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Será que ainda acredita em mentirosos?

José Gonçalves

(Diretor)

Como não sou politólogo, nem comentador em canais televisivos a ganhar milhares, nem tão pouco “tarólogo político”, tipo Marques Mendes, ou qualquer coisa parecida, deixe que lhe faça, amigo ou amiga leitor(a), uma pergunta: Acredita em mentirosos?

Poder-me-á responder que “não”, ou um, veemente, “nunca!”, mas, tendo em conta certos estudos; certas sondagens, parece-me que, ao responder dessa forma, o(a) amigo(a) faz, ou vai fazendo, parte de uma minoria de pessoas com memória neste país à beira mar plantado, e muito mal “regado” há décadas a esta parte.

Ora, segundo as últimas sondagens, a coligação PSD-CDS encontra-se à frente, ou perto da liderança, nas intenções de voto dos portugueses, paras eleições legislativas, que serão realizadas em meados do próximo mês de setembro, ou princípios do de outubro. A da “Eurosondagem” (para o Expresso e para a SIC) dava ainda uma vantagem de dois pontos e tal de vantagem para os socialistas sobre a “neo AD”(36,9 por cento contra 33,3), mas já a da Universidade Católica (para o “JN” e “DN”) um “empate técnico”, mas com vantagem para a coligação de direita (38 para 37 – o “empate” verifica-se com a “margem de erro”).

Quer isto dizer, que os portugueses, à priori, querem mais do mesmo. É certo que eleitorado da coligação bicéfala (Passos Portas) é estanque. Os números demonstram que a soma do eleitorado dos dois partidos (PSD e CDS) é o resultado verificado nas sondagens, e que eles não captam novo eleitorado, mas também não o perdem.

Jogando com a questão de que os socialistas deixaram Portugal à beira da bancarrota (como se eles não tenham contribuído para isso); jogando ainda com números que relevam um decréscimo do desemprego (?!) e o aumento das exportações (?!) e outras coisas do género, que fazem deste Portugal um país, melhor em termos comparativos ao de há quatro anos atrás (e está um pouco, não fosse a intervenção, em muitos e importantes casos, do Tribunal Constitucional), a coligação ultraneoliberal vai conseguindo dos portugueses mais apoios para continuar a desenvolver a sua política de austeridade.

Dizem os portugueses: mais vale pouco e certo, do que muito e incerto! E, pronto! É um tipo “quanto mais me bates, mais gosto de ti”. É por isso, e por outras, que a violência familiar tem vindo a aumentar? Não. “Em casa que não há pão, todos ralham (batem, esfaqueiam…) e ninguém tem razão”. Pois!

Mas, voltemos à questão de se acredita, ou não em mentirosos?! Acredita, por exemplo, num primeiro-ministro que, no último debate quinzenal, na Assembleia da República, disse, descaradamente, que não cortou nas pensões, nas reformas, e em outras prestações sociais, por acaso, a dos mais pobres? Acredita? E não acredita que milhares beneficiários do Rendimento Social de Inserção – duzentos e tal mil – deixaram de receber esse “apoio” (178 euros que não dá para pagar um quarto alugado) e que todos eles, num todo, é um português em quatro, na pobreza; e que os que ainda recebem o RSI ficaram, há dois anos, a esta parte, sem vinte euros. Roubaram-lhes vinte euros?

E o apoio Solidário a Idosos, e as reformas e as pensões? O governo nada cortou? Só cortou aos ricos? Que ricos? Aos ricos uma carapuça! Cortes desses, e devido à crise imposta pelos ultraneoliberais, de nada se importam os ricos.

É fácil! Em vez de comerem duas lagostas por almoço, ficam a comer uma e meia. Os outros, entretanto, têm de recorrer à AMI, à Cáritas e a outras instituições de género para se… alimentarem. Para comerem, pelo menos, uma sopa. Isto é, ou não é verdade? É. Então se isto é verdade, por que é que ainda há gente que acredita em mentirosos?

