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Espetáculo multidisciplinar para assinalar o Cantar os Reis em Ovar no âmbito do 150.º aniversário de António Dias Simões soube a pouco…

A conjugação da efeméride dos 150 anos do nascimento de António Dias Simões e do tradicional Cantar os Reis finalmente inscrito no inventário Nacional do Património Cultural Imaterial, resultou num espetáculo multidisciplinar “Troupe de Reis António Dias Simões”, que esteve agendado para os dias 08 e 15 de janeiro no Centro de Artes de Ovar (CAO), tendo-se realizado apenas uma sessão, uma vez que o agravamento das medidas de confinamento face à evolução da pandemia, acabaram por obrigar ao cancelamento da segunda sessão deste espetáculo, que deixou sabor a pouco, num público entusiasta e amante da tradição reiseira, num ano em que o Cantar os Reis, através das características Troupes dos Reis, acabou confinado, impossibilitando de celebrar o Dia de Reis como manda a tradição.

Tal como toda a programação cultural suspensa, ficou bem latente no público que já tinha garantido bilhete para uma segunda sessão, a enorme vontade de ver este espetáculo promovido pela Câmara Municipal de Ovar voltar o mais breve possível ao palco do CAO, tal foi a grandeza do trabalho apresentado sob direção artística de Pedro Martins, em que o ator Pedro Damião é protagonista de António Dias Simões.

Ator Pedro Damião, protagonista de António Dias Simões

O espetáculo multidisciplinar “Troupe de Reis António Dias Simões”, em que é recriada a vida e a obra daquele que é considerado como, o “Pai fundador” da tradição Cantar os Reis, explorou e deu a conhecer a extraordinária capacidade criadora de António Dias Simões, através de um projeto cultural que envolveu várias entidades e elementos da comunidade local, que construíram em cada cena representada no palco, um tal espetáculo memorável, que, para regalo e reconforto de uma entusiasta plateia, com todas as medidas de segurança exigidas, vibrou na sessão que escapou ao cancelamento e confinamento que se veio a impor um dia antes, impedindo que se repetisse no CAO a celebração da tradição do Cantar os Reis em Ovar com que encerra este espetáculo.

Luís Sá

As tradicionais letras e músicas reiseiras, originais e adaptadas de António Dias Simões e de vários outros elementos da sua família, com várias gerações dedicadas e com significativa obra reiseira que enriquece este património cultural, como os exemplos de Amélia Dias Simões e Edwiges Pacheco, proporcionaram uma justa homenagem à rica memória artística de António Dias Simões, com momentos de Poesia, encenação e coreografia de excertos de livros e peças da sua autoria. Momentos artísticos que tiveram ainda a colaboração de Alexandra Gondin, bisneta do homenageado, como seu irmão Rogério Pacheco, ou ainda Luís Sá, para além de Pedro Martins.

Alexandra Gondin, bisneta de António Dias Simões

“Troupe de Reis António Dias Simões”, apresenta-se fiel às origens, mas simultaneamente capaz de despertar novas vivências na cultura e tradições locais. Um projeto que resulta também do vasto programa de comemorações dos 150 anos do nascimento de António Dias Simões, com investigação e conceção de Fernando Frazão, incluindo uma exposição no Museu Júlio Dinis, igualmente cancelada.

Pedro Damião, ator

Entre os intervenientes do espetáculo multidisciplinar, foram vários os sentimentos de alegria e lamento por as atuais condições impostas pela covid-19 não permitirem a realização do segundo espetáculo agendado. Foi o caso do ator natural de Ovar, Pedro Damião, que na sua página do facebook deixou palavras imaginando-se em palco naquele dia em que se repetiria o espetáculo. “Hoje, sexta-feira e por volta das 21h00, um pontual ligar-se-ia à boca de cena; eu iria caminhar até ele e a minha voz embater numa plateia sem lugares vazios; atrás de mim uma cortina fechada e por detrás dessa cortina uma equipa gigante com a ânsia de entrar em cena”.

E acrescenta, “Nunca imaginei pertencer a um projeto deste tamanho, (…)”, mas, “quis esta renovação de estado de emergência ser injusta com quem persiste, com quem respeita as regras, com quem luta nas piores situações económicas, com quem sobrevive”. Sobre o espetáculo levado à cena e toda a sua envolvência, Pedro Damião, dirige “a quem participou e a quem assistiu: Obrigado! Que as memórias criadas no dia 8 de janeiro perdurem por muito tempo!”

Clara Gondim, trineta de António Dias Simões

Também Clara Gondin, que fez igualmente parte do grande espetáculo, em que foram intervenientes várias gerações da família Simões Dias, agradeceu publicamente na mesma rede social, “a todos os participantes pelo empenho, dedicação e paixão com que enfrentaram este desafio. Foi um espetáculo bonito, com gente de Ovar, que homenageou o meu trisavô António Dias Simões, impulsionador do que é agora Património Cultural Imaterial – A tradição de Cantar os Reis”, e concluiu, “como cantámos no espetáculo «P’ra quem não sabe o que é uma noite de Reis verá / Que não viveu tudo o que a vida nos dá»”.

 

Texto: José Lopes

Fotos: CMO Ovar/Cultura – Facebook

 

01fev21

 

 

 

 

 

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1 Comment

  1. João Cardoso

    Foi um excelente espectáculo que é decorrente do magnifico espólio do Cantar dos Reis (e não só) que nos deixou António Dias Simões! Decerto que uma grande maioria daqueles a quem foi possível assistir, fariam muito gosto de o voltar a repetir (fará quem não teve essa oportunidade …) assim como, estou certo, todos os que nele foram intervenientes. Pela sua riqueza, merece ser novamente apresentado este projeto, logo que tal seja possível.

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