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“JARDINS ROMÂNTICOS DE NOVA SINTRA” VÃO (RE)ABRIR AO PÚBLICO NO OUTONO! A HISTÓRIA E AS ESTÓRIAS DE UM LOCAL ÚNICO DA CIDADE DO PORTO…

Para uns é o Parque de Nova Sintra, para outros a Quinta do Barão de Nova Sintra, ou ainda “Jardins Românticos de Nova Sintra”, mas, para a maioria, é o “Jardim das Águas”, pelo menos, é assim popularmente conhecido na cidade e mais concretamente na freguesia do Bonfim, onde está situado. Seja como for, os jardins onde está sediada a “Águas do Porto E.M.” (à Rua do Barão de Nova Sintra, 259) formam um espaço único na zona oriental da cidade que, no próximo outono, vai reabrir ao público…

O Palacete... das "Águas", século XX (foto: "Porto, de Agostinho Rebelo)
O Palacete… das “Águas”, século XX (foto: “Porto, de Agostinho Rebelo)

O rio Douro aparece ali bem perto, com “curvas e contracurvas” a banhar, uma delas, a praia do Areinho (Oliveira do Douro-Gaia), acompanhado, na encosta do Porto, pelo caminho-de-ferro que liga a estação de Campanhã à de S. Bento e vice-versa, e pela Quinta da China, onde viveu a artista Aurélia de Sousa, assim como pelas pontes do Freixo, de S. João e de Maria Pia que lhe ligam as margens. O espaço é tão verdejante e arborizado, quão apaixonante.

Estamos nos, agora, oficialmente, denominados, “Jardins Românticos de Nova Sintra” local (de locais) que fará parte, a partir do próximo outono, do Roteiro Cultural da Cidade do Porto, altura em que reabrirá as suas portas ao público.

A quinta, ou os jardins, tem sua história entre outras estórias que fazem parte da História da cidade, materializada nas fontes, chafarizes e brasões que lá se encontram, depois de transferidos de diversos locais da Invicta, durante o século passado, ou, melhor, depois de a Câmara Municipal a ter adquirido, em 1932. A quinta era pertença da britânica família Reid, que a habitou de 1867 a 1922, ano em que foi comprada pela empresa de joalheiros “Almeida Miranda & Companhia”. Em 1927, a Quinta (então denominada dos Ingleses), e o respetivo palacete, foi expropriada, para dar lugar à “Companhia das Águas”, depois, aos “Serviços Municipalizados de Águas e Saneamento” (SMAS) e, atualmente, à empresa municipal “Águas do Porto”.

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Antigo reservatório de Água (foto: O Porto... Encanta - Rita Branco)
Antigo reservatório de Água (foto: O Porto… Encanta – Rita Branco)

O espaço verde, com cerca de 68 mil metros quadrados, e parecido com os jardins do Palácio de Cristal, encontra-se, atualmente, em obras de requalificação, com a reabilitação dos jardins, nos últimos três anos, a cargo de uma equipa da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto. Mas, a verdade, é que já há algumas novidades a registar, isto ainda antes da reabertura ao público do renovado espaço.

Escultura "Universo" de Irene Vilar
Escultura “Universo” de Irene Vilar
Antigo brasão da cidade do porto
Antigo brasão da cidade do porto

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Se além dos brasões, fontes e chafarizes que ocupam parte dos jardins de Nova Sintra, tivermos em conta, junto ao antigo palacete, a escultura de bronze “Universo” da autoria de Irene Vilar, então concluiremos que o espaço está mais rico, agora, com a obra inaugurada pelo presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, ladeado pelo presidente da “Águas do Porto, EM”, Frederico Fernandes, no passado dia 10 de julho.

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Trata-se de “Self-portrait as a fountain“, do artista Julião Sarmento, uma estátua situada perto do muro sobranceiro às linhas de caminho-de-ferro, de onde se avista o rio Douro, num enquadramento de rara beleza.

