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O choque tecnológico português dos séculos XV / XVI

Maximina Girão Ribeiro

De vez em quando, voltamos a ouvir falar do chamado “choque tecnológico” que ocorreu em Portugal, a partir do séc. XV eclodindo, em força, durante todo o séc. XVI.

Desta vez, este dado circula agora através de mail’s e da internet num documentário, realizado em 2013, sobre os feitos dos navegadores portugueses no século XVI e as novas e revolucionárias técnicas de construção naval. Claro que as boas obras e os bons feitos mantêm sempre a sua actualidade, mesmo passados muitos séculos!

– Será que podemos usar a expressão “choque tecnológico”? – dizia um jovem, no café, ao meu lado, com um certo ar de descrédito, quando visualizava o referido documentário, no You Tube. Não me apeteceu muito entrar em polémicas, naquele sítio e fiquei com esta questão “debaixo de olho”.

Pois penso que sim, que podemos usar essa expressão, embora com as devidas diferenças entre o passado e o presente. A justificação é que Portugal, com toda a sua dinâmica ligada à expansão territorial, à descoberta de novas terras e novos mundos, gerou um verdadeiro choque/confronto/encontro, no mundo de então.

peninsula iberica

Dos sonhos, construídos ao longo dos tempos, nasceu a esperança… e, da esperança, nasceu a vontade de concretizar, de fazer vencer.

Portugal foi, assim, a placa giratória para a difusão de conhecimentos aqui desenvolvidos ou “transformados”, a partir de conhecimentos herdados de povos que no território nacional, aqui permaneceram por muitos séculos, nomeadamente os Muçulmanos.

Na realidade, o imaginário das personagens que viveram nesses tempos de descobrimentos era feito de terras e de lugares desconhecidos e inalcançáveis, de gente estranha e exótica, tudo construído a partir de muita imaginação que nascia na mente de pessoas sem conhecimentos, nem vivências alargadas para lá do seu pequeno, tacanho e reduzido mundo.

Navegação astronómica
Navegação astronómica

As viagens marítimas dos portugueses foram pioneiras, entre os séculos XV e XVI e, este empreendimento dos Descobrimentos foi um feito gigantesco no contexto europeu da época e um factor de inovação, nos tempos que se viviam. A navegação astronómica e o aperfeiçoamento das técnicas de navegação e de construção naval, os instrumentos de navegação/orientação, o uso da caravela e das suas velas triangulares que faziam progredir melhor a embarcação contra o vento, a cartografia e toda uma outra série de conhecimentos que se foram pondo em prática, contribuíram para que o mundo se globalizasse progressivamente e, aquilo que era imaginação, fosse desmistificado pela concretização evidente daquilo que se observava “in loco”.

Nau
Nau
Caravela
Caravela

É neste quadro que se contextualiza o chamado “choque tecnológico” português dos séculos XV/XVI – pelo pioneirismo, pela inovação relativamente a outros povos europeus, pelo encontro/confronto de culturas entre povos tão díspares e tão distantes, pela modernização de um mundo fechado sobre si mesmo, pelos enormes progressos culturais e científicos que resultaram dos descobrimentos…

Por tudo isto, Portugal também produziu o tal “choque tecnológico”, no Mundo de então!

Atrevemo-nos a comparar esse “choque tecnológico” com a ida do homem à lua, com as tecnologias de informação e comunicação, com as viagens no espaço,…

Fotos: Pesquisa Google

Obs: Por vontade da autora e, de acordo com o ponto 5 do Estatuto Editorial do “Etc eTal jornal”, o texto inserto nesta rubrica foi escrito de acordo com a antiga ortografia portuguesa.

 

01dez15

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