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“STOP”NÃO VAI FECHAR! EDIFÍCIO CORRE “RISCO DE TRAGÉDIA” MAS A ADMINISTRAÇÃO PROMETE OBRAS E A CÂMARA NÃO QUER ACABAR COM AQUELA QUE É A “FÁBRICA DE MÚSICA” DO PORTO…

Inaugurado na década de 80 do século passado o Centro Comercial Stop (CCS) situado na portuense Rua do Heroísmo, paredes meias com o Museu Militar do Porto, foi o primeiro do género a surgir na zona oriental da cidade Invicta, depois de já, na Rotunda da Boavista, ter sido aberto ao público, o “Brasília”.

Passados todos estes anos, o “Stop” transformou-se naquilo a que muitos apelidam de “a verdadeira Casa da Música do Porto”, lá se encontrando sediadas, em centenas de estúdios, diversas bandas de múltiplos géneros musicais, reunindo um sem-número de artistas.

Se o fenómeno é, culturalmente, aplaudido por muitos, o mesmo já não se pode dizer em relação à segurança de quem frequenta o local. O alerta da Proteção Civil é de “risco de tragédia”! A administração diz não ter dinheiro para cumprir com as exigências relativas às normas de segurança, e a Câmara do Porto estuda intervir na regularização do espaço, falando-se mesmo na compra do edifício, isto em caso dos atuais senhorios não conseguirem resolver a situação.

José Gonçalves                           Mariana Malheiro

(texto)                                                      (fotos)

E, quando se fala no Centro Comercial Stop (CCS), fala-se também num edifício com uma área de 6000 metros quadrados, distribuída por 6 pisos, e, de início, composta por 169 lojas, diversas áreas para restauração, duas salas de cinema, e ainda um parque de estacionamento subterrâneo.

Nos últimos anos, o CCS foi como que invadido por bandas de música que, atualmente, chegam a ocupar 90 por cento do edifício (106 salas), muitas das quais sem seguro contra riscos, facto que ficou evidente após um incêndio, dos três registados na história do “Stop”, em junho de 2012 num estúdio de gravação, e do qual resultaram três feridos.

Daí para cá, e depois de uma (simbólica) pintura da fachada do edifício, o estado de degradação do mesmo é visível a olho nu, tanto no seu exterior, como no interior. Situação que tem vindo a preocupar a Autoridade Nacional de Proteção Civil, assim como a Câmara Municipal do Porto, que, depois de um encontro em dezembro do último ano com a administração do centro, tem vindo a estudar a regularização do espaço, esperando que os responsáveis pelo imóvel deem resposta às exigíveis obras a efetuar no local no que concerne à segurança do mesmo.

De visita ao espaço

Fomos dar “uma volta” pelo espaço e registamos, em boa verdade, um aspeto pouco convidativo para quem lá entra, se bem que, quem lá entra vá para trabalhar e não propriamente para receber clientes ou “exigentes” convidados.

Seja como for, é visível um certo abandono de áreas onde, antigamente, a vida era diferente, tanto mais que o espaço era comercial e não “industrial” como alguém de responsabilidade pelos destinos da cidade fez questão de frisar ao nosso jornal.

Venha, então, daí connosco:

Entrada para as duas salas de cinema

Insegurança e falta de licenciamentos

Pergunta-se, então: se o estado do edifício é assim tão grave, por que razão não o encerram? A questão é incómoda para quem frequenta o local ou lá tem o seu negócio, mas a realidade é que e Câmara Municipal do Porto não está disposta a encerrar o espaço.

Sabe-se que a autarquia terá já colocado em prática algumas soluções tendo em vista a segurança do local, só que, as fundamentais, ainda não terão sido implementadas devido à especificidade do projeto, e que não foram bem recebidas por parte dos frequentadores do local (músicos e técnicos) pela alegada “excessiva formalização” da sua atividade.

Mas encerrar o “Stop” não está em causa. Muito pelo contrário, há quem o considere um sítio mítico e uma verdadeira “indústria da música” da cidade. As palavras são de Rui Moreira, em exclusivo ao “Etc e Tal jornal”…

RUI MOREIRA: “NÃO QUEREMOS QUE O «STOP» MORRA! É UM SÍTIO MÍTICO E A ÚLTIMA INDÚSTRIA DA CIDADE… UM LABORATÓRIO VIVO

O presidente da Câmara Municipal do Porto, Rui Moreira, em declarações ao “Etc e Tal jornal” e tendo em conta os problemas de segurança levantados em relação ao “Stop”, mostra-se preocupado com a situação, mas acredita no futuro do espaço, pelo que, é, praticamente certa, a continuidade de um centro que já foi comercial e, pelos vistos, agora é industrial.

