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José Manuel Carvalho, presidente da Junta de Freguesia do Bonfim: “Nestes sete anos cumprimos o nosso objetivo fundamental, ou seja, sermos uma autarquia de seriedade, empenho e respeito!”

José Manuel Carvalho, presidente da Junta de Freguesia do Bonfim, eleito pelo movimento independente afeto a Rui Moreira está satisfeito, nestes dois mandatos à frente da autarquia, com o trabalho desenvolvido pelas equipas que formaram os seus executivos, bem como o efetuado por todos os funcionários. Sente-se entusiasmado; gostaria de terminar alguns projetos importantes para o Bonfim, a tal freguesia da cidade que é cada vez mais central; que concentra um leque considerável de investidores e que tem dado nas vistas, em termos turísticos, além-fronteiras.

Presidente de junta de uma freguesia que já teve mais de 42 mil habitantes, José Manuel Carvalho tem consciência da importância do Bonfim no contexto geral da cidade, por isso, o facto de ter sido cumprido um “espírito de ser”, e que, pelos vistos foi até hoje alcançado, ou seja, uma autarquia que se identifique pela seriedade, pelo empenho e pelo respeito.

José Manuel Carvalho ainda não sabe se vai recandidatar-se ao cargo nas próximas eleições Autárquicas, que serão realizadas este ano – para já -, entre meados de setembro e princípios de outubro, mas sabe que criou como que um “trilho” do qual a Junta dificilmente se arredará, e que, pelos executivos que liderou, foi traçado em prol do desenvolvimento da região.

Eis, então, José Manuel Carvalho, na primeira pessoa do singular, como líder da mais nova freguesia do Porto, mas que no próximo mês de dezembro comemorará 180 anos de existência… e onde este jornal está sediado.

Quais as obras, realizadas, diretamente, pela Junta de Freguesia do Bonfim, que destaca nestes últimos sete anos, ou seja nestes seus dois mandatos à frente de executivo?

“Nós de uma maneira geral fizemos muitas coisas. Desde o início do primeiro mandato, imprimimos à Junta um espírito de ser: seriedade, empenho e respeito, e que é extensivo a todos os membros do executivo e aos funcionários. Eu dividiria estes sete anos em duas fases: uma primeira, normal; e uma segunda, que é a que estamos a viver desde março do ano passado, relacionada com a pandemia, e que nos impede a todos de um determinado tipo de coisas. E isto porque a concentração tem de ser, fundamentalmente, nas áreas da Saúde e da Coesão Social.

Na primeira fase, desenvolvemos imensos projetos. Criámos a Casa d’Artes, que é ima infraestrutura onde procuramos promover a arte na freguesia e dedicada às pessoas da freguesia; criámos ainda um programa inovador em Portugal que foi o «Casa Reparada; Vida Melhorada» e que, neste momento, podemos dizer que há já cerca de cinquenta casas que foram, nitidamente, melhoradas e onde existe um conforto diferente daquele que existia anteriormente. Desenvolvemos também um outro tipo de programa a que chamamos «Remoçar», e que se destina a pessoas desempregada; com dificuldades de manutenção, e onde nós fazemos normalmente o fornecimento de alimentação – almoço e jantar -, e acompanhamos, essas pessoas e essas famílias, com psicólogos que procuram tentar avaliar o que está na origem das suas necessidades, e resolvê-las de forma a reintegrar as pessoas numa vida mais normal possível.

Na área da Cultura tivemos, e temos, uma intervenção interessante. Na da Juventude, parte escolar e cidadania fizemos imensa coisa, e, na última fase, aquando do ensino à distância, em abril de 2020, providenciámos uma série de computadores e de outros instrumentos necessários para os alunos poderem, em casa, fazer aquilo que é o seu trabalho.

Na área Social, nós temos, e tivemos sempre, uma enorme atenção às pessoas carenciadas da freguesia, com a distribuição de alimentação, roupa, e nesta última fase – a tal fase atípica – para além disso tudo, ainda o pagamento de rendas, água, luz, fornecimento de equipamentos de proteção… enfim, temos tido uma atenção muito grande nessas áreas. E isso só é possível, porque, quer o executivo, quer os funcionários, cumprem aquilo que foi o objetivo fundamental que traçámos desde o início, ou seja, ser a Junta do ser: seriedade, empenho e respeito, e acho que isso temos conseguido, felizmente, manter, não nesta última fase relacionada com a pandemia quanto ao tipo do trabalho que vínhamos desenvolvendo na globalidade, mas, pelo, menos acorrendo àquilo que é o mais importante e necessário, no momento, para a população”.

