Menu Fechar

OVAR – FRAGILIZAÇÃO DOS SERVIÇOS DE SAÚDE REDUZ HORÁRIO DE CONSULTA ABERTA E FARMÁCIAS

Às medidas restritivas adotadas em vários serviços de saúde no concelho de Ovar, como o encerramento que se prolongou durante o mês de junho, das extensões e Polos de Unidades de Saúde Familiar em S. Vicente de Pereira, Arada, Furadouro ou Maceda, que aqui nos referimos na edição anterior do jornal, “deixando unidades de cuidados de Saúde primários fragilizados”, durante e após a fase mais crítica da Covid-10 que obrigou a uma “cerca sanitária”.

Novas decisões e medidas polémicas vieram agravar tais serviços, agora no que toca ao fim do serviço noturno das farmácias desde 1 de junho por decisão da sua organização representativa e viabilização do INFARMED, bem como a redução do horário das consultas abertas, que deixaram de funcionar até às 0h00. Uma medida do Agrupamento de Centros de Saúde do Baixo Vouga (ACeS Baixo Vouga), que parece enquadrar-se na decisão das Farmácias para justificar o fim do serviço noturno, o que obrigará a população a recorrer a Santa Maria da Feira, com todos os condicionalismos inerentes.

Estas estranhas opções a que os autarcas acusam de economicistas e incompreensíveis, estão a provocar alguma indignação junto das pessoas, por enquanto em desabafos de revolta nas redes sociais. Sentimentos de indignação, de quem não compreende, que na sequência do difícil período de luta contra a Covid no concelho de Ovar, com todas as medidas de exceção a que esteve sujeito, fiquem agora sujeitos a tais atitude das entidades competentes ao nível de serviços de Saúde fundamentais. Preocupações que Bruno Oliveira do PS e presidente da União de Freguesias de Ovar, São João de Ovar, Arada e São Vicente de Pereira, expressou na sessão da Assembleia Municipal de Ovar (17 de junho), tal como o fizeram o BE, PCP, PSD e CDS.

A inquietação é tanto maior, quando as promessas de retoma progressiva assistencial de cuidados de Saúde primários na Região de Aveiro, divulgadas pelo ACeS Baixo Vouga, que era suposto terem início a 1 de junho. Em Ovar continuavam demasiado contraditórias com as necessidades das populações, confrontadas com normas restritivas, mesmo no acesso a consultas nas USF a exemplo da João Semana, num período de contida normalidade em que há mais vida para além da Covid. Mesmo, considerando, como também reconhece o ACeS Baixo Vouga, que “a pandemia Covid-19 ainda não terminou, mas temos todos, em conjunto, a consciência da necessidade de retomar a abrangência de cuidados de saúde e a atividade clínica do ACeS Baixo Vouga e que são a essência da nossa missão”.

O referido prazo apontado pelo ACeS Baixo Vouga, seria antecedido de uma apresentação de “Plano de Ação para a Retoma” por cada Centro de Saúde, pretendendo assim, “registar uma dinâmica de coordenação de atividades localmente semelhante àquela que obtivemos no decurso do processo pandémico; o identificar medidas que colmatem as deficiências orgânicas e funcionais das nossas unidades e que, naturalmente, sobressaíram em contexto de crise; o evitar planos avulsos de unidades funcionais, com respostas pontuais e discrepantes, independentemente dos ajustamentos a características distintas das populações que servem”.

Foi ainda afirmado que, na primeira semana de junho, seriam realizadas reuniões com “Concelho Clínico e da Saúde os Conselhos Técnicos de todas as Unidades Funcionais e, mais uma vez, numa lógica de Centro de Saúde, bem como com as respetivas Autoridades Locais de Saúde”, de que resultaria “avaliação” do desenvolvimento deste “Plano de Ação para a Retoma”, e consequentes medidas sobre o diagnóstico do seu impacto, incluindo “ao nível dos regimes e horários de trabalho” e assim como a sensibilização da nova relação e acesso dos utentes aos serviços. Propósitos que as populações utentes das USF no concelho de Ovar continuaram ansiosamente à espera de verem corrigidas as medidas que mantêm algumas das extensões e Polos de Unidades de Saúde Familiar fechadas, entretanto agravado com o fecho do serviço noturno das Farmácias e a redução das consultas abertas, que funcionavam até às 24h. Medida que surpreendeu os ovarenses e que os deputados de Aveiro do Bloco de Esquerda, Moisés Ferreira e Nelson Peralta, requereram explicações ao Governo.

Na Assembleia da República o Bloco de Esquerda quer respostas do Governo

Começando por destacar a “incidência elevada de Covid-19 e uma propagação comunitária da doença” no concelho de Ovar, em que foi “levantada uma cerca sanitária”, e reconhecendo o Bloco, que “durante o momento mais agudo da situação epidémica, os cuidados de saúde primários concentraram esforços no acompanhamento dos diagnosticados, conseguindo evitar a hospitalização de muitas pessoas, assim como no acompanhamento à distância de todos os utentes do concelho”, e que sendo compreensível “num momento de concentração de esforços (…), alguns serviços tenham tido o seu funcionamento mais limitado”. Já não se compreende que, “numa situação em que se começa a retomar a atividade (e a recuperar outra que ficou suspensa) haja uma diminuição do funcionamento da consulta aberta no Centro de Saúde de Ovar e se mantenha o encerramento de várias extensões de saúde”.

É ainda afirmado que, “o SNS está neste momento a recuperar a atividade suspensa e a retomar a atividade normal. Espera-se, por isso, que os próximos tempos sejam intensos, como pode ser mais intensa a procura e a necessidade da população, uma vez que há condições clínicas que se podem ter agravado. Por tudo isto, toda a capacidade instalada deve ser aproveitada ao máximo, o que não acontece se se reduzem horários ou se se mantêm extensões fechadas”.

A estas questões o Bloco de Esquerda “quer respostas do Governo. Por que razão se reduziram horários e se mantiveram fechadas extensões de saúde? Há falta de profissionais para assegurar o pleno funcionamento de todos estes equipamentos? Então porque não se opta por contratar os profissionais necessários? São perguntas formuladas pelos deputados deste partido por Aveiro, porque, segundo nota à imprensa, “não se pode permitir é que os serviços públicos de saúde se tornem mais distantes ou inacessíveis, principalmente quando é preciso recuperar atividade e manter a vigilância sobre o estado de saúde geral da população, tendo em conta o grande impacto que a Covid-19 teve neste concelho”.

 

Texto e foto: José Lopes

Fotos: pesquisa Google

01jul20

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado.

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.