Em Janeiro de 1973 entrei para o serviço militar obrigatório. Nas Caldas da Rainha. Quartel de residência dos mancebos como nove anos de escolaridade, nos seus primeiros três meses de vida militar. Tempo de recruta. Após isso mais três meses de especialidade em Vendas Novas. Depois destes seis meses de formação fui colocado na Figueira da Foz, no Regimento de Artilharia Pesada 3 (RAP 3), onde me mantive até Junho de 1974. Pelo que vivi o dia 25 de Abril de 1974 (uma quinta-feira) naquele quartel, hoje já desativado.
Antes dessa data tinha ocorrido o levantamento das Caldas da Rainha (16 de Março). No seguimento deste pronunciamento militar foi colocado no RAP 3, o Capitão Dinis de Almeida. Na sequência de uma sanção militar. Por suposta cumplicidade com aquele ato. Soubemos que, quando se apresentou ao Comandante da Unidade, revelou a sua simpatia com as ideias dos Generais António de Spínola e Costa Gomes. Os quais se tinham negado a integrar a “brigada do reumático” para o beija-mão subserviente a Marcelo Caetano.
Ao Capitão Dinis de Almeida foi atribuído o comando da Bataria de Formação onde estava integrado. Logo nos primeiros dias, ordenou que fosse disponibilizada, no sistema áudio da caserna, música de intervenção. Muitos dos soldados e não só, ouviram então pela primeira vez os versos do Poeta Aleixo, as vozes de Zeca Afonso, Adriano e outros. Percebia existir algo no ar. O quê? Não sabia nem tinha a quem perguntar.
Naquela quinta-feira, levantei-me às seis horas para fazer a última ronda ao quartel. Ao sair da caserna estranhei ver caras desconhecidas. Maior a minha surpresa ver na parada viaturas de outros regimentos. A azáfama era grande. Dirigi-me ao oficial de dia, Capitão Fausto Pereira. Disse para não me preocupar. A situação estava prevista e sob controlo. Voltei à parada. O Capitão Dinis de Almeida deu ordem para se abrir a arrecadação das munições. Não apareceu o quarteleiro. Solução: ordenou a um condutor para encostar, de marcha atrás a sua Berliet ao portão da mesma, que quase de imediato, caiu com estrondo, depois de uma forte aceleração da viatura.
Formou-se então uma coluna militar que, segundo informação que conheci na altura, que nunca foi contrariada, seguiu para o Forte de Peniche, para ser tomado e libertados os presos políticos. Na tarde daquele dia havia alguma tensão no RAP 3. Dizia-se que o Quartel-general da Região Militar de Coimbra não tinha aderido ao Movimento das Forças Armadas (MFA). Em consequência, haveria uma coluna militar a dirigir-se para a Figueira da Foz para contrariar o golpe. Nunca tal aconteceu. Nem sei se em algum momento tal terá sido ponderado. O que é verdade, a população da cidade concentrou-se junto ao nosso quartel a vitoriar o MFA.
Depois desse dia, no fim-de-semana seguinte, vim de licença a casa. Assisti maravilhado aos festejos do Primeiro 1º de Maio em LIBERDADE. E que grande foi a festa. Procurei entre a multidão que inundou a baixa do Porto caras conhecidas. Estavam lá de certeza. Mas, tal como eu, inebriadas e eufóricas, nada vimos.
Uma nota final: foram razões de natureza corporativa – a “luta” entre os oficiais “puros” (carreira militar) e os “espúrios” (os que passaram ao quaro permanente vindos do recrutamento de oficiais milicianos) – a motivação principal para a agregação dos militares para desenvolverem e concretizarem o levantamento do 25 de Abril. A Revolução dos Cravos é capturada e assim conhecida pelas massas populares. Mesmo internacionalmente ainda hoje se fala da Revolução dos Cravos e, injustamente, muito pouco do MFA.
25 de Abril Sempre
Texto: Cristóvão Sá-ttmenta
Foto: pesquisa Google
20abr19
Entrei no RAP-3 a de Outubro de . Era cabo-miliciano Rodoviário.
O Comandante chamava-se Sílvio Aires Martinho de Figueiredo. Coronel de Artilharia, preso na noite de 25 abril.
o nome do comandante era o coronel Sílvio Aires que foi preso pelo capitão Diniz dos Santos Almeida agora já era coronel mas não estava no activo do exercito tinha um consultório de psicologia eu digo tinha porque já não tem nada faleceu este fim de semana com o covid19.
Arlindo Santos
no 25 de Abril também estava no RAP3 a fazer a especialidade de transições de engenharia o comandante da minha bataria era o capitão Diniz dos Santos Almeida pois na noite de 24 para 25 saio a coluna militar constituída por uma companhia do R5
de Aveiro e outra de Viseu e duas beatarias da figueira da foz seguimos em direcção a Leiria paramos no quartel de leira depois nas caldas da rainha e depois Peniche onde os canhões do RAP foram montados no arial a entrada de Peniche apontados para o forte a coluna continua comanda por o Diniz Almeida até ao forte que era guardado por a GNR onde se procedeu ao rendimento da mesma e libertação de alguns presos, voltamos para trás e nessa altura já o povo estava a dar comida aos militares depois de comer alguma coisa a coluna sem o armamento pesado seguiu
para o ralis Lisboa onde estava o salgueiro maia daí fomos á academia militar onde os capitães estiveram horas depois viemos passar o resto da noite no ralis no dia seguinte dia 26 o Diniz da Almeida ficou um Lisboa e a coluna regressou á Figueira da Foz ode o capitão Fausto foi promovido em parada para ficar comandante do quartel porque o comandante que tinha sido preso na noite de 24 para 25 ainda não tinha sido libertado.
Boa tarde. Eu estive no rap 3 de Junho a Dezembro de 1973. Coabitámos por lá, portanto. Agora estou a escrever sobre tudo isso, mas não me lembro do nome do comandante do regimento. Lembro-me da cara dele – um coronel – mas não me lembro do nome. Será que me pode informar ?
Obrigado e um abraço