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Abril não aconteceu

José Luís Montero

Portugal não está banhado pelo Atlântico; não está. Este mar desconhece as ondas; é uma banheira. Portugal está banhado pelo Mediterrâneo. A notícia é nova, mas, o saber é velho. A prova, depois de largos anos de investigação profunda, está no caso do Passos Coelho relacionado com os seus pagamentos. Protestou-se; viram-se ondinhas, tal como no Mediterrâneo, mas, a onda assoladora e devastadora que conhecemos do Oceano Atlântico não apareceu e não apareceu porque Portugal não é Atlântico.

O vigor e o furor não bateram na areia; não devastou a praia. Passos Coelho não foi obrigado a pegar na prancha de surfar e tentar apanhar a onda; molhou, somente, os pés; secou suavemente os pés e saiu da praia seco e sem a incómoda areia pegada nos pés.

Abril de 74 também não foi Abril; foi uma ilusão ótica que projetou o País para o 25 de Novembro onde apareceram os salvadores dos salvadores. Sem o 25 Novembro a troica nunca entraria em Portugal porque o 25 de Novembro abriu Portugal ao mundo. Abriu as portas para o abismo. Há fome em Portugal. Estando na festa de aniversário do Jornal Etc e Tal, a certa altura, quando as espinhas se diluem, falou alguém relacionado com a Junta de Freguesia de Campanhã. Disse algumas coisas sobre a vida da Junta e de repente, solta que o atendimento alimentar alcançava trezentas pessoas.

Todos, ao passar por aqui ou além, observamos que existem camionetas de atendimento onde observamos a presença de uma bicha de cidadãos com uma sopa ou à espera de uma sopa. Mas, normalmente desconhecemos o número. Passamos normalmente com pressa. Vamos ao bar ou ver o jogo do nosso clube e aquela bicha passa por ser mais uma bicha pela qual passamos aceleradamente. Quando ouvimos o número a retumbar nas orelhas a coisa muda; estás parado; sentado e ouves; observas a pessoa que o diz e soa diferente; estremeces. Calas, mas, estremeces. Maldizes para dentro. Praguejas caladamente. E dizes para as tuas entranhas: “ jamais verei um telejornal que esteja a dar notícias do Passos Coelho. Desligarei a televisão.”

Os políticos presentes nos governos e desgovernos deste País e doutros Países em crise são entes insensíveis além de muitas outras coisas que andam nas bocas de todos. Geraram fome! Muitos deles, além de insensíveis e desumanos, são insensivelmente burros; asnais; carentes de uma migalha de inteligência. Como recordamos e temos bem presente na memória, vários dos máximos representantes do País “recordaram que o seu ordenado ou a sua reforma mal lhes dava para viver…” Carecem de vergonha; carecem de vergonha infinita e são o que não se pode dizer porque não está escrito ainda que o pensemos e desejemos quando praguejamos.

Abril não floresceu para criar filas de pobreza extrema; nasceu para florir e para sonhar convivências novas; vidas novas e esperançadas. Portanto, Abril não existiu; não aconteceu. O sorriso era a flor mais instalada nos rostos e nas almas; sonhava-se um mundo; não se sonhou uma bicha de pessoas à espera da caridade ou assistência para poder comer uma sopa quente. Foi libertação e nunca mendicidade provocada pelas altas instâncias financeiras e políticas.

cravo murcho

Quem nos roubou Abril?! Esse ladrão; esses ladrões merecem sentar-se no banco dos réus de todos os tribunais presentes e futuros. Não podem andar na rua; nem pelas ruelas e menos ainda sair no Telejornal da Noite; Dia ou Madrugada. Devem ser espantados com espanto; devem ser respondidos com desprezo; devem ser banidos da nossa memória. Temos que esquecer os seus nomes e os seus feitos. Temos que lhe oferecer um poema invertido sobre lameiros sedentos. Abril foi Novembro e Novembro governa esta crise; governa a sua crise; a sua mesquinhada; o seu requeimado.

