Menu Fechar

Fusão independente

Mário Rocha

Provavelmente associamos os anos 90 ao início de um estilo que rompeu com o que até a essa década se fazia e ouvia. O Grunge nasceu e cresceu porque havia toda uma geração pronta a fervilhar pelo surgimento de um novo movimento que os liderasse e os fizesse esquecer todo um Glam Rock ou todo um Pop exaustivo. Exponenciado a um ritmo alucinante pela MTV, este sub-género do Rock mergulhou nas mentes dos adolescentes da altura e bandas como os Nirvana, Pearl Jam, Stone Temple Pilots, Alice in Chains, Soundgarden, Mudhoney ou Melvins foram instigadores de momentos únicos das vidas de muita gente jovem.

Ainda assim, quando penso nestes anos 90, a minha mente encaminha-me para outras paragens. Tenho um profundo respeito e admiração por duas editoras que forjaram o meu gosto e interesse por um certo nível de música. As editoras inglesas Mo Wax e Ninja tune são das editoras mais influentes de todo um universo de agentes ligados à música (djs/produtores, músicos ou simplesmente escutadores de música) que começaram a dar uso aos seus ouvidos a partir dos anos 2000. Ambas foram criadas no seguimento do descontentamento lançado às grandes editoras pelo controlo criativo excessivo que faziam aos seus artistas.

grung - 01

Assim, a Ninja tune foi criada por Matt Black e Jonathan More – membros dos Coldcut – em 1990, Londres. Tendo uma base de hip-hop clássico/hip-hop abstrato, Trip-hop, Drum-bass, Breakbeat e jazz, no seu vasto leque de artistas agregados encontram-se exemplos como: Bonobo, Amon Tobin, Dj Food, Cinematic Orchestra, Mr. Scruff, Roots Manuva, the Bug, Luke Vibert, Dj Vadim, Daedelus, Kelis, The Herbaliser, entre outros.

A Mo Wax foi criada em 1992 por James Lavelle (membro dos UNKLE com Dj Shadow, curador) e tendo como base os mesmos estilos e sub-estilos que a Ninja Tune agrega artistas como: Dj Shadow, Dj Krush, UNKLE, Liquid Liquid, Attica Blues, Andrea Parker, entre outros.

Ambas têm duas caraterísticas únicas. Primeiro têm uma índole independente. Não se comprometem com grandes editoras, não se deixam manipular por elas, não se reveem nelas – na sua obsessão de dominar o artista a fim de sugar o máximo que puder. Em segundo, têm artistas que não se baseiam num estilo. Têm uma diversidade de sonoridades que em muito enriquecem o seu reportório e, ao mesmo tempo, não são comerciais. Têm um conjunto de artistas onde a sua produção não reporta à maioria das pessoas, às massas.

Têm, sem dúvida, a sua própria identidade e vale a pena serem divulgadas.

Foto: pesquisa Google

01mar18

 

Partilhe:

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado.

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.