disse várias vezes, a politica tem sido rebaixada ao nível do lixo. Os arautos desta estratégia, estão a começar a pagar o preço. A política é uma coisa nobre, que deve ser exercida por pessoas sérias, com honestidade intelectual. Não por pessoas que se movem por interesses obscuros ou com políticas ao sabor do vento. Hoje a lei serve-lhe, é pela lei, amanhã não lhe serve perverte-se a lei.
Culpa tem o povo! Fala, protesta, não lê, guia-se pelos títulos dos jornais e por frases sem conteúdo. Não procura a verdade, é comodista e não castiga quem deve. Guia-se na política como no futebol, veste a camisola. Só que no futebol não há consequências, mas em política o seguidismo cego castiga-nos a todos.
Como é possível que em Oeiras, por exemplo, haja uma Lista de “Independentes “, que concorre às eleições encabeçada por Paulo Vistas que tem como candidato à presidência da Assembleia Municipal, Isaltino de Morais que se encontra preso? O curioso é que as sondagens dão-lhe a vitória em Oeiras. Paulo Vistas e Isaltino têm culpa? Não, não têm. Eles são pessoas sem vergonha, fazem pela vida. O povo gosta, então não se queixe. Mas não se queixe a todos os níveis, porque a moral tem que ser igual em todas as situações.
Estes exemplos, amigos leitores, levam-me ao Porto. À Cidade do Porto e a uma das suas maiores freguesias. Campanhã.
No Porto existem em confronto quatro candidaturas a ter em conta. Rui Moreira, Nuno Cardoso, Filipe Menezes e Manuel Pizarro. Sim há mais, ainda temos as candidaturas do Bloco de Esquerda e do PCP. A verdade, no entanto, é que estas candidaturas são fracas por si só, para conquistarem a Câmara. Ao não quererem ter contribuído para uma candidatura de esquerda proposta por Manuel Pizarro vão com os seus votos beneficiar a direita, dividindo a esquerda. O costume. Isto é dos livros, é um facto indesmentível ao longo da história que não pode ter contestação. A esquerda prefere ter a direita no Governo da Cidade ou até do País do que o Partido Socialista. Enfim, quanto a estas duas candidaturas nada a fazer. São candidaturas de contestação e pouco mais.
À direita temos Luís Filipe Menezes, que na voz do seu rival e correligionário, o atual presidente Rui Rio, vai destruir tudo o que ”foi feito” nos últimos anos. Provavelmente vai mudar de construtor civil, do LUCIOS, vamos para o desconhecido. Eles lá sabem com que linhas se cosem. Filipe Menezes traz de Gaia a experiencia do embelezar o Litoral, mas Rui Rio também cuidou da Foz, pelo menos corridas de automóveis e bons pisos para tal não faltaram. Faltou obra nas freguesias mais necessitadas, como Campanhã, que foi completamente votada ao ostracismo por este executivo camarário.
Tal como Filipe Menezes, Rui Rio fez muita obra de fachada. No caso do Porto até foi pior, porque a maioria da obra feita não é da Câmara, mas de empreiteiros com interesses nas obras realizadas.
A recuperação de obra não é facilitada para todos de igual modo, continuam a existir, centenas de projetos de recuperação urbana que não saem do papel. Nunca mais são concedidas as autorizações para obra. A burocracia é imensa. Se for proprietário de um imóvel que mereça reabilitação e pedir ao arquiteto Souto Moura, por exemplo, um projeto de reabilitação desse edifício, porque vou ter que estar anos há espera que um qualquer senhor saído da faculdade ajuíze do valor dessa reabilitação? Não compreendo. Tudo poderia ser muito mais fácil com regras definidas à partida para todos e responsabilizando duramente os infratores.

