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Clássica

Mário Rocha

Olhando para a história da música, hoje em dia, de uma forma global, ouvimos exclusivamente obras, temas, canções desde o início do séc. passado. Não questiono nem reprimo essa escolha natural porque é a mais recente e, em princípio, a “menos confusa de ouvir”. Ainda assim, analisando bem, de um ponto de vista etnomusicólogo existe centenas de anos transatos por matutar e que, se calhar, interessariam ao ouvido “comum”.

No passado dia 24 de Novembro, desloquei-me à Casa da Música para ver e ouvir um concerto de música clássica. A Orquestra Sinfónica do Porto com a direção do japonês Takuo Yuasa interpretou duas obras de dois compositores respeitados no panorama mundial e histórico. Os russos Tchaikovski e Rachmaninoff simbolizam a alma romântica russa e, através das obras “Romeu e Julieta” do primeiro e a Sinfonia nº 3 em Lá menor, op. 44 do segundo, deixaram o público confiante de que presenciaram um espetáculo musical único, harmonioso e distinto.

A minha reação ao concerto atingiu níveis sinestésicos e cinematográficos. A orquestração, a organização e o encadeamento do som proveniente dos respetivos instrumentos reflete o respeito que os músicos e maestro têm por estes compositores russos. Posso até acrescentar algo: Acho que pela primeira vez presenciei auditivamente algo belo. É difícil explicar mas assim o aconteceu.

Maestro Takuo Yuasa
Maestro Takuo Yuasa

Ora esta experiência pessoal pode ser perfeitamente partilhada e dada a outras pessoas que, à partida, não têm uma pré-disposição para aceitar este tipo de música com este tipo de ambiente.

Voltando-me novamente para a introdução, hoje em dia, a grande maioria ouve essencialmente música feita desde o início deste século e a minoria desde o início do séc. passado. A música clássica nunca foi se quer um género aceite, experienciado pela minoria da população muito menos pela maioria. Foi sempre algo “deixado” ou para os ricos ou para os entendidos. Ao mesmo tempo, a sua democratização, a sua acessibilidade foi sempre dificultada por ventura porque, por um lado, não se queria que as salas se poluíssem por “outro tipo de pessoas”, e/ou então, pela total falta de interesse do “comum dos mortais”.

Rematando, o ouvido das pessoas, como tudo na vida, não pode estar habituado e ter só uma vibração, um tom, um ritmo. Tem de se abrir mais o espectro musical das pessoas sobretudo abrindo-lhes a cabeça. Para isso, por um lado, é necessário que a música clássica e os seus espetáculos saiam da sua caverna elitista e preguiçosa onde se encontram e, por outro, que o “comum dos mortais” seja feliz experienciando música diferente.

Foto: pesquisa Google

01jan18

 

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