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A “Dignidade” e os “raios” que a partem

José Gonçalves

(Diretor)

“A Troika pecou contra a dignidade dos portugueses”, assim como dos povos da Grécia e da Irlanda, disse o atual presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, que, por acaso, também foi o responsável máximo pelo Eurogrupo. Estas palavras caíram como uma bomba no seio do germanófilo e “bem comportado” Governo ultraneoliberal chefiado por Pedro Passos Coelho, assim como nos partidos que o apoiam (PSD e CDS).

É verdade que estas surpreendentes declarações deixaram atónitos aqueles que, mais” troikistas” que a “Troika”, defenderam, como ainda defendem, a austeridade em Portugal, e, mais ainda, porque o luxemburguês faz parte da sua família política europeia, e disse a coisa como não tivesse um passado comprometedor na forma como a política da austeridade foi desenvolvida e incrementada pelo trio de instituições que deram cabo da vida a milhões de pessoas.

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Passos Coelho não gostou das declarações de Juncker, referindo, enfatizando, que os portugueses, no período em que a Troika por cá passou, viveram com dignidade. Ou seja, para ele, foi, como ainda é, digno viver desempregado, no limiar da pobreza ou já nela, com fome, com reformas que não chegam para os medicamentos, sem água ou luz em casa, com rendimentos sociais de inserção, sem-abrigo, como acontece com milhares e milhares de portugueses.

Coelho, como a Alice, continua a viver num país das maravilhas, ignorando as carências de uma sociedade, onde os ricos são cada vez mais ricos e os pobres mais pobres. É uma frase feita, sim senhor, mas é “tão feita” como se torna cada vez mais real. Não é por acaso que, uma vez mais, a Comissão Europeia, faz agora “vigilância apertada” à governação portuguesa.

O senhor Passos, que fará, como disse em entrevista ao “Expresso”, todos os possíveis para conquistar a maioria absoluta nas próximas “Legislativas”, vive num mundo diferente, continua a pensar que todos vivemos encantados no “Portugal dos Pequenitos”. O senhor Passos perdeu-se no tempo, infantilizou-se com muitos “contos de fada” e historinhas de Merkel que lhe impingem todas as noites antes do incomodativo ressonar e, às vezes, de disfarçáveis pesadelos “Syrizados” e não traduzidos do grego para o português.

O senhor Coelho diz que Portugal está melhor; que ele e Paulo Portas, deram a volta à crise, ainda que a crise se mantenha e seja preciso continuar com as medidas de austeridade para Merkel ver e os alemães encherem os bolsos de dinheiro. O senhor Coelho quer continuar a dar Passos maior que a perna; não tem medo de espalhar-se e, com o tombo, obrigar a estender ao comprido milhares e milhares de pessoas, as quais, infelizmente, ainda não encontraram um “furão” à altura para o retirar da “toca” e, então sim, forçar o Pedro, que também é Coelho, a ver o país real.

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O senhor Coelho, ou o senhor Passos, não sabe o que é dignidade. Por certo, nunca visitou uma “Porta Aberta da AMI, uma sede da “Cáritas”, ou até mesmo uma cantina escolar. O senhor Passos, que também é Coelho, é um daqueles bons alunos que, lá para o verão, ficará virado para o quadro da sala de aulas da professora Merkel, com “orelhas de burro”… de castigo por castigar os portugueses. Nessa altura não faltará quem se ria de tal digna situação: a maior parte deles pertencentes à sua sala, a “social-democrata”.

Meus amigos, e minhas amigas. Não fosse, neste país, as autarquias (Câmaras Municipais e Juntas de Freguesia) a fazerem tudo o que podem pelos cidadãos, e isto não tinha ponta por onde quem lhe pudesse pegar. São as autarquias, é o Poder Local que, com constantes ginásticas financeiras e golpes de rins políticos, vai minorando os problemas de milhares de famílias. O poder centralista ou centralizado do governo ultraneoliberal desconhece, ou faz que não conhece, esta realidade, ignorando, assim – e também! -todo o trabalho que autarcas do PSD – verdadeiros social-democratas – vão desenvolvendo nas suas terras e com as suas gentes.

Não fossem esses “heróis” e, há muito, que estaríamos no fundo mais fundo do poço. “Dignidade” é palavra que não faz parte do Dicionário Humano e Político de um senhor que é Coelho, que precisa da companhia de um furão, talvez de um “furão” Barroso, ou coisa parecida para, e sem a moleta de Cavaco, desaparecer para sempre da cena política em Portugal. No PSD há gente ansiosa por esse momento.

Haja dignidade!

Fotos: Pesquisa Google

01mar15

 

 

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2 Comments

  1. Celeste Reis

    Excelente artigo.
    Excelente jornal.

    Parabéns para ti (Zé Gonçalves) e para toda a tua equipa.

    Temos JORNAL!

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