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REVOLUÇÃO NA ZONA ORIENTAL DO PORTO

Para uns “já não era sem tempo”; para outros “mais vale tarde que nunca”, a verdade é que a Câmara Municipal do Porto prepara-se para “revolucionar” a zona Oriental do Porto (freguesias do Bonfim e de Campanhã) satisfazendo necessidades e anseios de cerca 55 mil habitantes.

Texto: José Gonçalves

Fotos: Pedro N Silva (*)

A zona Oriental do Porto vai ter, definitivamente, direito à sua reabilitação urbana, depois de décadas e décadas ao abandono e, consequentemente, a degradar-se de dia para dia.

Fazendo parte do mapa ca cidade, por obrigações referenciais meramente político-geográficas, as freguesias de Campanhã e do Bonfim foram, permanentemente, esquecidas das mais importantes ações estruturalmente implementadas no Porto.

A degradação infraestrutural, social, económica, ambiental e cultural daquela vasta área da cidade parece ter chegado ao fim, com a apresentação, pela Câmara Municipal do Porto (CMP), da “Operação de Reabilitação Urbana de Campanhã-Estação” (ORU/C-E), a qual terá um investimento global de cerca de 75 milhões de euros (pode chegar aos 90), num prazo de dez anos.

A ORU/C-E foi apresentada no passado dia 14 de dezembro, no Espaço Mira, com a presença, entre outras individualidades, do presidente da CMP, Rui Moreira. Estava, oficialmente, dado o primeiro de muitos passos para a coesão territorial e social da cidade e logo na zona mais carenciada da mesma.

Objetivos fundamentais

Para a CMP, “o conceito de Reabilitação Urbana deve ser amplo o suficiente para não se limitar às operações no centro histórico, ou áreas centrais da cidade, mas ser alargado às áreas consolidadas em que se verifique a necessidade de requalificação e revitalização, ou onde subsistam carências ao nível das infraestruturas, da qualificação do ambiente urbano, ou de índole social. Com a delimitação da Área de Reabilitação Urbana (ARU) de Campanhã-Estação, e com as futuras ARU da Corujeira-Cerco do Porto, de Lordelo do Ouro, e da Foz Velha (as duas últimas na zona ocidental da urbe), o município do Porto contará com 11 ARU, ficando mais de 25 por cento da sua superfície em ARU”, lê-se em comunicado distribuído à Imprensa.

“Estratégia exemplar”

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Ilhas (Freixo)
Ilhas (Freixo)
Lavadouro
Lavadouro
Ilha (Bairro do Nicolau)
Ilha (Bairro do Nicolau)

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Ainda de acordo com a autarquia portuense, “a ARU de Campanhã-Estação é estratégica e exemplar. Sendo a primeira delimitada fora do centro tradicional da cidade, o seu território concentra uma série de problemas e ameaças, mas também de potencialidades e oportunidades”. Assim, a ORU/C-E “pretende, precisamente, aproveitar o potencial único deste território, relacionado com a proximidade e complementaridade, relativamente ao centro da cidade, a existência de importantes infraestruturas de mobilidade, uma frente de rio de elevado potencial, valores ambientais e patrimoniais de importância significativa e uma disponibilidade de terreno já rara no território do município”.

Liceu Alexandre Herculano (Bonfim)
Liceu Alexandre Herculano (Bonfim)
Biblioteca Municipal do Porto (Bonfim)
Biblioteca Municipal do Porto (Bonfim)
Quinta de Bonjóia (Campanhã)
Quinta de Bonjóia (Campanhã)
Praça da Corujeira (Campanhã)
Praça da Corujeira (Campanhã)
Igreja do Bonfim
Igreja do Bonfim
Escola Superior de Belas-Artes (Bonfim)
Escola Superior de Belas-Artes (Bonfim)
Estádio do Dragão (Campanhã)
Estádio do Dragão (Campanhã)

A ORU/C-E propõe ainda “um programa de ação que vincula o município a um esforço de investimento muito expressivo. Os seus principais objetivos dizem respeito ao incremento da competitividade económica, à qualificação do seu tecido social, à melhoria das condições habitacionais e de bem-estar, e à renovação da imagem da zona oriental da cidade”.

Zona da Lomba será uma dos principais alvos de intervenção

Bairro da Lomba
Bairro da Lomba
Rua da Lomba
Rua da Lomba

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No fundo, a ORU/C-E é constituída por dez projetos, destacando-se, ainda segundo a CMP, “a construção e consolidação de duas fortes áreas empresariais; a construção da Interface Rodoviária de Campanhã, atualmente em curso; e a resolução dos graves problemas habitacionais e de salubridade pública, designadamente na zona da Lomba, para onde se prevê o primeiro projeto integrado de reabilitação do edificado, e nas zonas da Formiga, Agra e China.”

INVESTIMENTOS E PROJETOS ESTRUTURANTES

Zona Oriental (Bonfim/Campanhã), lado direito
Zona Oriental (Bonfim/Campanhã), lado direito

A ARU de Campanhã-Estação representa 143 dos 4140 hectares do município do Porto, estando previsto, para essa área, um investimento total estimado em 74,7 milhões de euros (M€), para um prazo de operação de 10 anos, prorrogável por mais cinco, distribuídos da seguinte forma:

– Investimento Público (CMP): 24,6 M€

– Investimento Público-Privado (conceção de um programa de realojamento): 9,8 M€

– Investimento Privado: 40,3 M€

Atenção que o investimento apurado não incluiu demolições, expropriações, aquisições de terrenos, estudos e projetos, pelo que o investimento total pode chegar aos 90 M€. O programa de investimento está repartido pelas seguintes componentes:

– Reabilitação do Edificado: 50,1M€

– Espaço Público: 6,4 M€

– Rede Viária: 2,1 M€

– Espaços Verdes: 5,0 M€

– Mobilidade Suave: 3,0 M€

– Equipamentos: 8,0 M€

Projetos Estruturantes (PE)

São dez os PE para a ARU de Campanhã-Estação. A saber:

PE1: Construção e consolidação de duas fortes áreas empresariais, a norte e a sul da área de intervenção, complementares e compatíveis com novos usos.

