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OVAR SEM EFECTIVA REDE DE TRANSPORTES URBANOS VÊ AGORA SEREM REDUZIDOS HORÁRIOS DAS CARREIRAS

Já há várias décadas vem sendo reconhecida e assumida a falta de uma efetiva rede de transportes urbanos que ligue as várias freguesias e concelhos vizinhos, como São João da Madeira ou Santa Maria da Feira em que está localizado o Hospital São Sebastião, que estrategicamente secou as maternidades e os vários serviços de urgências que funcionavam nos hospitais concelhio a exemplo do Hospital de Ovar Dr. Francisco Zagalo. Concentração de serviços de saúde, neste Hospital em Santa Maria da Feira como urgências, consultas de várias especialidades, diferentes exames médicos e internamentos com respetivas visitas familiares, que exigiria simultaneamente uma aposta na garantia de serviços de transportes públicos de qualidade, considerando que esta unidade hospitalar passou a ser a referência, e a ausência de alternativas para quem não tem transporte próprio, neste caso da ligação entre Ovar/Feira.

Tal carência de transportes públicos nas ligações do concelho de Ovar, para quem precisa de recorrer aos vários serviços de saúde no Hospital São Sebastião em Santa Maria da Feira ou mesmo Hospital de São João da Madeira e Oliveira de Azeméis, com uma oferta de transportes que já era limitada. Foi entretanto agravada com as recentes alterações aos horários, que deixam os munícipes de Ovar e dos concelhos e freguesias servidas, ainda mais afetados nas ligações de carreiras como a de Furadouro/Ovar/Feira/São João da Madeira e vice-versa, que em ambos os sentidos perderam nos dias úteis a ultima carreira que saia do Furadouro às 19h30, passando agora a ser às 18h00, o mesmo acontecendo, mas de forma ainda mais confrangedora a partir de São João da Madeira, em que foram literalmente suprimidas a primeira e a última carreira que funcionavam nos horários das 6:00, passando para as 07h30, e a das 19h40 (última), passou para as 18h10. Supressões que deixam igualmente as ligações a São Vicente de Pereira, entre Furadouro e São João da Madeira também com reduzidas acessibilidades.

As novidades na alteração destes horários que incidem nos serviços de transportes assegurados pela empresa Inácio, tem a particularidade de terem sido introduzidas na fase de desconfinamento que se seguiu ao “cerco sanitário” que funcionou no concelho de Ovar. Período em que as ligações foram naturalmente afetadas e sacrificadas.

Mas, quando se esperava a sua normal reposição, com todas as medidas de segurança orientadas pela Direção Geral de Saúde para o transporte de passageiros. A surpresa, para a qual ainda não foi encontrada solução nem alternativa, foram não só as supressões de horários em dias úteis que entraram em vigor no dia 01 de junho, como de forma ainda mais radical, o fim destas carreiras ao fim de semana (sábados e domingos).

Perante tal decisão da transportadora, que promete, “iremos monitorizar a utilização e adaptar os horários caso se revele necessário. Assim como consoante a procura disponibilizar horários aos Sábado e Domingos”. Por enquanto, aos sábados e domingos, quem depende destes transportes para, por exemplo visitar familiares no Hospital de São Sebastião, fica sujeito a ter de recorrer eventualmente a táxis. Um recurso quando ironicamente estas entidades transportadoras ainda tentam fazer pedagogia com o apelo “Utilize os transportes públicos de forma responsável!”.

Na sequência destas medidas, de inevitável redução de custos, a carreira aos fins-de-semana que faz a ligação Furadouro/Ovar/Furadouro, foi igualmente suprimida, curiosamente quando se declara aberta a época balnear. Uma ligação sacrificada, tal como há muito vem sendo a carreira Ovar/Torrão de Lameiro/Torreira ao longo da Ria, que termina habitualmente no final do ano letivo, independentemente de quem não tem alternativa de mobilidade para Ovar e daí para outros destinos através do comboio.

Ainda que se possa ler na página online do Município de Ovar, que, “o sistema de acessibilidades e transportes desempenha um papel determinante na organização de um território, gerando-se em torno destes sistemas dinâmicas de aglomeração prementes para o desenvolvimento socioeconómico local”.

A realidade da deficiente oferta de transportes públicos e a falta de uma efetiva rede de transportes urbanos no concelho de Ovar, são contradições que há muito exigem resposta, mas que com as recentes medidas de redução de horários, ainda tornam mais premente soluções que garantam as correspondentes condições de mobilidade.

 

Texto e fotos: José Lopes

01jul20

 

 

 

1 Comment

  1. Maria Assunção elvas

    Estou absolutamente de acordo porque é realmente verdade o que foi relatado e mais um sugestão coloquem camionetas menos espaço. As pessoas que usam sao as que realmente as mais vulneráveis e sobretudo as mais pobres. Se baixassem o preço do percurso talvez trocassem o carro próprio e optasse mais pelo transporte público. Revejam se nas situações das pessoas.

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