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Museu de Ovar acolheu “Bonecos de Estremoz”

A arte da cerâmica figurativa de Estremoz ou a popularmente conhecida por “Bonecos de Estremoz”, que chegou a estar em risco de se perder, ainda que tratando-se de um património artístico com mais 300 anos, que em 2017 viu a região de origem ser classificada como Património Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO, foi dada a conhecer no Museu de Ovar através de uma exposição de Figurado de Estremoz da autoria de Jorge da Conceição, um artista que se vem afirmando no desenvolvimento do seu perfil próprio de ceramista nesta arte de trabalhar o barro, cujas técnicas aprendeu desde muito cedo.

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A exposição inaugurada no dia 12 de maio era composta por figuras de presépio, entre várias figuras religiosas ou figuras relacionadas com o trabalho rural, ofícios tradicionais e atividades domésticas, incluindo figuras alegóricas e objetos decorativos. Peças de rara beleza e delicadeza artística, que prendiam a atenção e o olhar demoradamente profundo e contemplativo dos presentes, para quem o autor dos trabalhos deixou algumas explicações sobre a cerâmica figurativa de Estremoz, sublinhando que neste seu trabalho com o barro, em que procura uma elevada diferenciação e um nível de qualidade, não utiliza moldes. Como afirmou, “é tudo feito à mão e pintado á mão”, resultando em figuras “mais bonitas e outras mais feias, como nós”, risos na sala.

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Com o diretor do Museu de Ovar, Manuel Cleto, ausente por razões de saúde, coube a Manuel Brandão, da Assembleia Geral da instituição, as palavras e boas vindas a exposições com a riqueza desta arte, que “muito engrandecem o Museu de Ovar”, palavras corroboradas pelos autarcas presentes.

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Jorge da Conceição nasceu em Estremoz em 1963 e como faz questão de lembrar e homenagear os seus familiares, que tiveram papel determinante na década de 1930, em fazer reviver a arte de produzir os Bonecos de Estremoz, como o seu avô paterno, Mariano da Conceição (1903-1959) de quem fala com entusiasmo e toda a família de ceramistas desta cidade característica da produção de figuras em terracota policromada.

A arte de trabalhar o barro, que permitiu modelar peças até aos 21 anos, altura em terminou a sua licenciatura em Engenharia, aprendeu-a muito cedo com a sua avó Liberdade da Conceição (1913-1990), a sua tia Sabina da Conceição (1921-2005) e ainda com a sua mãe Maria Luísa da Conceição (1934-2015), conceituados ceramistas de figurado de Estremoz.

Mas seria no final de 2012 e após uma carreira de 25 anos em consultoria, que decidiria dedicar-se a tempo inteiro ao desenvolvimento das suas próprias peças, começando entretanto (2013) a participar regularmente em exposições coletivas e individuais. Em 2014 obteve o 1.º Prémio no concurso de Artesanato Tradicional na Feira Internacional de Artesanato de Lisboa.

Texto e fotos: José Lopes (*)

(*) Correspondente “Etc e Tal jornal” em Ovar – Aveiro

01jun18

 

 

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