Filipe Menezes sai de Gaia deixando uma Câmara falida para continuar a ser presidente no município vizinho. Na minha modesta opinião contra a Lei de delimitação de mandatos. É um homem de aparelho e de lóbis de interesses que pretendem continuar ativos. Mas o mais perverso na campanha de Menezes é a falta de coragem, a sem vergonha e a falta de honestidade intelectual para não usar o símbolo do PSD nos seus cartazes de campanha. Só por isto os eleitores deviam-no castigar. O propósito é enganar e quem engana na campanha não deixará de enganar no exercício do cargo.
Rui Moreira, diz-se um homem independente dos partidos, mas o que é isso de independência? Quem garante os custos de campanha? O CDS? Quem são os homens que estão por trás desta candidatura? Rui Rio? Que não quer Menezes e seus interesses no Porto. Independentes? Que independentes? Não há independentes, quando se abraça um projeto. Rui Moreira, não é independente de nada. Ao aceitar candidatar-se, recebe o apoio de muitos interesses e dos grandes interesses desta cidade, que não estão de acordo com os interesses de Filipe Menezes. Que conhecimento real tem Rui Moreira dos problemas dos bairros de Campanhã, de como vivem as pessoas as pessoas do Falcão ou de São Vítor ou da Sé? Nenhum. Em toda a sua vida seguramente que nunca por lá passou nem faz ideia de como esta boa gente do Porto vive.
Nuno Cardoso? É um homem de Felipe Menezes, como todos sabem. Era para ser seu vice, mas as coisas não correram bem. Está zangado com o PS, todos sabem, porque Sócrates não lhe deu o cargo que queria, o de presidente das Águas de Portugal. Bem feito! Gorado o cargo e a candidatura a vice do Porto, Nuno Cardoso abandona o PS, entrega o cartão de militante e aí temos mais um “Independente “a fazer campanha contra o PS, a favor de Menezes dividindo o PS e a tomar uma posição caso a decisão do Tribunal Constitucional corra mal para Menezes.
Tudo bons rapazes. O que estão pessoas assim a fazer no PS é que eu não entendo. Como é que há militantes ou simpatizantes do PS que lhes dão cobertura, também não entendo. Talvez fosse tempo do PS pensar nos militantes que tem, mas isso é lá com o partido.
E temos Manuel Pizarro. Prestigiado médico em exercício, autor de varias publicações científicas na área da medicina interna de que é especialista, antigo subsecretário de Estado Adjunto e da Saúde, onde verdade seja dita, fez um excelente trabalho. Homem sério e impoluto, portuense de gema. Um homem de trato fácil e despretensioso. Conhecedor da sua cidade, o Porto.
Pizarro, é perante o quadro que tracei acima, afinal… o mais “independente”. Não tem o apoio dos grandes lóbis do Porto, nem dos grandes interesses. Tem o apoio oficial do Partido (PS) e dos portuenses que acreditam nele e lhe dão o seu apoio.
Mas Pizarro também tem uma outra vantagem. Tem excelentes candidatos a presidentes de Junta de Freguesia. Profundos conhecedores da vida de todos os dias e dos problemas das freguesias e das pessoas que aí residem.
Veja-se o caso de Campanhã. O PSD, tem como candidato à Junta, um homem como João Pinto. Sim, o jogador de futebol, não tenho dúvidas de que até sabe dar uns chutos na bola, mas isso não chega. Ele nasceu em S. Vitor, morou no Bairro do Falcão onde só lá põe os pés há anos, para visitar alguma família que ainda lá tem.
Há pouco tempo atrás, apareceu lá, no Falcão, com Menezes. Mandou assar um porco, levou uns amigos para cantarem e lá nasce um candidato. Um fulano que está a contas com a justiça condenado por fraude fiscal a um ano e meio de prisão, suspensos por quatro anos, se pagar 600.000 mil euros de indeminização ao estado. Vejam bem a lata desta gente e ao que isto chega.

Voto no Porto e em Campanhã. No dia das eleições deslocar-me-ei de fora para ir votar e tentar impedir que esta gente chegue ao Poder.
Não me é possível nesta altura, pensar para presidente da Junta noutro homem que não seja Ernesto Santos, candidato do PS à Junta de Campanhã, não porque ele é do PS, isso é secundário, mas apraz-me que seja um socialista. Ernesto Santos, foi vice-presidente de Fernando Amaral, um grande presidente de Junta durante os últimos doze anos.
A sua relação com a Junta vem já muito de trás. Sempre foi um homem dedicado à freguesia e um profundo conhecedor da mesma. Tem a vantagem da sua experiência como administrar a Junta pois já ocupou quase todos os lugares da mesma ao longo do tempo. Ernesto Santos, é uma figura conhecida e respeitada pelos cidadãos de Campanhã. Os que o conhecem sabem o coração que tem, e uma coisa é certa, para se governar o Porto e Campanhã, é preciso ter um grande coração.
Não estando sujeito a partidos, pois não sou militante de nenhum, é a altura em que deixo no entanto de ser independente. Revejo-me no programa e nas opções de dois homens para cumprirem um novo projeto para a minha Cidade e para a minha Freguesia.
Manuel Pizarro e Ernesto Santos terão o meu apoio.
Estarei no entanto vigilante, para que no caso de conseguirem os seus objetivos e forem eleitos, de chamar sempre à atenção para o cumprimento das metas a que se propuseram.
Fotos: L.G. e pesquisa Google
(*)Nota da Direção Editorial: Na verdade, a próxima edição (oficial) do nosso jornal só sairá no dia 01-out-13, mas, informa-se, que no dia 29-set-13 (na noite das eleições) será editada um “especial”, abordando, no imediato, os resultados das eleições.
24ago13/01set13



Caro amigo
Este artigo é da autoria de Lúcio Garcia. A “César o que é de César!.
Abraços
Parabéns Amigo Zé pelo excelente texto que eu gosto bastante, é uma excelente obra de análise política que eu estou de acordo e reconheço toda a veracidade de fatos aos quais fazer referência no teu texto. Mais uma vez parabéns. Forte abraço Amigo,
Mário de Sousa – Bonfim, Porto.