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MUSEU DE OVAR: EXPOSIÇÃO DE MÁSCARAS; APRESENTAÇÃO DO LIVRO “AURORA” E EXIBIÇÃO DE CURTA-METRAGEM MARCARAM ATIVIDADES DA INSTITUIÇÃO EM ÉPOCA CARNAVALESCA

Em época carnavalesca, o Museu de Ovar reuniu no primeiro dia de fevereiro, uma trilogia de expressões artísticas, tendo como ponto de partida, a exposição de “Máscaras” do escultor Victor Sá Machado, então inaugurada, que ainda pode ser vista até 4 de março. Seguiu-se a apresentação do livro “Aurora” de Renato Roque, e a exibição de uma curta-metragem com o mesmo título, da autoria de Renato Roque e Tiago A. Fonseca, que dedicam estas obras (livro e curta-metragem) a Carola Rackete, a capitã alemã do barco humanitário que salvou migrantes no Mediterrâneo, “e a todos os que, na sua vida, ajudam a salvar aqueles que fogem da guerra e da morte, de que tantos, que os combatem e prendem, têm as mãos sujas”, afirmam.

Foram momentos de profunda reflexão, partilhados entre as esculturas com base em vários elementos de ferro velho e pedras, a literatura e o cinema. Obras de diferentes expressões artísticas que se complementam, construídas a partir das máscaras em ferro, na linha das “máscaras” expostas, que fizeram parte da cerimónia de inauguração, no dia 1 de fevereiro, com a presença dos autores das obras e de uma representativa delegação de Figueira de Castelo de Rodrigo, a quem, os dirigentes do Museu de Ovar, António Dias, Manuel Cleto e Jorge Bacelar, este também natural do concelho da Beira Alta, agradeceram a disponibilidade para virem a Ovar, mostrar tais projetos de arte, que, “liga o trabalho da agricultura à terra”, afirmou Jorge Bacelar, referindo-se à exposição “Máscaras”. Uma deixa para o artista plástico Emerenciano Rodrigues, realçar também este tema, que dá titulo a uma das suas obras plásticas, afirmando que, “a máscara faz parte da nossa vida. Há quem a ponha por necessidade e aqueles que colocam a mascara, esquecendo-se que um dia ela vai cair”.

Vítor Sá Machado, nasceu em Lisboa em 1947. Fez o Curso de Arte, Decoração e Design no IADE. Trabalhou como ilustrador e caricaturista para várias publicações. Criou adereços e cenários para vários programas e canais de televisão. Destacou-se ainda na criação de adereços, cenários e máscaras para diversas companhias de teatro. Entre a sua participação em exposições coletivas e individuais desde 1985, com escultura, cerâmica, objetos, pintura, aguarelas e caricatura, consta o Instituto de Camões, no Luxemburgo, incluindo agora o Museu de Ovar com a exposição “Máscaras”, como resultado do seu regresso “às origens”, Escalhão (Beira Alta), em que constrói esculturas através do aproveitamento de materiais da região.

Para falar do livro “Aurora” editado em julho de 2019 pela Editora Lena d’Origem, e da sua adaptação ao cinema através da curta-metragem com o mesmo título, o seu autor, Renato Roque, fez a ligação entre as “máscaras” o livro e o filme que realizou com Tiago A. Fonseca, produzido por Fictionary Road, com filmagens em terras de Rebordelo, no concelho de Vinhais, e no Teatro Helena Sá e Costa no Porto. Uma curta-metragem que desta forma se “estreou” em Ovar.

Renato Roque nasceu no Porto e nos anos 80 “descobriu que era possível contar histórias com a fotografia e que essa era a forma certa de expressar as suas dúvidas e de questionar as suas certezas sobre o mundo”. Realizou exposições individuais, participou em coletivas e publicou vários livros de fotografia, de ensaio, de ficção, entre outros géneros. “Aurora” é a sua primeira experiencia para o cinema, em que máscaras de anjos e diabos são as personagens de, “um texto escrito para dois coros: um coro de diabos e um coro de anjos”, que contam, “a história de Aurora, que vai desenhando uma linha paralela à da narrativa da Antígona de Sófocles”.

Nesta obra literária e cinematográfica, fica o desafio aos leitores e espectadores, para, “Êxodo. Que lições tirar da história”, narrada por…

Anjos:

Aurora, Aurora!

Tu procuraste a justiça,

Foste ao encontro da morte.

A liberdade enfeitiça,

Mesmo aquele que é forte.

Aurora, Aurora!

Eras ainda menina,

Faltava-te a sensatez.

Só na velhice se atina

Se doseia a altivez.

Creonte, Creonte!

Foste forte, foste brando,

Acabaste por ceder.

Mas a sorte não anda a mando

Nem de Zeus, se Ele o quiser.

Diabos:

Aurora, Aurora!

Não ouças quem te diz

que não foste sensata.

Aurora minha, maldiz

Gente que tudo acata.

Não alcanças só morte

Com tua força de menina.

Fazes tua a tua sorte

Contra a roda da fortuna.

Conseguiste eternidade,

Nem o Hades te vergou.

E só há felicidade

Que a liberdade forjou.

Ó Creonte, Creonte!

Pensaste que eras forte

E a ninguém tu ouviste.

Cedeste perante a morte

E tu nada conseguiste”.

 

Texto e fotos: José Lopes

01mar20

 

 

 

 

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