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REVOLUÇÃO EM CAMPANHÃ! “INTERMODAL”JUNTO À ESTAÇÃO JÁ ESTÁ NO PAPEL E A OBRA TEM “LUZ VERDE” PARA ARRANCAR…

O projeto para o Terminal Intermodal de Campanhã (TIC) ainda não saiu do papel, é verdade, mas já é histórico e é-o por diversas razões…

Texto: José Gonçalves

Fotos: Pedro N. Silva

…“Histórico” para o seu autor, o jovem arquiteto Nuno Brandão da Costa, que venceu o concurso público para a edificação do TIC na ponta Leste da Estação de Campanhã, o qual contou com mais 21 propostas, e até, pelo simples facto de, “historicamente”, já se encontrar no papel.

“Este é o projeto da minha vida”, disse o arquiteto ao “Etc e Tal”.

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“Histórico” é-o também para a zona oriental da cidade do Porto – esquecida pelo poder local durante décadas – devido à transformação que ela sofrerá, não só em termos de mobilidade de transportes, passageiros e residentes; de beleza natural e arquitetónica, mas, e essencialmente, pela revitalização de uma zona considerada de “fragmentação humana caótica”, a qual se transformará num “parque natural urbano”, colmatando, assim, um “enorme lapso de espaço verde” na área, como fez questão de frisar o arquiteto.

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Circunvalação e Via de Cintura Interna
Circunvalação e Via de Cintura Interna
Ramal ferroviário de Campanhã
Ramal ferroviário de Campanhã
Atual acesso ao nó de Bonjóia
Atual acesso ao nó de Bonjóia
Parte da zona a ser intervencionada
Parte da zona a ser intervencionada

“Pulmão” na zona leste da estação de Campanhã

O projeto de Nuno Brandão Costa foi valorizado pelo júri do concurso, pelo facto de “com um gesto único, e de forma muito simples e depurada, resolver o problema do edifício com uma situação linear mas, simultaneamente, concentrada, o que privilegia a qualidade do espaço destinado aos utentes, abrindo-o para uma área arborizada com dimensão significativa”, lê-se no relatório final publicado na página da GOP na internet.

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Mais: “O desenvolvimento do programa em dois pisos possibilita não confinar os espaços dos utentes e de trabalho administrativo às áreas funcionais necessárias ao funcionamento do TIC, as quais se desenvolvem num piso enterrado, em associação direta com o parque de estacionamento e com as vias de suporte de circulação, essenciais para o bom funcionamento deste equipamento”.

Em suma, o projeto de Nuno Brandão Costa prevê – a partir do atual parque de jogos Rui Navega (Desportivo de Portugal) até à Quinta da Bonjóia – um parque verde com uma área idêntica à da portuense Avenida dos Aliados (23 mil metros quadrados), isto à cota da linha férrea (à superfície).

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Esse parque será constituído por árvores, arbustos, espelhos de água, relva, bancos tipo de jardim, um circuito pedonal e ciclovias, que as pessoas podem percorrer para aceder ao terminal, ou, pura e simplesmente, para passearem.

De acordo como Nuno Brandão Costa, este será “um pulmão verde que acabará por retirar carga poluente, dado que com este terminal, a carga mecânica vai ser ainda maior”. O parque acabará por ser “um elemento agregador de toda a área urbana, VCI, Circunvalação e ferrovia.

Portanto, o Terminal Intermodal de Campanhã “ficará implementado no limite da zona edificável, junta às estações de comboios e de Metro de Campanhã”, como explicou o arquiteto.

Isto que é como quem diz – principalmente para quem conhece a área -, o TIC nascerá do lado do parque de jogos do Desportivo (leste da Estação de Campanhã), e não do de Justino Teixeira (oeste). Destacamos este facto, porque algumas pessoas, contactadas pelo nosso jornal, mostraram-se confundidas quanto à localização do referido Terminal

Parque de estacionamento para 270 veículos

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À cota baixa – enterrado -, estará a parte “funcional” do Terminal, que ficará junto ao nó de Bonjóia, e que permitirá, através de túneis, a entrada e saída de camionetas e autocarros (STCP e operadores privados).

