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Crescemos ou talvez não…

Carla Ribeiro

Crescer, mas o que é afinal crescer?

Ouvimos ao longo da nossa vida, tantas vezes alguém dizer-nos, “cresce e aparece”, mas que crescer é este, que nem sabemos o que quer dizer?

E ao longo da nossa infância crescemos a ouvir dizer-nos que temos que crescer.

E crescer torna-se até uma palavra paradoxal.

Mas, crescer, crescer para quê?

E, por que vamos nós crescer?

Para que necessitamos tanto crescer?

Tantas as vezes, que na minha infância me fazia esta pergunta, por não entender o verdadeiro significado desta expressão.

Nascemos do nada, e desse nada nos transformamos em vida.

Nascemos do pó, e voltaremos a sê-lo um dia.

Somos sementes que o lavrador lança à terra, para germinarmos, e que estamos em constante mutação.

Crescer… uma palavra que nos acompanha e persegue toda a vida.

Crescer, para simplesmente ficar mais alto, ou simplesmente crescer para atingirmos a maioridade, que tanto almejamos na nossa adolescência.

Queremos tanto crescer, para ter voz nesta selva diária a que se chama de sociedade.

Crescer, é um processo de amadurecimento, como se fossemos uma árvore que dá frutos.

Temos que criar bases, que são os ensinamentos que na infância nos passam ou castram, que marcam a nossa personalidade ou a falta dela, mas são as raízes da nossa árvore que demarcam a nossa base principal de crescimento.

Crescemos no Amor, ou na falta dele,

Crescemos na palavra, ou na falta dela,

Crescemos na verdade, ou na ausência da mesma,

Crescemos na mentira, ou num turbilhão de inverdades,

Crescemos na agressividade, ou aprendemos a defender-nos para não sermos engolidos,

Crescemos na luz, ou na sombra da mesma, por medo de a enfrentar.

Crescemos a cada dia, pelo que de sentir, cada dia nos trás.

Crescemos, crescemos, mas apenas crescemos se estamos disponíveis interiormente para fazer esse caminho, que implica tantas vezes o confronto com o nosso Eu interior.

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Tantas as vezes, que preferia não crescer, para não sentir dor…

O tempo passa e vamos deixando, encarcerado em nós pedaços de sentires do passado que trancamos dentro de nós, e nos fazem crescem, bem ou mal mas seguimos o nosso crescimento.

Mas chega um momento em que necessitamos resgatar a vida que fechamos e esmagamos dentro de nós.

Necessitamos resgatar sensações, caricias, movimentos, afetos, até perfumes, que a vida nos foi mostrando e sentindo.

Com o tempo, necessitamos de recuperar e resgatar e até mesmo de nos redescobrirmos, no ser e no sentir.

Isto, sim, faz parte do nosso crescimento.

Mas também para crescer, temos que estar abertos e disponíveis para nos enfrentarmos e confrontarmos, para nos resgatarmos e reencontrarmos.

Um dia eu perdi-me de mim mesma na dor e no sofrimento, mas lutei e lutei, e percebi o quanto era importante resgatar-me para me reencontrar comigo mesmo.

Sim eu precisava crescer, de me redescobrir e de me enfrentar e confrontar.

Libertar-me de medos, libertar-me de regras, até mesmo de tabus e convenções, para poder continuar a seguir e caminhar.

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Tantas foram as vezes, em que no silêncio da minha solidão, que me rasgava até às minhas mais profundas entranhas, eu me reencontrava, lutava e resgatava. E tantos foram os momentos em que nesta incessante luta de mim para mim eu fiz as pazes comigo mesma e com o mundo.

E em todos estes momentos, sem saber…

Eu cresci…

Sim, eu estou a crescer…

Sim, eu cresço…

Sim, eu caminho e vivo 

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A todos sem igual,

Obrigada

Até breve com novos “sentir”, novos “amar”…

Fotos: Pesquisa Google

01out16

 

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27 Comments

  1. Carla Ribeiro

    Recolhido do Fabook:
    “Cidália Pinto Crescemos, marés gigantes, marés polegarzinhos destemidos. Mas crescemos e sempre pequeninos.
    Beijinhos ????????”

  2. Carla Ribeiro

    Recolhido do Facebook:
    “Abigail Moreira Lindo texto. Bastante expressivo. Parabéns Carla Ribeiro. Beijinhos”

  3. Carla Ribeiro

    Recolhido do Facebook
    “Carla Barros Que o teu crescimento não tenha fim … Confia em ti e na tua experiência … respira fundo e sente… a abundância da vida a percorrer o teu corpo de cura e perdão… de amor e renovação. Namastê Carla Ribeiro”

  4. Carla Ribeiro

    Recolhiodo do Facebook
    “António Pinto de Oliveira Amiga Carla, gostei. Entendo que crescemos sempre, mesmo qdo.não temos.essa percepção…..mas estamos condenados a tudo, uma vez nascidos; todos crescemos sim e no.sentido.positivo do desenvolvimento, do verdadeiro crescimento, pois a meninice / juventude / adolescência passa. Até a senilidade cresce e avança no sentido do glorioso fim ….. Nada se detém, e pouco se retém. Neuropsicologicamente e neuropsiquiatricamente a mesma coisa. Mal de quem.não.se.apercebe.disto, e não integra esta verdade. Mas ela assume-se mesmo naturalmente, ou subconscientemente, estamos todos condenados a isso. A crescer, sim; minha amiga a interrogação “ou talvez não? “, provavelmente eu não a entendi. Se eu acato a vida como entendo, então não a colocaria. Pois nós os vivos crescemos sempre, e ainda bem.que assim é, embora cada um ‘a sua maneira ( como diz a canção ” I did it on my way”). E esta é a forma ( ou formato?) inteligente de se viver !!!

    Parabéns por esta oportunidade de nos fazer pensar nisto! Coisa séria….

    António Luiz”

  5. Carla Ribeiro

    “Cidália Pinto Crescemos, marés gigantes, marés polegarzinhos destemidos. Mas crescemos e sempre pequeninos.
    Beijinhos ????????”
    Comentario recolhido do Facebook

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