A morte de um homem na casa dos 80 anos que no passado dia 13 de outubro ocorreu na Estação da CP em Ovar, em que este, proprietário de um estabelecimento comercial local, foi colhido por um comboio Alfa Pendular que circulava no sentido Norte-Sul, veio trazer à memória não só vários outros acidentes mortais que ali se têm registado nos últimos anos, mas, sobretudo, a constatada falta de segurança com que os utentes deste transporte público se deparam diariamente no atravessamento e acesso às plataformas sem condições para o movimento de passageiros e de comboios que ali passam sem parar ou ali chegam e partem na direção do Porto ou Aveiro, ou ainda Lisboa ou Braga.

Tal inquietante cenário foi abordado na sessão da Assembleia Municipal do dia 5 de dezembro, considerado pelo Bloco de Esquerda como, “uma realidade que exige ser assumida desde logo pela REFER, mas também pela Câmara Municipal de Ovar na defesa de melhores condições de segurança para os munícipes utentes do comboio. O risco espreita perigosamente as pessoas em vários momentos do dia, sempre que os horários de diferentes comboios os fazem cruzarem nesta Estação, criando situações de pouca visibilidade e constante risco de poderem haver passageiros colhidos por comboios em alta velocidade. Situação que exige ser assumida como responsabilidade da REFER, para que sejam adotadas todas as medidas de segurança que objetivamente há muito não existem por meras lógicas economicistas”.

Na mesma intervenção municipal, foi ainda afirmado que, “tal cenário de insegurança no atravessamento das linhas do caminho-de-ferro, para além do cenário terceiro mundista que representa o estaleiro de materiais da CP no terreno das antigas oficinas, não é certamente alterado, não só com a merecida intervenção na preservação e recuperação do património que representam os característicos painéis de azulejo, nem tão pouco com mais um lavar de cara do edifício da Estação tal como está acontecer na Estação de Esmoriz ou nos apeadeiros”. Uma referência às obras que decorreram nos edifícios das Estações da CP como a de Ovar que passaram pela remoção do pavimento por um outro, eventualmente mais claro, e umas pinturas nas paredes interiores e exteriores.


Para o Bloco, “tais obras no património do edifício dos caminhos-de-ferro em Ovar não podem justificar deixar tudo na mesma, no que toca ao acesso dos passageiros às plataformas sem a devida segurança, ainda que também justificada com o protelar da, há muito adiada modernização da nova Estação da CP em Ovar pela REFER. Um investimento público necessário que os autarcas de Ovar continuam a não conseguir sensibilizar os governantes para contrariar o estado de abandono a que as estações da CP de Ovar e Esmoriz continuam votadas”.
Mas ao desafio respondeu o presidente da Câmara Municipal de Ovar, Salvador Malheiro, com a afirmação de que o seu executivo tudo fará para que o atual cenário, nomeadamente da Estação da CP em Ovar se altere durante o ano de 2015, referindo-se essencialmente ao cenário deprimente que representa o amontoado de sucatas e depósitos de materiais de reconversão da linha do norte, que há vários anos estão localizados no terreno das antigas oficinas da CP ali mesmo em frente à Estação e às plataformas onde chegam e partem comboios e passageiros, tanto os residentes na cidade de Ovar que diariamente convivem com tal imagem de abandono, como quem visita a cidade de Ovar e encontra um significativo postal ao vivo pouco ilustrado.
REFER tenta minimizar impacto deprimente
Como o nosso jornal apurou e confirmou, a área envolvente da Estação da CP de Ovar que já aqui demos nota, terminou o ano de 2014 com uma intervenção da REFER a fim de minimizar o cenário deprimente a que tem estado sujeita. A solução passou por uma divisória em placas metálicas brancas que separam a zona das plataformas e circulação ferroviária, da área de terreno em que continuam depositados os vários tipos de materiais ferroviários.
A intervenção da REFER surge assim dois anos depois da sua própria resposta (28/01/2013) à recomendação apresentada pelo grupo municipal do Bloco de Esquerda em que através da Direção de Comunicação e Relações Internacionais da REFER se afirmava, “…que os serviços técnicos da REFER encontram-se a desenvolver uma solução que permita minimizar os impactos provocados pelo depósito de materiais ferroviários no local referenciado, e consequente reorganização do espaço.”
Texto e Fotos: José Lopes (*)
(*) Correspondente em Ovar do “Etc e Tal Jornal”
15-jan-15

