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ANÁLISE: Número de candidaturas independentes está a crescer e a conquista de câmaras também…

O número de candidaturas de grupos de cidadãos independentes tem vindo a aumentar significativamente, isto desde 2001, altura em que a Lei permitiu a apresentação de listas a municípios, pois em 1997, os “independentes” só podiam concorrer às freguesias.

Atualmente, e face aos resultados verificados nas “Autárquicas” de 2013, e no que concerne a presidências de câmaras municipais, pode dizer-se que, no global, os “independentes” são já a quarta força mais votada nas referidas eleições (6,9 por cento dos votos), atrás de PS, PSD e CDU.

Para as eleições a realizar este ano, ainda não se sabe ao certo, quantos grupos de cidadãos independentes se candidatarão aos municípios, sendo, para já certa uma lista: a liderada por Rui Moreira, ao Porto, que venceu as últimas eleições, e que conta já com o apoio do CDS (tal como aconteceu em 2013) e também do PS.

Câmara Municipal de Santarém
Câmara Municipal de Santarém

Santarém lidera a lista

Para ter uma ideia do crescente número de candidaturas “independentes”, saiba que, em 2009, registaram-se, a nível nacional, 59 listas, para, quatro anos depois, o número passar para 80.

Nessa altura (2013), o distrito com maior número de candidaturas independentes foi o de Santarém (11), seguido do Porto, com nove e de Évora e Braga, ambos com sete.

Faro apresentou seis listas de independentes, número igual ao registado em Lisboa. Aveiro e Leiria registaram cinco listas, e Setúbal, assim como Castelo Branco, quatro. O único distrito que, em 2013, não apresentou qualquer candidatura de independentes foi o de Viseu.

Rui Moreira
Rui Moreira

Treze câmaras para “independentes”

Se o número de listas de independentes tem vindo a aumentar desde 2001, a verdade é que também o número de vitórias eleitorais tem acompanhado esse crescimento.

Em 2001 registaram-se somente três vitórias de independentes em municípios, para, em 2009, o número saltar para sete (o mesmo que em 2011), e, nas passadas eleições (2013) subir para 13.

Dessas 13 conquistas de municípios por parte de listas independentes, o destaque foi, sem dúvida, para a vitória conquistada por Rui Moreira, e logo na segunda mais importante autarquia do País. Como atrás se referiu, este movimento vai manter-se e com ele o apoio de partidos como o PS e o CDS, facto que, à priori, lhe assegura a vitória na autarquia, não se sabendo ainda quais os candidatos à presidência da Câmara do Porto das restantes forças partidárias.

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Passos “ignora” Autárquicas e cria mal-estar no partido

Mas, será que este ano, o número de candidaturas de grupos de cidadãos e cidadãs independentes vai aumentar?

Se se verificar o “boom” de 2011 para 2013 (+21 listas), poderemos vir a registar 101 candidaturas, ainda que o panorama político atual nada tenha a ver com o de há quatro anos. Independentemente desse facto, a verdade é que começam a registar-se algum mal-estar interno em certos partidos, com destaque para o PSD, uma vez que, teimosamente, o líder, Pedro Passos Coelho, teima em não abordar a questão das “Autárquicas”.

Essa posição tem criado algum nervosismo não só nos atuais presidentes de câmara social-democratas que ainda podem recandidatar-se ao cargo, mas também nos outros que esperam o apoio do partido para entrarem na corrida.

Não será, assim, de admirar que alguns dos descontentes com a posição de Passos Coelho em relação às eleições autárquicas, e até com o seu papel como líder do partido, possam formar listas de independentes.

No passado mês de dezembro, por exemplo, Coelho centrou, exclusivamente, os seus discursos nas questões relacionadas com a Caixa Geral de Depósitos, e, mesmo em deslocações ao terreno, isto já para não falarmos no Conselho Nacional, de seis de dezembro, fugiu do tema “Autárquicas” como o diabo da cruz.

“É inacreditável! Como é que se faz um Conselho Nacional nesta altura e o presidente do partido não tem nada para dizer sobre autárquicas? Para ele é só números, só números. Ninguém percebe!”, desabafou um presidente de uma distrital do PSD, ao semanário “Expresso”.

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Os problemas internos no PSD, quanto às Autárquicas, são cada vez mais visíveis, principalmente no que concerne à nomeação de candidatos às principais câmaras do País (Lisboa e Porto). A aposta, para a capital, em Pedro Santana Lopes, saiu furada (o homem prefere continuar à frente da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa), e para a Invicta, não há sequer uma “luzinha” ao fundo do túnel, tendo Paulo Rangel (eurodeputado e potencial candidato à liderança do PSD) afastado de todo essa hipótese.

Será assim de estranhar alguns social-democratas candidataram-se a esta ou aquela câmara como independentes? Pelo andar da carruagem: Não!

Texto: JG

Fotos: Pesquisa Google

Fontes: Expresso e DN

01jan17

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