Esperem aí, já me esquecia. É que, segundo alguém, que não sei, verdadeiramente quem, havia quem recebesse RSI conduzindo um “Mercedes”. Se calhar até houve. Um ou outro. E os outros? De Mercedes… sim, mas de autocarro! Será que o Estado desastrado não sabe “dividir águas”? Sabe, mas sempre em favor das suas “comportas”. É mentira?

Ah! E os 485 mil portugueses que se piraram do país, muitos dos quais que aqui se formaram e, ao desbarato, prestam serviços e relevam os seus conhecimentos em outros países? Passos pede que regressem, depois de os ter convidado a dar uma volta ao bilhar grande. Eles mandam-no à fava!

Ah! E os 10 mil milhões de euros que faltam ao PIB prometidos pelo atual governo?

Acredita em mentirosos? Se sim, então acredite, e logo, no primeiro deles todos, protagonista que foi do primeiro grande comício da coligação de direita, feita em Lamego, em Dia de Portugal: Cavaco Silva.

mentiroso - 01jul15

Pois! Mas, estamos melhor que a Grécia! Sobre a Grécia aconselho o amigo e a amiga leitor(a) a ler um artigo do nosso colaborador Pedro Ramajal, na rubrica “Tribuna Livre”, do nosso jornal.

Senhores(a)s cheguem, de uma vez por todas, ao país real. Não fosse o trabalho das autarquias e estávamos pior que Porto Rico! Mas isso, mesmo assim, não chega! Não sei se saiu de casa na manifestação contra a Troika e contra os cortes na TSU? Por certo que sim, porque à rua saíram milhões… e depois?

Depois é isto: os portugueses querem mais do mesmo; querem mais austeridade, querem viver mais tempo deixando milhares e milhares de pessoas sobrevivendo! É! São milhares e milhares os desempregados que sobrevivem neste país, muitos deles sem receberem um cêntimo que seja.

Entretanto, eles vão vendendo o país ao desbarato. É a TAP; são os transportes nas grandes cidades; até o vento já foi vendido, como a água e a luz. Nós (você e eu) já fomos vendidos! Que feira da Ladra!

Querem mais? É só ler jornais., Se não fossem os jornais não se sabia mais, e ao saber-se, saiba que país temos em termos de corrupção! Não sabe? Sabe, mas para muitos custa saber.

Uns estão presos sem se saber por que razão, outros andam aí à solta, submergindo na política das feiras como heróis da reconquista do Estado Soberano (eheheheh!).

Resumindo e (quase) concluindo – e tendo em conta a análise que fiz no terreno (faço-o todos os dias) -, acredito que uma parte considerável dos portugueses acredita em mentirosos, que é como quem diz: no tal que não ia aumentar impostos; no tal que se ia embora do governo, que não foi e agora fez um casamento – não religioso – preparando (nas entrecenas) um complicado divórcio e… e… etc e tal.

Por certo, outros discursos alternativos, outras propostas não lhes chegaram aos ouvidos, se calhar por não terem conteúdo. Estarem vazios de… conteúdo. Não sei! Pode ser. O que sei é que mais vazios estão os bolsos. Os bolsos da maioria dos lusos contribuintes. O país de Passos e Portas, o tal das maravilhas, não é o mesmo do de milhões de portugueses, muitos dos quais, infelizmente, continuam a acreditar em mentirosos.

Pensem nestas coisinhas, porque ainda há tempo para pensar, mas (atenção!) o tempo esgota-se, tal como se esgota a paciência de quem quer ver um país melhor, que olha para o lado, para a frente e para trás, e só vê precaridade, miséria, crianças pobres, velhos angustiados, tristes e sem o direito a um final de vida feliz e se revolta (não só no supermercado, no autocarro, na barbearia… no postigo da vizinha).

Isto é ou não é verdade? Não? É mentira! Então concordam comigo, isto partindo do princípio que acreditam em mentirosos.

Boas férias para quem a elas tem direito.

Continuação de férias a quem é obriga-las a “gozar” todos os dias do ano. Não é senhor(a) desempregado(a)?

Bom trabalho para os “sortudos” deste país…

Sejam felizes, e… acreditem que vale a pena acreditar em dias diferentes, e, de uma vez por todas, portem-se mal!

01jul15

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