Nesta última fase – a relacionada com a pandemia -, houve também a colaboração da Junta do Bonfim com a sua congénere de Campanhã e com a instituição Benéfica Previdente, neste combate à pandemia?!

“Exatamente. Temos a carrinha comunitária que a Junta adquiriu e que está completamente ao serviço de uma associação na prestação de serviços e de cuidados a todos quantos estão infetados pela pandemia.

Isso é realmente interessante e, diga-se de passagem, importante, esta colaboração entre duas juntas…

…não é uma situação inédita, porque a própria Junta do Bonfim já terá tido uma parceria do género. Nós temos, entretanto, em curso aquilo a que chamamos o Conselho das Associações, que é o conselho social da freguesia, e onde estão cerca de trinta instituições que regularmente se reúnem e trocam, entre elas, ideias e condições para se ajudarem mutuamente, porque algumas das associações estão especificamente ligadas a determinado ramos; outras a outros, e a convergência desses dois ramos pode servir pessoas carenciadas.

ESTABELECEMOS UM DIÁLOGO PERMANENTE COM A CÂMARA, PARA QUE, DENTRO DAS SUAS COMPETÊNCIAS, SE RESOLVA DETERMINADO TIPO DE PROBLEMAS (…) E JÁ FORAM MUITOS!

Foto: Mariana Malheiro

Além do trabalho concreto e direto da Junta de Freguesia do Bonfim, há também a intervenção da Câmara do Porto na área. Câmara que foi das poucas que – contra factos não há argumentos, e este jornal já o referiu por diversas vezes -, teve uma atenção especial pela zona Oriental da cidade. Há, assim, uma intervenção de registo, da Câmara Municipal, na freguesia do Bonfim…

“Acho que sim. A relação entre a Junta e a Câmara é excelente. Normalmente, nós sinalizamos certos factos, damos a conhecê-los à Câmara, e às vezes insistimos em determinados aspetos, por exemplo no que diz respeito ao estado em que se encontram determinadas vias públicas, o arvoredo, a iluminação pública, etc. Estabelecemos, dessa forma, um diálogo permanente com a Câmara, para que, dentro das suas competências, resolva determinado tipo de problemas. Muitas vezes somos interpelados por fregueses por questões a resolver na via pública, e que pensam que são da nossa competência, mas não…”

Aquando do início das obras na Avenida de Fernão de Magalhães (foto: jg)
O futuro é presente na Avenida Fernão de Magalhães

E, refira-se que são bastantes os problemas nas vias públicas.

“Sim. São muitos. Aquilo que nós podemos fazer é estabelecer com a Câmara um diálogo, praticamente, permanente, e tentar que essas questões sejam resolvidas. Ainda não foram todas, mas já foram muitas! A nossa expectativa é que deste tipo de parceria, essas questões continuem a ser resolvidas daqui para a frente”.

O projeto do “Alexandre” que já se está a transformar em realidade (foto: Mariana Malheiro)
O “Alexandre” antes das obras – Foto: Mariana Malheiro
As obras no “Alex” vistas do Bairro do Bom Retiro, em junho de 2020 (foto: jg)

Mas, as obras no Liceu Alexandre Herculano – estas com a intervenção do Estado -; na Avenida de Fernão de Magalhães, e em outros pontos centrais da freguesia, foram iniciativas importantes…

“Não foram, são obras muito importantes. Naturalmente que qualquer obra causa sempre uma série de problemas às pessoas moradoras no respetivo local e a comerciantes. No fundo, não é agradável…

…mas tem de ser!

“Mas, sem obras não há evolução. É muito importante que essas obras sejam realizadas! Aliás, tem havido o cuidado da Câmara em criar determinado tipo de apoios, nomeadamente, para comerciantes em relação àquilo que são as dificuldades que eles sentem pela imobilização dos negócios durante um período de tempo”.

O BONFIM VAI-SE TRANSFORMANDO NA CONTINUIDADE DO CENTRO HISTÓRICO DO PORTO…

Mobilidade no Campo 24 de Agosto (pesquisa Web)

Um projeto que está na calha e que irá fazer renascer algo que está abandonado há cerca de três décadas, como é o caso do Ramal Ferroviário da Alfândega, é importante para o Bonfim, uma vez que, a maior parte da linha, se encontra na freguesia? Qual tem sido a intervenção da Junta nesta matéria?

