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HÁ “LAGARTAS DO PINHEIRO” EM ESCOLA DE OVAR! SITUAÇÃO EXIGE “SENSIBILIZAÇÃO PREVENTIVA”…

Texto e fotos: José Lopes (*)

Sendo habitual o aparecimento de lagartas do pinheiro em meio escolar, quando existem fatores naturais que proporcionem a vida a estes seres, a verdade é que, a exemplo da necessidade de sensibilização das comunidades escolares e educativas para temáticas tão variadas e complementares, como a violência, o “Bullying”, as acessibilidades ou a Saúde nas suas múltiplas vertentes de sensibilização e prevenção em meio escolar, também as lagartas do pinheiro podiam merecer atenção para as necessárias medidas preventivas, neste caso concreto na Escola EB António Dias Simões, edificada há quase quatro décadas numa zona de antigo pinhal, a atual Zona Escolar de Ovar com toda a sua envolvente residencial. Uma comunidade que este ano se está a familiarizar e sensibilizar para tal temática em meio escolar.

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Particularmente em meio escolar os cuidados a ter relativamente aos efeitos de contacto com as “processionárias”, ou lagartas do pinheiro, não são de desvalorizar nem é aceitável qualquer atitude de menosprezo das possíveis e estudadas consequências que podem advir das aparentemente inofensivas lagartas “fofinhas”. Nem muito menos num concelho com um riquíssimo património ambiental como é a Floresta existente entre Esmoriz e o Torrão do Lameiro na base do pinheiro, plantado de forma estratégica paralelamente ao cordão dunar, para suster as areias que invadiam as terras agrícolas com os fortes ventos de norte.

As lagartas do pinheiro são consideradas uma praga e constituem um risco para animais, mas também para humanos e para os próprios pinheiros onde fazem os seus ninhos. Este tipo de lagarta encontra-se disseminado por todo o país, sendo comum observarem-se os seus estragos em qualquer região de pinhal.

Não sendo por isso novidade o aparecimento de tal praga em meio escolar com presença de pinheiros, como espécie natural da zona, a sensibilização não só dos alunos, mas de toda a comunidade escolar, é fundamental para contribuírem, para uma efetiva intervenção preventiva, não tentando escamotear uma realidade objetiva com práticas inadequadas, que só podem resultar na proliferação de uma praga que exige identificação e a circunscrição da área em que as lagartas se movimentam ao descerem dos pinheiros, para que seja evitado o contacto com as crianças/alunos.

Há certamente entidades públicas responsáveis pela Saúde Pública e controlo deste tipo de lagartas do pinheiro que têm de ser pronta e devidamente informadas, para que sejam evitados alarmismos. Uma atitude consciente e já agora pedagógica, estando-se em meio escolar, que exige uma atuação responsável, coerente e consequente.

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Segundo estudos publicados, a que os alunos imediatamente recorrem na internet para obterem algumas respostas face a tais “bichinhos” que os parecem encantar, “as thaumetophoea pityocampa, vulgarmente conhecidas como lagartas do pinheiro ou processionárias nascem entre agosto e setembro em ninhos formados na copa dos pinheiros. Estes ninhos assemelham-se a algodão doce branco, mas atenção são tudo menos «doces»! Durante os próximos meses de «frio», as lagartas agrupam-se nos ninhos para manter o calor e saem à noite, ligadas por um fino fio de seda que utilizam para regressar ao ninho.”

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Como se está a comprovar mais uma vez nesta experiência em meio escolar, em que os alunos podem observar ao vivo lagartas do pinheiro, “entre janeiro e maio, as processionárias abandonam o pinheiro, deixando o hospedeiro em fila, como se de uma procissão se tratasse (daí o seu nome). Dirigem-se em direção ao solo onde irão concluir a sua metamorfose transformando-se em borboletas inofensivas”.

Ainda que continuadoras do ciclo biológico desta praga, que antes da sua evolução para borboletas inofensivas, as lagartas “possuem 8 recetáculos com cerca de 100.000 pelos urticantes. Ao moverem-se, estes recetáculos abrem-se libertando milhares destes pelos e aumentando a possibilidade de intoxicação de um animal ou de uma pessoa que entre em contacto com eles. Os pêlos agem como agulhas, injetando as substâncias tóxicas na pele ou mucosas”.

Ainda que o ciclo biológico das lagartas do pinheiro (Processionária-do-pinheiro) em meio escolar ao longo dos últimos anos, venha passando quase despercebido, sem grandes preocupações e sem consequências a assinalar. Este ano os ninhos em forma de bolsões construídos por fios brancos, só mereceram a devida atenção e curiosidade, nesta época do ano em que as lagartas iniciaram a conhecida “procissão”, para descerem dos vários pinheiros infestados, para o solo, onde se enterram, para cada lagarta tecer um casulo, transformando-se em pupa ou crisália.

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Após vários dias e semanas desta agitação das lagartas na labuta do seu ciclo biológico, foi finalmente despertado interesse para sensibilização dos alunos em sala de aula e para intervenção dos Serviços Técnicos do Município de Ovar que passou pela aplicação nos vários pinheiros, de uma cinta adesiva com a finalidade de, no caso de ainda haverem lagartas nos pinheiros, elas ficarem coladas e assim de forma preventiva, evitar o seu contacto com o solo e com as crianças no caso da Escola.

Uma experiencia em meio escolar, que não deixará de merecer o interesse das entidades competentes para as necessárias e adequadas medidas preventivas, coerentes com a primeira fase da colocação das cintas adesivas, para ajudar a contrariar a intensidade de propagação do ciclo de vida das lagartas. O que deverá passar ainda pela fase da intervenção mecânica, no sentido da destruição dos ninhos nesta época.

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Indispensável será também a sensibilização para o devido acompanhamento do efeito de captura de lagartas pelas cintas adesivas na sua fase descendente (altura em que atingem a fase de pré-pupa) e iniciam a procura de um local apropriado para a transformação em adulto (borboleta) e assim continuar o seu ciclo biológico. Fase de descida em “procissão” ideal para a sua captura e respetiva queima, e assim tentar interromper o ciclo de vida desta praga.

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As cintas adesivas (neste caso de cor azul) que estão a “decorar” os troncos dos pinheiros no interior da Escola, certamente não deixaram de surpreender a comunidade. Mas trata-se de uma surpresa que exige não só sensibilização no seio da comunidade escolar, mas também coordenação na monitorização deste sistema de cintas adesivas e colas inodoras, observando o comportamento das lagartas face a tal obstáculo na sua descida para o solo. Tanto mais que tal método requer manutenção frequente, a realizar naturalmente por serviços camarários especializados.

(*) Pesquisa: Centro Regional Saúde Pública do Norte (CRSPNorte) ; e Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF)

01fev17

 

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