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Feira do Livro nos Jardins do Palácio, pois claro!

José Castro (*) / Tribuna Livre 

A recente realização da Feira do Livro nos jardins do Palácio de Cristal foi um acontecimento de grande relevo político e cultural na cidade do Porto. Não apenas por resultar duma iniciativa municipal, mas porque valorizou o património ambiental e paisagístico da cidade, no caso os jardins do Palácio de Cristal.

E tal aspeto é de salientar já que aquele espaço escapou, por um triz, a um projeto do anterior Executivo (em que o município desbaratou 1 milhão de euros) e que, em violação do PDM, previa a construção dum edifício de 3.500 m2 para um designado centro de congressos nos jardins do Palácio de Cristal, na área contígua do pavilhão Rosa Mota.

Apesar de não ter sido concretizado, por impedimento político do PS, PSD e CDS/PP, o referendo local sobre a referida construção, requerido por mais de 10.000 cidadãos e que respeitava todos os requisitos legais, a decisão do atual governo de extinguir a Parque Expo, SA e privatizar a Atlântico – Pavilhões Multiusos de Lisboa, S.A, empresas promotoras daquela construção, acabou por ajudar, indiretamente, a salvar os jardins do Palácio de Cristal da agressão programada.

Jardins do Palácio de Cristal (Porto)
Jardins do Palácio de Cristal (Porto)

Recentemente considerados pela organização de viagens “European Best Destinations” como o 9º melhor entre 15 destinos verdes na Europa, os jardins do Palácio de Cristal têm também um importante valor histórico. Desenhados nos anos 60 do século XIX pelo arquiteto paisagista alemão Émile David (1839-1873), é um dos poucos jardins que ainda restam de sua autoria. Um outro jardim do mesmo paisagista, o da Cordoaria, foi destruído em 2001.

Lembremos que os jardins do Palácio de Cristal foram adquiridos pela Câmara Municipal do Porto, em 9 de Fevereiro de 1934, por cerca de dois mil contos, para “logradouro da cidade” e outros fins “desinteressados”. Com o projeto da Câmara dirigida por Rui Rio nem uma nem outra dessas finalidades seriam respeitadas. Mais, a construção do tal centro de congressos e respetivo modelo financeiro, seria ruinoso para as finanças públicas. As empresas promotoras apenas entrariam com 1,5 milhões € em espécie (mobiliário e material), E para além dum financiamento comunitário de mais de 5 milhões €, seria a população da cidade a pagar à banca, durante 25 anos, os juros e amortizações do empréstimo de 10 milhões € a contrair pela Câmara.

Por tudo isto, ainda bem que em 2011 homens e mulheres desta cidade do Porto tiveram a coragem de pôr em marcha um referendo local contra a destruição dos jardins do Palácio de Cristal. Hoje, toda a região do Porto pode continuar a usufruir daquele importante património paisagístico, ambiental e cultural da cidade  

 

(*) Membro da Assembleia Municipal do Porto, eleito pelo BE

 

 Foto: Pesquisa Google

01-nov/dez14

 

 

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