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H.

Benigno de Sousa / Tribuna Livre

Uma das posições mais frequentemente nos iniciados do pensamento é defender que o Homem é naturalmente bom. Simplesmente pretendem que haja bons motivos para nos encararmos sob aura positiva.

Há a crença de que tarde ou nunca alguns reflitam problematização de serem. A atitude primordial e imediata do homem face à realidade não é de abstrato sujeito cognoscente de uma mente pensante que examina realidade especulativamente, mas Ser que age objetiva e praticamente; um indivíduo histórico que exerce a sua atividade prática no trato com a natureza e com os outros homens, tendo em vista a consecução dos próprios fins e interesses por determinado conjunto de relações sociais.

Trata-se aqui da reflexão como forma crítica de estar no mundo. Esta capacidade natural do homem se interrogar, é e sabe que é essência de si, da natureza. Não existe por um lado o sujeito, noutro lado o objeto; o objeto encontra a sua unidade nesse e por esse sujeito, e que por esse facto é um sujeito ativo, logo dotado da faculdade de sentir e de pensar, de se deixar penetrar pelos estímulos que lhe vêm de fora e de projetar exteriormente as visões, o conhecimento que elaborou no interior.

O ser humano contém em si um fervilhar de monstros que se libertam em todas as ocasiões. O ódio extravasa por um nada, um esquecimento, um toque no automóvel, uma distração dos outros, um olhar, um favor de que nos julgamos privados, a impressão de que a reputação de um confrade nos faz sombra, desencadeia-se ao mais pequeno incidente.

homem

O egoísmo, o desprezo, a indiferença agravam por toda a parte e sem tréguas a crueldade do mundo humano. As crueldades nas relações entre indivíduos, grupos, etnias, religiões, raças, foram e continuam a ser aterradoras. As antigas barbáries que se desencadearam desde os inícios da história humana desencadeiam-se de novo, agora aliadas à barbárie civilizada que a técnica e a burocracia, a especialização e a compartimentação aumentaram indiferença e cegueira; a dependência do dinheiro e pelo dinheiro e poder do dinheiro generalizam e ampliam avidez impiedosa.

Nas suas diferentes ações, o homem tende sempre para fins concretos, que se configuram como bens. Há fins e bens que teremos em vista de ulteriores fins e bens, e que, portanto, são fins e bens relativos; mas, visto que é impensável um processo que conduza de um fim a outro e de um bem a outro até ao infinito, devemos pensar que todos os fins e bens a que o homem aspira existem em função de um fim último e de um bem supremo, ou seja, a felicidade.

Mas o bem supremo do homem é realizável e praticável pelo homem e para o homem como algo multívoco: diferente nas diversas categorias e igualmente distinto nas diferentes realidades pertencentes a cada uma delas, embora sempre unido por uma relação. O bem do homem só consistirá na “obra” que lhe é peculiar, isto é, na obra que ele e só ele sabe levar a cabo, tal como, em geral, o bem de cada uma das coisas consiste na obra que é peculiar a tal coisa. A obra do olho é ver, a do ouvido é ouvir, etc. Qual é a obra do homem? Não pode ser o simples viver, porque o viver é próprio igualmente de todos os seres vegetais. Também não pode ser o sentir, pois, é comum a todos os animais. Só resta, pois, que a obra peculiar ao homem é a da razão e a atividade da alma segundo a razão. O verdadeiro bem do homem, consiste nesta “obra” ou “atividade” da razão, mais precisamente na explicação e na realização perfeita desta atividade. Tal é, pois, “a virtude do homem”.

o bem e o mal

Não é fácil traçar a linha limite segundo escolha livre do homem como faculdade da razão e da vontade pela qual se escolhe o bem ou o mal: mas a escolha do bem é só quando a graça assiste; o mal é escolhido por si? Mas será que quando escolhemos o bem ou o mal é por nossa vontade ou ela está determinada?

Em indeterminismo o agir é próprio da vontade, que resulta de quem a faz e, por isso, tanto o bem como o mal é produto humano, a vontade é ser.

Posso causar bem quando conheço. Exerço o bem como boa vontade. E causar o mal quando conhecido por imoral. A boa vontade é o ato que satisfaz tanto ao emissor como ao recetor. Em cada ato há moralidade e imoralidade, e cabe a quem se dirigi a ele defini-lo como bem ou mal.

Contudo, se acreditarmos em algo superior, então existe Deus que faz em cada ser a sua vontade, e, assim, o livre-arbítrio será da presciência ou nossa vontade?

A minha vontade é única do ser; a questão de saber quando se faz bem ou o mal é em cada situação quando facultamos a moral ou a imoral. Não posso dizer que não há um Ser superior a quem chamamos Deus, porque me sinto finito e a ideia de eternidade é a esperança humana.

Fotos: Pesquisa Google

01abr16

 

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