“A nossa intervenção é muito relativa, dada a circunstância de não termos, diretamente, essa competência. Mas, dentro daquilo que referi há pouco, quanto à relação que existe entre a Câmara e a Junta, estamos dentro da questão, colaboraremos na medida em que a Câmara nos peça esse tipo de colaboração, e a Câmara da mesma maneira retribui-nos com aquilo que pedimos e que é urgente. Mas, temos que reconhecer que a Câmara não pode privilegiar uma zona em detrimento dos objetivos das outras.

Disse há bocado, e muito bem, que há muitos anos que nenhum executivo camarário dedicava tanta atenção à zona oriental. É bom realçar que quando as obras que estão em curso, e estão programadas para a freguesia de Campanhã, elas não são, exclusivamente, um beneficio para essa freguesia. São, em última análise, um benefício para a cidade, e, particularmente, também para o Bonfim, que é nitidamente uma zona que se vai transformando na continuidade do Centro Histórico do Porto. Se se reparar naquilo que tem sido o nível de construção, e de entrada de novos hotéis na zona… é impressionante! Depois, também a própria centralidade está definida pelo facto de, no Campo 24 de Agosto, existir um terminal rodoviário, que tem uma estação de metropolitano; que tem paragens dos autocarros, tratando-se, portanto, de um centro de grande mobilidade da cidade”.

É um intermodal no Bonfim…

“…é uma espécie de intermodal, exatamente!”

Falou nos hotéis que se instalaram na freguesia, mas acresce ainda o facto de outro tipo de investimento privado, designadamente israelita, para o megaprojeto destinado a habitação, no quarteirão entre a Rua do Bonfim e a Avenida de Camilo. Tudo isto ajuda a que a freguesia seja elogiada, por exemplo, como destino turístico a nível internacional?

“Sim. Temos também uma medida que não é visível porque não é necessário que seja – e nós também não trabalhamos com o objetivo da visibilidade; trabalhamos com o objetivo de cumprir um determinado tipo de missão, que é aquela que está atribuída. Mas dessas empresas que referiu, por exemplo, a «Blip», foi uma que teve um apoio enorme da Junta na sua instalação e nas condições que as utiliza para o seu desenvolvimento, retribuindo  esse esforço da Junta –  isto é uma parceria verdadeira – ao colaborar muito connosco, na cedência de computadores a alunos carenciados.

As próprias obras do Liceu Alexandre Herculano, como saberá, foram insistentemente solicitadas – há muitos anos que eram reclamadas -, e só avançaram com o apoio objetivo da Câmara Municipal do Porto, que se decidiu colaborar com o Governo, por exemplo, responsabilizando-se pela construção do pavilhão gimnodesportivo, em detrimento de um outro equipamento do género que tínhamos programado para a zona das Eirinhas. Não se desistiu desse projeto – a Câmara mantém esse projeto! -, mas em termos de prioridade, entendeu-se, e a Junta compreendeu, que o importante era a intervenção num estabelecimento de ensino com as caraterísticas e com o passado do Liceu Alexandre Herculano. Eu ainda lhe chamo «Liceu» porque também o frequentei…”

O PROJETO DAS EIRINHAS NÃO ESTÁ ESQUECIDO! DE MANEIRA ALGUMA!

Rui Moreira, José Manuel Carvalho e o projeto… das Eirinhas

Eu também o frequentei. Mas, o projeto das Eirinhas não estava confinado somente ao projeto do pavilhão gimnodesportivo, está também para lá projetada habitação, alguma da qual destinada aos moradores do demolido Bairro do Aleixo…

“Claro! Mas toda a colaboração que a Câmara prestou, criou fatores que ponderaram favoravelmente na decisão do Governo de acelerar e, assim, andar para a frente com as obras”.

Nas Eirinhas…

Seja como for, o projeto das Eirinhas não está esquecido numa gaveta qualquer!?

“Não! De maneira alguma! Nós mantemos esse projeto. Aliás, esse projeto vai avançar na parte relacionada com o edificado, ou seja, de casas de renda controlada, não sendo assim um bairro social, e o pavilhão gimnodesportivo, provavelmente, só no próximo mandato, porque as opções, como disse, foram prioritariamente para o pavilhão do Alexandre Herculano”.