Quanto ao “risco de tragédia, apontado pela Proteção Civil, o autarca referiu que “essa situação pode acontecer em qualquer parte da cidade,. O que há é um problema de segurança que tem a ver com uma legislação pertinente”

“Tivemos já uma conversa demorada com o representante dos senhorios, e também com as pessoas que lá trabalham ou que  lá têm a sua atividade. Nós, não temos outro sítio para onde eles possam ir, e eles também não querem de lá sair, e, portanto, estamos a encontrar um modelo que permita aos proprietários fazerem as obras, e também garantir alguma receita. Vamos ver se os próprios músicos as conseguem garantir. Nisso, nós podemos ajudá-los. Estou convencido que tudo se irá resolver!”

Para Rui Moreira, o Stop “é um património muito importante para a cidade. É ali que se encontra a fábrica de música do Porto, até é quase que uma indústria, e se é… é uma das últimas indústrias do Porto. Como tal tudo faremos para a preservar”.

Quanto ao interesse por parte da autarquia na compra do imóvel, o edil foi perentório: “Não é interesse, a Câmara não gosta de se substituir aos legítimos proprietários. Aquilo que eu disse foi que, se fosse caso disso, ou seja se os proprietários através deste reequilíbrio não conseguissem cumprir com os objetivos, nós não fechávamos a porta a essa possibilidade. Não queremos é que aquilo morra! Queremos que aquilo fique ali. É um sítio mítico da cidade. É um sítio onde, por exemplo, os meus filhos vão à procura de música. O Stop é um laboratório vivo!”

CARLOS FREIRE : “JÁ PAGAMOS MIL EUROS A UM GABINETE DE ENGENHARIA PARA SE FAZEREM AS OBRAS!

Contrariando o alarmismo que está a ser feito sobre o problema que afeta o “Stop”, Carlos Freire, trabalhador  da administração, cuja é da responsabilidade de Teixeira da Silva, e onde labora há cerca de 28 anos, revelou ao “Etc e Tal jornal” que o encontro, realizado em meados do ano passado, com os responsáveis da Câmara Municipal do Porto não foi conclusivo, e que depois de indeferido um primeiro projeto para obras de beneficiação, respeitando as exigências da Autoridade Nacional da Proteção Civil, “já se encontra em estudo um segundo projeto, que está a ser efetuado por um Gabinete de Engenharia e ao qual pagamos já cerca de mil euros”.

“Isso revela o nosso interesse em resolver a situação”, realça Carlos Freire, que, quanto a situações de segurança, refere que “já se registaram há tempos dois incêndios e os mecanismos de resposta funcionaram sem problema”.

Traseiras do Stop – Foto: jotaguê

Problema que, no entanto, continua a preocupar a Proteção Civil que, mesmo assim, não fez qualquer tipo de ultimato – em termos de prazo – à administração do “Stop”.

“Só sei que se se fizerem obras alguém as terá de pagar. E o que sei também é que a Câmara Municipal do Porto, que se diz querer comparar este imóvel, não investiu um cêntimo neste edifício”, revela o nosso entrevistado.

O trabalhador da administração do Stop refere ainda que a grande preocupação “centra-se no controlo do ruído para o exterior”, perguntando se alguém gostaria, como no caso a Polícia Municipal, de ter “106 bandas espalhadas pela cidade a fazerem ensaios e a incomodarem a vizinhança?”

Carlos Freire pergunta ainda por que é que 15 a 20 por cento dos proprietários têm licença para estarem aqui, e os outros não?”… eis a questão.

Saída de emergência… tapada! – Foto: jotaguê

Problema visível e relacionado com a segurança do edifício, diz respeito a uma saída de emergência (ver foto) que foi “estranhamente tapada”, isto alegadamente por quem gere aquele que parece ser um parque de estacionamento (no antigo Palácio Ford, contiguo ao “Stop”). É possível fazer, impunemente, uma coisa destas? Perguntamos nós…

Entretanto, Carlos Freire salienta que já foram feitos dois simulacros de incêndio no espaço e “tudo correu bem, ou seja, foi dada resposta cabal às exigências”, e tão segura é a “coisa” que já cá vieram interessados ver as instalações. Mas, nada disseram…” relacionando, Carlos Freira a visita com eventuais interesses imobiliários.

Seja como for, e tendo em conta a força de vontade por parte dos proprietários do “Stop”, bem como por parte da Câmara Municipal do Porto, uma coisa parece ser certa: a “Fábrica da Música” vai continuar por ali, ou seja, pela Rua do Heroísmo, nome que cai bem a quem luta pela sobrevivência do espaço, e promete dar “música” durante muitos e muitos anos… com as exigíveis condições de segurança, está claro!

01fev19

 

 

 

 

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1 Comment

  1. Domingos serino dos santos

    Sou proprietário de várias lojas neste centro
    Bem haja a qualquer decisão para melhoria deste espaço
    Que sem dúvida nesta momento é uma indústria da música

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