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“Sorte” ou “Coincidência”?!

Weihua Tang

 

É verdade que os chineses adoram a numerologia. E eu, também não sou exceção, ou melhor dizendo, nasci “agarrada” a um número mágico, ímpar e incrível, como se fosse o meu “número da sorte”, pois esse influenciou imenso a minha vida real.

Dizem que o número sete (7) é o mais presente em toda a filosofia e literatura sagrada,  desde os tempos imemoriais, até aos nossos dias.

De facto, não me lembro exatamente quantas circunstâncias boas aconteceram comigo, por causa deste número fabuloso. Contudo, há sempre recordações inesquecíveis, tal como a data do meu nascimento. Sabem porquê?! Conforme o calendário gregoriano, nasci no dia sete (7) de maio e,  segundo o calendário lunar chinês, nasci no dia dezassete (17) de março. Ainda por cima, o meu signo do zodíaco é o “cavalo”, o qual fica no sétimo (7º) lugar dos doze animais. É apenas uma coincidência?!

Como sabem, a China começou a ter uma lei que se chamava “birth control”, no início dos anos oitenta do século passado. Então, a minha geração devia ter só uma criança. Tradicionalmente, os chineses consideram o apelido paterno como o “nome de família”, o qual é fundamental, importante e radical. Por isso mesmo, preferiam ter mais meninos do que meninas para que possam herdar o apelido e manter os ramos exuberantes da árvore genealógica.

Aliás, o meu marido é o único rapaz na vigésima-quinta geração dos descendentes da sua família, era óbvio que queriam ter um menino, após o nosso casamento. É impossível esquecer o que o pai do meu marido disse quando eu estava grávida.

– “Pai, quer um neto ou uma neta?”, perguntou o meu marido, enquanto olhava para ver a reação dele.

– “Pela razão, quero um neto, pelo sentimento, quero uma neta”! – respondeu o meu sogro.

Ora, esta resposta! Felizmente, saiu um resultado satisfeito e ideal para toda a gente, pois nasceu naturalmente o meu filho, o único menino na vigésima-sexta geração da família paterna.

Naquela altura, que era no início dos anos noventa, ainda não havia telemóveis, como hoje em dia. Portanto, os pais do meu marido aguardaram à porta do hospital para poderem apanhar a a grande novidade. Mal receberam a notícia, o meu sogro, recém avó paterno, sem hesitar, correu diretamente para os correios. Na mentalidade ocidental, não é fácil entender tal conduta, pois não?! Porque, para dar a novidade à sua terra natal, que fica no sul da China, ele foi enviar um telegrama, onde estava simplesmente escrito, “Parabéns por mais um rapaz”. Conseguem adivinhar?! Foi dia vinte e sete de maio (27/05)!

Além disso, tenho outra experiência, que é quase um “mito”, porém, com mais “força convincente” para partilhar.

Como habitual, comprei um bilhete de “economy class” para ir à China visitar a família, no verão de 2019. Para escolher o melhor lugar no avião, costumava fazer check-in, antecipadamente na agência de turismo. Enquanto estava a procurar o meu sítio ideal, no site da empresa aérea, o responsável  de repente, interrompeu-me.

­- “Olha, aqui aparece uma oferta na cabine executiva”! – exclamou ele.

– “Executiva ?!” – fiquei admirada, mas custou-me a acreditar no que ele disse.

– “É um lugar na Business Class”! – repetiu ele outra vez.

– “Quem me dera! É de borla?! Não é preciso pagar mais para mudar  de cabine?! – continuei a duvidar.

– “Claro que não. Vamos avançar para confirmar. Que grande sorte! Trabalho nesta área há tantos anos, mas nunca aconteceu comigo” – acrescentou ele.

Tenho de ser sincera, foi uma surpresa realmente muito agradável. Seja como for, já comecei a imaginar secretamente a primeira viagem na minha vida na “Business Class”, especialmente uma viagem tão longa, tão monótona, tão complicada e tão cansativa.

No momento de olhar para o meu “Boarding Pass”, não resisti esconder as minhas gargalhadas. O número claro, simples, bem conhecido e distinguido, que estava escrito na sequência do “Check-in” era o meu número de paixão — sete (7). Foi uma coincidência outra vez?!

Mas quando deitei um olhar para o número do “lugar”, fiquei ainda mais entusiasmada e surpreendida. Inacreditavelmente, o meu “lugar”era “5G”. Dramaticamente, isso tem muita a ver comigo. Pela alfabetização, a letra “G” é a sétima (7ª) letra. Então, a interpretação oriental do meu lugar é “57”. Afinal, é o meu aniversário! Parece-me que tudo estava destinado!

Incrivelmente, a viagem foi maravilhosa. E, quando o avião aterrou em Pequim, a capital da China, já era dia vinte e sete de julho (27/07).

 

Foto: WT

 

01jan21

 

 

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2 Comments

  1. Anabela Caldevilla

    Obrigada por mais uma maravilhosa e inspiradora partilha. Tudo de bom que te acontece é porque és uma pessoa muito especial e merecedora. Beijinhos grandes querida amiguinha

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