Inspirada no escultor Bruce Nauman, de quem é mesmo um autorretrato ainda que na forma feminina, a obra mereceu vivos aplausos dos presentes, para visível satisfação de Julião Sarmento, que Rui Moreira considerou um “artista inconfundível”.

Julião Sarmento: “Um trabalho com água bem integrado nestes jardins

Julião sarmento (ao centro)
Julião sarmento (ao centro)

“Volto outra vez ao Norte para, pela primeira vez no Porto, ter a minha primeira escultura pública. A outra encontra-se em Matosinhos. Essas são as duas obras públicas que tenho em Portugal, pelo que acho que o Norte gosta mais de mim do que o Sul”, começou por dizer Julião Sarmento.

“Este é um trabalho com a água e bem integrada nestes jardins do século XIX. Estou satisfeito com este enquadramento, esperando agora que a natureza ajude a completar a zona envolvente à escultura”, disse ainda o artista.

Rui Moreira: “Um espaço público que o Bonfim precisava

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Para Rui Moreira, esta escultura será “um dos atrativos deste espaço, quando o mesmo estiver aberto ao público, ou seja no próximo outono. Espaço esse que a freguesia do Bonfim precisava. Era uma pena continuar com ele fechado.”

José Manuel Carvalho
José Manuel Carvalho

Opinião corroborada pelo presidente da Junta de Freguesia do Bonfim, José Manuel Carvalho, que ao nosso jornal, disse que “está será uma mais-valia para a freguesia, com uma linda paisagem e uma zona verde que proporcionará momentos de relaxamento a quem o visitar e será, por certo, e também um atrativo turístico para a zona. Trata-se de um espaço de liberdade, até pelo simples facto de não ser privado, mas também de dar às pessoas espaço para satisfazerem as suas próprias vontades, desde a educação física a outro tipo de lazer ligado à natureza”.

Frederico Fernandes
Frederico Fernandes

“Aqui também acontece cultura”, referiu por seu turno o presidente da “Aguas do Porto E.M.”, Frederico Fernandes, citando parte de uma frase de Paulo Cunha e Silva, sobre a “cidade liquida”.

Para este responsável, com a escultura de Julião Sarmento “estamos a deixar uma marca para o futuro”, integrada a mesma “num mapa cultural da cidade, e na sua zona oriental, facto quer será importante com a abertura destes jardins ao público”.

Estórias….

Um espaço romântico tem sempre muito que se lhe diga. Não são poucas as estórias que acompanham a história de uma quinta privada mas aberta aos mais diversos “sentimentos”.

De salientar, para o caso, que os jardins já estiveram abertos ao público aos fins-de-semana na década de setenta e oitenta do século passado, e, em alguns períodos, mesmo durante a semana.

“O jardim tem muitas histórias para contar. Se as árvores falassem! Já lá se deram muitos namoricos entre funcionários e funcionárias das “Águas”, mas mais entre estudantes do “Alexandre” e do “Rainha” que vinham para cá e aproveitavam para namoriscar e outras coisas mais”, lá está, as tais que para aqui não são chamadas, mas que tal como João e Fernando – antigos funcionários dos SMAS – registam em quinta de amores, pelos vistos… correspondidos.

Mas, os jardins deixaram de estar abertos ao público não por estes factos, mas por outros. “Havia estudantes que iam para lá, mais para a brincadeira do que para estudarem o que tinham de estudar. Como começaram a dar cabo daquilo, decidiram fechar os jardins”.

Estórias de um local de histórias, que portuenses e forasteiros poderão admirar contemplando e desfrutando a paisagem e a riqueza que a natureza nos deixa à mercê. No Outono – época romântica por excelência – que se registe uma “invasão pacífica” daquele maravilhoso local.

Texto: José Gonçalves

Foto: Pedro N. Silva

Fontes: “Porto, de Agostinho Rebelo” e “O Porto… Encanta – Rita Branco” (Fotos)

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