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Exposição “Primeiras Impressões de uma Paisagem”, de João Nisa, na “Solar” – Galeria de Arte Cinemática

A instalação “Primeiras Impressões de uma Paisagem”, de João Nisa, será apresentada na Solar – Galeria de Arte Cinemática, a 9 de janeiro. Concebida a partir de uma seleção do material do filme com o mesmo nome, atualmente em fase de conclusão, a instalação vídeo é composta por seis projeções.

Filmado no interior do Aqueduto das Águas Livres, nos arredores de Lisboa, o projeto de João Nisa assenta na utilização de um troço dessa estrutura arquitetónica como uma série de dispositivos de camera obscura, de modo a elaborar um estudo da paisagem envolvente, mediado pelas características particulares da forma de produção das imagens. A instalação apresentada na Solar propõe um percurso ao longo de um conjunto de projeções, procurando criar as condições para que cada uma delas possa ser apreendida em toda a sua singularidade, num contexto que acentua a forte dimensão percetiva e sensorial do projeto.

João Nisa nasceu em 1971, em Lisboa, onde vive e trabalha. Concluiu o curso de Cinema da Escola Superior de Teatro e Cinema (Lisboa), e a licenciatura e o mestrado em Ciências da Comunicação da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.

Dedicou-se à investigação das relações entre o cinema e a arte contemporânea, tendo escrito ensaios para publicações nacionais e internacionais sobre o trabalho de diversos cineastas e artistas. Foi professor na Escola Superior de Artes e Design (Caldas da Rainha), onde lecionou, durante cerca de dez anos, disciplinas relacionadas com a história do cinema e com o vídeo e o cinema experimental. Realizou o filme “Nocturno”, uma descrição visual e sonora do espaço abandonado da antiga Feira Popular de Lisboa, exibido em diversos festivais internacionais e programas. Tem vindo a desenvolver um trabalho no Aqueduto das Águas Livres, do qual a instalação “Primeiras Impressões de uma Paisagem” e o filme homónimo que se lhe seguirá constituem o primeiro resultado concreto.

Em “Intermitências”, no texto da brochura da exposição, Raymond Bellour afirma: “É espantoso, aliás, que fiquemos tão surpreendidos com aquilo que vemos quando fomos elucidados sobre o processo que permitiu a formação destas imagens, como quando o ignoramos completamente. A tal ponto o que é dado a ver constitui uma anomalia percetiva.”

Primeiras Impressões de uma Paisagem” poderá ser vista nos espaços da Solar entre 9 de janeiro e 27 de fevereiro de 2021. Paralelamente, no âmbito do Projeto Cave, dedicado à  obra de artistas emergentes, estará também patente na Solar a instalação sonora “A intersecção entre a rua Augusta e a rua da Conceição no dia 2 de Abril de 2020”, de João Farelo, gravada durante o período de pandemia e que pretende mostrar como uma cidade continua a viver apesar das ruas desertas e do seu aparente adormecimento.

 

Texto e imagem: Curtas Metragens CRL / Etc e Tal jornal

01jan21

 

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