Os lamentos; queixumes ressoam desde os Hospitais; a necessidade salta desde os refeitórios escolares. As bichas da caridade e de assistência instalaram-se como paisagem. O País que deixou de ser Atlântico para ser Mediterrânico deixou ter alma de marinheiro para não ter alma, nem ser marinheiro. Dizem, quem não sabe ler ou desconhece a História do Movimento dos Trabalhadores, que os anarquistas são o desgoverno e o caos… Dizem…Não sabia que quem governa Portugal era “desse tipo de leitura dos anarquistas” porque onde há fome; há desgoverno; onde a Saúde Pública é um queixume; o caos está instalado. Mas, eles dizem-se sociais-democratas… São tão viçosos como as laranjas do Algarve; será que não serão nada disso e são “os tais do caos e desgoverno”? Estarão na clandestinidade? Não, não são nada, nem querem ser nada; são mesquinhos; asnalmente mesquinhos que por onde passam queimam a paisagem e os campos deixam de florescer. Mataram, cruelmente e à facada, Abril. Procura-se o Clã dos “Abrilicidas.”

Foto: Pesquisa Google

01abr15

 

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3 Comments

  1. Sofia de Castro

    José Luís Montero, que nunca tenha “cócegas” nem na língua, e muito menos nos dedos para escrever este tipo de artigos, pois são a realidade que grande maioria dos “Portugas”, inclusive aqueles que mais sofrem as agruras da miséria e se anestesiam em bebedeiras e futebol, em violência gratuita e lamaçal quem mais alimenta as sanguessugas deste pardieiro onde já nada funciona, basta tentar activar o Sistema enquanto cidadão, e eis a verdade, não funciona!
    25 de Abril de 74 foi uma fachada que se serviu de militares apenas isso…a partir daí foi sempre a descambar, e eis a derrocada!
    O povo quis a derrocada e tem a derrocada!
    Um povo que é como um cão que ladra mas faz-se uma festa no lombo, dá-se um osso para roer, e abana a cauda, é assim o povo português, completamente imbecil. Não me admira que estejamos assim, porque eu sou dos poucos cães que não ladra muito, eu mordo mesmo. Ossos não me convencem e muito menos festas no lombo.

    Portugal é um ninho de víboras entrelaças e tem um só destino – ser uma estância balnear turística da Europa e até do mundo.

  2. Lourdes dos Anjos

    PORTUGAL É UM NINHO DE MENTIRAS…mentem os polítiqueiros de serviço ao serviço dos interesses financeiros, mentem os vizinhos que querem parecer o que não são, mentem os jornais para vender notícias , mentem as gentes que fazem plásticas para esconder os anos vividos, mentem os “solidários” que escolhem para si e para os amigos as melhores coisas que recebem e dão os restinhos aos sem abrigo que sobram nas ruas, mentem todos os que dizem que são honestos e se vendem por uma taça de veneno de poder…mesmo que seja um poder minúsculo.PORTUGAL JÁ NÃO É PORTUGAL. É UMA ENORME MENTIRA. JÁ AGORA, ESTE COMENTÁRIO É MESMO UM COMENTÁRIO E É UMA VERDADE QUE SINTO.PARABÉNS JOSÉ LUÍS MONTERO

  3. Fernanda Lança

    são o que são porque em quarenta anos nunca se viu que os obrigássemos a dar contas das suas acções, nunca se viu que lhes mostrássemos que andam por cá para nos servirem e não para se servirem e ganharam tanto amor ao lugar, tanto saber acumulado que não sairão de lá tão cedo.Tornaram-se experientes na arte de bem furtar, aliás, já nem precisam de disfarçar nem bem furtar, o que mais lhes interessa é furtar bem , seja discretamente ou às escancaras. O povo parece gostar, vejam-se as sondagens

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