A CRIAÇÃO DA «CASA D’ARTES» NÃO FOI COM O OBJETIVO DE SER UM ESPAÇO ELITISTA

No aspeto cultural, falou da Casa d’Artes. Pergunto, se ela tem sido bem gerida? Não é uma Casa um tanto ou quanto destinada a um público específico…elitista? E depois, houve outra posição assumida pela Junta – que se realça -, que foi a homenagem, com uma estátua às carquejeiras… às tais mulheres escravas, projeto no qual este jornal também esteve envolvido…

“Uma Casa elitista?! Não, de maneira nenhuma, porque o objetivo subjacente à criação da Casa d’Artes não foi o de ser um espaço elitista, como diz. Portanto, não foi destinada a exposições e vivências de determinado tipo de cultura, mas, isso sim, para fomentar a cultura junto da população. E fruto disso está o facto de termos estabelecido uma parceria com a Faculdade de Belas Artes, que fica na freguesia do Bonfim, no sentido de alunos finalistas poderem desenvolver cursos das mais variadas artes – desde a pintura à escultura – para pessoas carenciadas do Bonfim. Se me perguntar, se  já atingimos completamente esse objetivo? Respondo: ainda não! E isso por variadíssimas razões, e uma das quais, no último ano e meio, a dificuldade que temos na concentração quer de pessoas, quer de meios para se poder desenvolver esse tipo de atividade. Mas, subjacente à criação da Casa d’Artes estava esse espírito, e já se fez bastantes coisas lá, e ainda lá continua a funcionar uma escola de música, e, agora a hipótese de se fazer um orfeão da freguesia, que está em formação e que poderá vir a concretizar-se a curto ou a médio prazo”.

PERPETUAR O ESFORÇO DAS CARQUEJEIRAS FOI UMA FORMA DE CHAMAR À ATENÇÃO DAS NOVAS GERAÇÕES PARA QUE JAMAIS CONSINTAM SITUAÇÕES DESSE TIPO

E depois, como salientei, a tal estátua que é símbolo das mulheres escravas, como foram as carquejeiras… e que se encontra ao cimo da íngreme rampa pela qual subiam transportando carqueja, isto já nas Fontainhas.

“Quanto à estátua, tivemos uma atuação verdadeiramente decisiva, porque a Câmara colaborou nesse projeto…”

…mas, muito nas entrecenas.

“ A intervenção direta e importante foi a da Junta, nomeadamente a constituição da Fundação para a estátua etc. Isso foi suportado pela Junta de Freguesia do Bonfim. E nós fizemos isso porque achamos que evidenciar o que foi o tipo de vida de determinadas pessoas, durante muito e muito tempo, e que era uma espécie de escravatura encoberta, fazia e faz todo sentido. É importante relevar essas coisas para poderem servir  como que de lição para o futuro. Ou seja, aquilo que as carquejeiras, efetivamente, sofreram, nós gostaríamos que, futuramente, mais ninguém viesse a sofrer , e perpetuar esse esforço é uma forma de chamar à atenção para novas gerações daquilo que foi a vida dessas mulheres, procurando motivar as tais novas gerações para que jamais consintam situações desse tipo”.

TEMOS MUITA GENTE QUE COMEÇA A NÃO TER CONDIÇÕES, QUER PARA O ASPETO BÁSICO DA ALIMENTAÇÃO, QUER PARA O PAGAMENTO DA ENERGIA, DA ÁGUA E RENDAS…

Foto: Pedro N. Silva

Regressando à pandemia, ela a afetar um sem-número de coletividades e instituições, isso sente-se no Bonfim?

“Claro que sim, ainda há pouco lhe referi que nós temos, quer de uma forma direta quer indireta, estado muito atentos a todas essas situações. A ligação entre a Junta e o ACES Porto Oriental tem sido muito importante e temos procurado, na medida das nossas possibilidades, colaborar com o ACES no sentido de facilitar tudo o que seja possível para minimizar os impactos da doença. Por outro lado, os efeitos no rendimento das pessoas são, extraordinariamente, visíveis, e temos muita gente – ou porque perdeu o emprego, ou porque está numa situação de desemprego parcial, que começa a não ter condições, quer para o aspeto básico da alimentação, quer para outros aspetos, também ele básicos, como o pagamento da energia, da água e, às vezes, de rendas – que a nós recorre, obrigando-nos, por assim dizer, a um esforço muito grande para dar resposta a essas situações…”

…as juntas de freguesia deveriam ter um maior apoio do Estado central para desenvolverem esse trabalho, uma vez que estão, no fundo, mais próximas da população e têm conhecimento, ao pormenor, dos problemas?