Esta parte do edifício terá também um parque de estacionamento para 270 veículos e um outro para bicicletas. Os táxis também terão uma área reservada para saída e entrada de passageiros. A zona de embarque para camionetas e autocarros terá lotação para 30 viaturas, e é acompanhada por serviços diversos.

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“O terminal é desenhado”, explica Nuno Brandão Costa, “como um dispositivo infraestrutural linear que estabelece um limite físico para a estação integrando as componentes automóvel, autocarros, camionetas, pedonal e ciclovia, e as grandes naves, que abrigam os veículos, que têm grandes aberturas para o exterior nos seus topos, de modo a introduzirem luz e arejamento natural nos espaços”.

De salientar também que o TIC, ainda segundo o autor do projeto, “é um espaço continuamente coberto e iluminado para o exterior, permeável e permanentemente ventilado, transversal e verticalmente. Os peões, automóveis, bicicletas e autocarros vão partilhar o mesmo espaço dimensionado, de modo a não confluir com a autonomia de cada percurso e meio, mas de modo a facilmente ser efetuada a troca de locomoção, por exemplo; de carro para comboio; de bicicleta para o comboio e vice-versa.”.

Questões de segurança

As questões de segurança do espaço, ainda que pouco abordadas, não foram, naturalmente esquecidas no projeto de Nuno Brandão Costa, sendo que as mesmas, com a construção da obra possam vir a sofrer pequenos ajustes.

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“Está feito o mais difícil. Agora, construa-se!”

O arranque das obras de construção do TCI está previsto para 2018 e tem um custo estimado em 6,3 milhões de euros e com um prazo de 18 meses de execução. “Está feito o mais difícil. Agora, construa-se!”, disse o presidente da Câmara Municipal do Porto (CMP), Rui Moreira, na cerimónia de atribuição dos prémios aos três projetos mais votados pelo júri, presidido por Carlos Prata, realizada no passado dia 20 de fevereiro, nos Paços do Concelho, onde se encontra, até ao próximo dia 6 de março, em exposição todos os projetos a concurso.

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Rui Moreira: “Ao fim de 14 anos, o Intermodal de Campanhã é mais que uma promessa”

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“Ao fim de 14 anos de promessas o Intermodal de Campanhã é mais que uma promessa, para ser um projeto e, em breve passar a ser uma obra”, começou por dizer Rui Moreira, presidente da CMP, na referida cerimónia de entrega de prémios.

Salientando o acordo entre a autarquia e o governo central para a concretização do projeto, o edil enfatizou o facto de o TIC ser “a par do aeroporto Francisco Sá Carneiro, um interface de primeiro nível na Região Norte”.

“Respeitando questões ambientais, este projeto é estruturante para o desenvolvimento da zona oriental da cidade, e é-o também fundamental para a mudança de paradigma da mobilidade coletiva em todo o Porto”, referiu ainda Rui Moreira.

Nuno Brandão Costa

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Nuno Miguel Lima Brandão Costa, de seu nome completo, foi o vencedor do concurso público lançado para a conceção do Terminal Intermodal de Campanhã. Natural do Porto, o arquiteto de 47 anos, casado, tem já uma história digna de registo na profissão que abraçou de corpo e alma.

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Entre os mais importantes prémios conquistados, destacam-se três primeiros lugares: “Concurso Público de ideias para a requalificação e ordenamento da frente de mar da Praia de Faro (2008/2009); Concurso público de ideias para o projeto do Mercado de Ramalde, no Porto, em coautoria com João Paulo Loureiro (1994); e Concurso público internacional para o projeto da Biblioteca Central da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (1998).


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“Este é um projeto muito importante para a cidade. Foi o maior que já fiz”. Palavras, ao “Etc e Tal Jornal” de um arquiteto orgulhoso, tal como ficarão, mais tarde, os seus dois filhos, ainda de tenra idade ao verem edificada a obra do pai. “Sinto-me feliz!”, e menos não seria de esperar. E, como disse Rui Moreira, o mais difícil está feito. Agora, construa-se!”

Agradecimento especial

Moagem Ceres” pela gentileza com que a nossa reportagem foi recebida e pelo facto de nos terem permitido tirar fotografias da torre do edifício da empresa.

01mar17

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