PE2: Construção do Terminal Intermodal de Campanhã.

PE3: Resolução dos graves problemas habitacionais e de salubridade pública de degradação e abandono do edificado, e recomposição dos tecidos urbanos: Reabilitação do edificado da zona da Lomba.

PE4: Construção de uma estrutura verde articulada com a estrutura verde da cidade.

PE5: Melhoria das condições de mobilidade interna, com as zonas adjacentes e com o centro da cidade.

PE6: Requalificação do espaço público, das infraestruturas, equipamentos e edifícios notáveis.

PE7: Criação de uma rede pedonal e ciclável.

PE8: (Re)criar redes de emancipação social: habitação, emprego, saúde, apoio social e educação.

PE9: Consolidação e desenvolvimento da rede e do funcionamento de equipamentos educativos, desportivos e culturais.

PE10: Participação cidadã e articulação de diferentes atores e níveis de intervenção.

A ORU/C-E, OS TÉCNICOS E OS AUTARCAS

Palavras mais técnicas ou menos técnicas; mais políticas, ou menos políticas, a verdade é que os oradores convidados para o “tiro de partida” da ORU/C-E relevaram, sem condicionalismos, a importância da zona oriental no contexto da cidade, e o investimento que nesse território vai ser feito nos próximos dez anos…

Correia Fernandes (foto: Amadeu Almeida)
Correia Fernandes (foto: Amadeu Almeida)

Manuel Correia Fernandes: “Este ato não é uma dádiva dos céus”

O responsável pelo pelouro do Urbanismo na CMP, Manuel Correia Fernandes, foi o primeiro orador na cerimónia de apresentação da ORU/C-E, no Espaço Mira, começando por referir que “ as freguesias de Campanhã e do Bonfim entraram, definitivamente, na cidade, depois de esquecidas durante muitos anos”.

“Estamos a fazer caminho! O Bonfim e Campanhã têm paisagens únicas, fazendo elas parte de uma cidade oriental durante décadas abandonada. Este ato não é uma dádiva dos céus. Há um interesse estratégico e prioritário deste executivo, que passa pela coesão social e pela reabilitação urbana”.

“Este é a primeira de quatro intervenções de fundo que vão ser feitas na cidade. Neste caso, o tempo previsto é de 10 anos, pelo que outros executivos terão de dar continuidade a esta operação”, disse ainda o autarca, salientando os “dez projetos estruturais” que vão renovar profundamente esta zona do Porto. “Hoje, há uma nova forma de fazer política na cidade. Há um renascimento do Porto, que todos querem construir”, concluiu.

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Casa devoluta (I)
Casa devoluta (I)
Casa devoluta (II)
Casa devoluta (II)

Helena Medina (SPI): “O investimento em Campanhã é uma questão de justiça”

Helena Medina, consultora da Sociedade Portuguesa de Inovação (SPI), começou por salientar o facto que o Porto “é uma cidade constituída por muitas identidades. A diversidade marca, no fundo, a sua natureza”, referindo ainda um dado extremamente importante: “Nos últimos 30 anos, o Porto perdeu qualquer coisa como 100 mil habitantes”, Mas, hoje, “é uma cidade em profunda transformação e em inversão desse percurso”.

Devido a essa “inversão”, como também ao facto de “estarmos a viver um período, particularmente, favorável, há razões para a concretização dos projetos hoje apresentados“.

Para a consultora da SPI, o “investimento em Campanhã é uma questão de justiça, e é indispensável para o futuro do Porto e da sua Área Metropolitana. “É, no fundo, um projeto mobilizador e ambicioso”, até porque “este território tem todas as condições para ser um polo dinamizador”.

Falando nos 112 hectares de área, Helena Medina releva, entre outros factos, “as suas caraterísticas rústicas; o modo de vida das pessoas nela residem” e ainda “um conjunto vasto de edifícios relevantes do final do século XIX e princípios do de XX”.

Factos e mais factos que provam não só a importância da zona oriental do Porto no contexto da cidade, bem como o investimento que, nos próximos 10 anos, lá irá ser aplicado.

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Rui Moreira: “Todas as forças políticas devem comprometer-se com este projeto”

Rui Moreira, presidente da CMP, estava visivelmente emocionado, uma vez que, esta cerimónia, era, oficialmente, o ponto de partida para o arranque de um projeto que tanto defendeu e que conseguiu coloca-lo no papel para ser… concretizado.

E por falar em ponto de partida, Moreira consubstancia a analogia ao colocar “a freguesia do Bonfim e a de Campanhã na “pole-position”. E faz um importante aviso: “Todas as forças políticas devem comprometer-se com este projeto. Este é um compromisso da cidade”.

“Aqui vai acontecer”, continuou, “o que aconteceu, com sucesso na Baixa. A cidade, como se sabe, está a transformar-se rapidamente. Há dez anos era impossível estarmos a falar do que agora falamos. Hoje, esta oportunidade é extraordinária para fazer crescer a zona oriental. Trata-se, no essencial, de uma visão integrada da cidade”.

(*) Com Amadeu Almeida, arquivo “EeT” e pesquisa Google

01jan17

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