“Claro que sim, mas eu acho que um dos princípios que tenho seguido na minha vida, e, naturalmente, no exercício desta função, – que nunca esteve no meu horizonte, mas, pronto, agora que o assumi tenho que procurar cumpri-lo com a dignidade que se impõe -, tenho, repito, por sistema., nunca me lamentar do que não tenho. Procuro tirar o maior partido do que tenho!”

Não é reivindicativo!?

“Eu reivindico na altura própria e no sítio próprio, mas não faço disso perda de capacidade para gerir com o que tenho o melhor que posso. Portanto, com as condições que nós temos, garanto que fazemos tudo o que está ao nosso alcance. Gostaria, evidentemente, de ter mais, mas não é pelo facto de não ter mais que não procuro gerir bem aquilo que, apesar de tudo, tenho.

Dou, por exemplo, a ligação da Junta de Freguesia do Bonfim, e das outras autárquicas, com a Câmara do Porto, no Orçamento Colaborativo. A Junta de Freguesia do Bonfim nesse Orçamento Colaborativo nunca introduziu qualquer programa próprio, foram sempre programas de associações, instituições e pessoas que foram contempladas, e a Junta, apesar disso – ou seja, de alguns que não foram contemplados pelo respetivo júri -, chamou a si a execução desses projetos. Ainda há pouco lhe falei da carrinha comunitária, e ela foi um projeto da Casa dos Açores para o Orçamento Colaborativo. Nós podíamos ter esse projeto, o júri ter aprovado, e a Câmara pagava a tal carrinha comunitária, mas a Junta achou que essa era uma obrigação, particularmente, importante da Junta e portanto solicitou ao júri que fizesse o seu julgamento natural e normal; esse projeto foi eleito, e nós a partir do momento que ele foi eleito dissemos ao júri que podia eleger mais projetos nesse valor, porque, esse, a Junta chama-o a si própria”.

NÃO TEMOS DIFICULDADES FINANCEIRAS, PORQUE GERIMOS MUITO BEM OS DINHEIROS QUE TEMOS

Foto: Pedro N. Silva

Em termos de Orçamento, como é que se encontra a Junta de Freguesia do Bonfim?

“Por consenso entre as forças que se encontram representadas na Assembleia de Freguesia decidimos, desde o início, que a Junta tem de ter sempre um plafom de segurança para determinadas condições de exceção. Portanto, temos esse plafom de segurança, mas tudo o resto, procuramos atribui-lo, da maneira mais racional e justa possível, para as verdadeiras carências da freguesia, nomeadamente, a questão da Ação Social”.

Quer com isso dizer, que as coisas estão bem, nesse campo…

“Sim, felizmente, que não temos dificuldades financeiras, porque gerimos muito bem os dinheiros que temos, Aliás, nós pertencemos ao movimento que se arrogava estar nesta história com «contas à moda do Porto» (risos), portanto a Junta do Bonfim, fiel a esse princípio, tem contas à moda do Porto, ou seja, gasta tudo o que pode, mas não gasta mais do que aquilo que pode.”

AINDA NÃO TENHO UMA DECISÃO TOMADA, QUANTO A UMA RECANDIDATURA

Em entrevista ao Etc e Tal, em fevereiro de 2017 (foto: Pedro N. Silva)

É, natural, que passados sete anos, há sempre trabalhos por fazer, porque há objetivos, com certeza, por concretizar. Alguns desses objetivos vão ser concretizados consigo, uma vez mais, à frente da Junta de Freguesia do Bonfim? Ou melhor, vai recandidatar-se?

“É muito prematuro…”

Prematuro?! Falta cerca de meio ano para as eleições…

“Muito francamente acho – e esse era um dos meus objetivos, quando assumi o exercício da função – que há muita coisa que foi feita, e há muita coisa que não se consegui fazer e gostava de ter feito. Mas, há uma outra coisa que é importante: estou convencido que ficam sinais para quem quer que venha, seja eu, ou seja quem for, tenha um rumo bem definido e objetivos muito bem traçados sobre quilo que é, verdadeiramente, importante na gestão de uma junta de freguesia, como esta do Bonfim”.

