O Museu do Carro Elétrico do Porto encontra-se encerrado para “obras” desde o passado mês de dezembro, sem que ainda ninguém saiba para quando está agendada a sua reabertura ao público. Numa altura de grande fluxo turístico na cidade Invicta, muitos são aqueles que ficam admirados, ou até atónitos, com o encerramento do edifício. Os trabalhadores da Sociedade de Transportes Coletivos do Porto (STCP) – proprietária do imóvel – já se manifestaram contra o fechar de portas do museu, alegando, a empresa, por seu turno, que o mesmo se encontra em obras por “motivos de segurança”, tudo devido a “problemas na estrutura do telhado”. A verdade, porém, é que não há sinais de qualquer ação de requalificação do imóvel e que, entretanto, bateram com o nariz na porta cerca de 60 mil potenciais visitantes …
Poucos são aqueles que sabem – e os que sabem não abrem a boca – o que está a acontecer ao Museu do Carro Elétrico do Porto, situado na Alameda Basílio Teles, na ribeirinha freguesia de Massarelos. Encerrado para “obras”, desde meados do ano passado, o edifício – pelo que se sabe oficialmente -, está, ou vai, sofrer obras de melhoramentos. Só que os sinais de qualquer tipo de intervenção são, pelo menos à vista desarmada, invisíveis, e “comete-se um atentado contra o património da cidade” e um “crime público”, como frisou Rui Cunha, da Comissão de Trabalhadores (CT) da STCP.
Projeto de 8,6 milhões de euros
A verdade verdadinha é que o Museu iria, mais tarde ou mais cedo, sofrer obras, e, tanto assim é, que o arquiteto Thomas Kröger venceu, em junho de 2010, o concurso de ideias promovido pela STCP para a requalificação do edifício, projeto orçado em cerca de 8,6 milhões de euros, contando o mesmo com o apoio do Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN).
Em declaração ao “Porto 24”, Cristina Pimenta, responsável pelo Museu, garantiu que o “espaço não está ao abandono”, enfatizando de seguida um facto previsível: “no contexto atual, que não é favorável, e numa empresa do setor empresarial do Estado é natural existirem dificuldades financeiras”. Pergunta-se: Então, para onde foram os dinheiros do QREN?! Tentamos perguntar, mas não obtivemos resposta.
Ainda segundo Cristina Pimenta “existem alguns atrasos no arranque da empreitada” e que – possivelmente a razão de tais atrasos –“algumas verbas foram canceladas”, salientando, contudo, que “a obra não está posta em causa”.
Não está posta em causa, mas as portas do Museu estão encerradas. Será que o perigo de derrocada era assim tão iminente? Queríamos perguntar, mas ninguém respondeu.
Sessenta mil pessoas terão já batido com o nariz na porta
Vamos a contas. Ora, se cada visitante adulto desembolsava €4,00 para visitar o Museu (nada barato, diga-se de passagem), e as crianças dos quatro aos 12 anos €2,50 – com direito (vá lá!) a uma viagem de carro elétrico – e a média de visitantes – segundo o CT da STCP – era de 60 mil pessoas, quanto dinheiro a empresa não desperdiçou durante este tempo em que as portas do Museu estiveram (estão e estarão) encerradas a sete chaves?
Recorde-se que o Museu do Carro Elétrico do Porto foi inaugurado a 18 de maio de 1992 com o objetivo – lê-se no site oficial – de “preservar e divulgar uma vasta coleção de veículos, atrelados, de mercadorias ou de passageiros de inegável valor patrimonial”.
O acervo está agora escondido, e escondido da cidade que, na Península Ibérica, foi pioneira neste tipo de transportes e hoje tem em circulação poucas linhas, ao contrário do que acontece, por exemplo, em Lisboa.
Como disse alguém a viver há muitos anos em Massarelos, perto do Museu, “o Porto é perito em dar cabo do seu património: veja-se o que fizeram ao Palácio de Cristal; veja-se, em termos de transportes, o que fizeram aos troleicarros e agora aos elétricos! Por aqui, de quando em vez, aparecem uns iluminados só para darem cabo disto… e isto é a nossa cidade”.
Texto: J.G.
Fotos: António Amen