Fiz a pergunta que fiz, porque sei que quando alguém está a chegar ao final do seu mandato, seja em que instituição for, gosta de levar as coisas até ao fim, que é como quem diz, concretizar os seus objetivos. Seguindo esta linha de raciocínio, estava à espera que me dissesse que ia recandidatar-se…

“Por uma questão de respeito por si e por toda a gente, não tenho uma decisão tomada, pelo que não é justo, e correto, estar a definir qual vai ser a minha atitude futura. Vamos ver. Tudo depende de muitas coisas , e, em primeiro lugar, obviamente, depende de mim próprio, no sentido de saber, ou não, se me sinto com a capacidade de procurar dar o ritmo de trabalho que, podem as pessoas ter a certeza, que é muito mais intenso do que aquilo que se pensa, para um presidente de junta”.

A MINHA RELAÇÃO COM TODOS OS PARTIDOS É EXCELENTE!

Caso se recandidate, fá-lo-á, por certo, pelo movimento independente ligado ao presidente da Câmara, Rui Moreira, independentemente de algumas limitações que estão a surgir no que concerne à nova lei eleitoral para as Autárquicas…

“… eu nem sequer sei, oficialmente, se o senhor presidente, doutor Rui Moreira se vai recandidatar-se?! (risos)

Parte-se do princípio que sim, atendendo a todo o quadro que está criado quanto à continuidade de um trabalho. Isso é público e notório…

“Partindo desse princípio, logo se verá. Não sou, nem nunca fui, filiado em partidos políticos, com o maior respeito que tenho por todos os partidos, mas essa questão de «desfiliação partidária» é uma das coias que me tem dado maior satisfação no desempenho do meu cargo, porque sinto que, não estando vinculado a um determinado partido, tenho uma liberdade de decisão que tem a ver com a minha maneira de ser e não com aquilo que me imponham…”

E o movimento independente nada impõe?!

“Exatamente! Isto não impede que a minha relação com todos os partidos seja excelente. Olhe, tem um exemplo: um senhor que foi candidato pelo Partido Comunista, na primeira eleição (há sete anos) à qual eu concorri,  é, hoje, membro do meu executivo. Refiro-me ao doutor Hugo Pinho. Isso significa que, para mim, não é importante o partido a que cada pessoa pertence, mas sim a personalidade da pessoa, a sua capacidade e o facto de ser enquadrável no tal espírito do «ser»: seriedade, empenho e respeito”.

TENHO MUITA PENA DE NÃO TER PODIDO CONCLUIR MUITA COISA QUE GOSTAVA DE TER FEITO…

Foto: Pedro N. Silva

Surpreendeu-o Rui Moreira à frente da Câmara Municipal do Porto nestes sete anos?

“Conhecia o doutor Rui Moreira muito vagamente e apenas pelos contactos que tinha. Na altura, ele era comentador na televisão etc. portanto, tinha uma ideia vaga sobre ele. Mas, a partir do centenário do Académico Futebol Clube, quando eu pedi, como dirigente, a cedência do Palácio da Bolsa para o jantar comemorativo desse aniversário, e onde foi assinado com a Câmara do Porto, da altura, o contrato de cedência e permuta de terrenos entre a autarquia e a Santa Casa da Misericórdia do Porto – o que beneficia o Académico a longo prazo -, só nessa altura é que o conheci de uma maneira pessoal. E esse conhecimento estabeleceu entre nós uma estima, que depois se transformou naquilo que o senhor doutor Rui Moreira entendeu, ao convidar-me para ser candidato à Junta de Freguesia do Bonfim. Eu, numa primeira fase, fui um pouco relutante, mas depois acabei por perceber que fazer um trabalho de cidadania também faltava no meu currículo e estou a fazê-lo com o maior empenho…”

…e satisfação, pelos vistos.

“Tenho muita satisfação por muita coisa, e tenho muita pena de não ter podido concluir muita coisa que gostava de ter feito”.

Vamos esperar mais quatro anos. Estamos a terminar esta nossa conversa. Quer acrescentar algo mais de relevante?

“Fizemos o sumário destes sete anos da minha atividade como cidadão e não como político, sem eu nada ter contra os políticos, pelo contrário, respeito-os a todos. Aliás – e mais um exemplo -, a senhora candidata do Partido Social Democrata às últimas eleições para a Junta de Freguesia do Bonfim, faz parte do meu executivo, refiro-me a doutora Adelaide Santos, que uma pessoa fantástica, com qualidades fantásticas. Portanto, eu tenho um respeito enorme pelas pessoas que estão vinculadas aos partidos e sem as quais não era possível manter a democracia”.

 

Entrevista (via telefónica) realizada a 10fev21 e conduzida por José Gonçalves

Fotos: Arquivo Etc e Tal jornal e pesquisa Web

 

01mar21

 

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