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Ah, viajar…

Ricardo Guerra

 

Ah, viajar…! Essa arte de atravessar o horizonte do nosso conforto e descobrir novos mundos, mergulhar em novas culturas, ficar embevecidos com a beleza e a História de novos países, novas cidades… Viajar é compor o museu da nossa alma com novas memórias penduradas na parede: pinturas de momentos, recordações e conhecimento. Viajar é sermos maiores que nós mesmos, viajar é ser feliz!

Mas onde cabe o verbo “viajar” no dicionário desta pandemia? O medo de contágio, as regras higiénicas e todos os contigentes sanitários cortaram-nos as asas e confinaram-nos à gaiola das nossas casas. E ainda que muito estimemos as nossas quatro paredes, a verdade é que também nos falta o ar livre, a frescura de novos ares.

Vejo-o em minha casa de uma forma muito clara. Porque a própria antecipação das férias, o desejo e a ansiedade pelos momentos futuros que iremos viver em família é saudável. É uma fonte de felicidade o planeamento perfeito de cada instante, com vista a usufruir de momentos inesquecíveis. Dá até esperança para suportar os dias de labor mais cansativos. No entanto, neste momento, essa falta de férias torna-se uma ávida carência que, em bom português, “nos deixa a dar em doidos”.

Contudo — e esta pandemia tem vindo a provar isso mesmo — o ser humano tem uma capacidade incrível de se adaptar às circunstâncias. E se não podemos ir ter com o conhecimento, o conhecimento vem ter connosco. O website português da National Geographic promove dez museus virtuais portugueses e o sítio Lisboa Secreta promove mais de 500 museus virtuais em todo o mundo para visitar de forma gratuita (ambos os links disponibilizados abaixo). Se, por um lado, é incrível perceber como o conhecimento e a arte ultrapassam as barreiras da presença física para transmitir a sua mensagem, creio que é assombrosa a evolução tecnológica que temos vivido nos últimos tempos, que permite que experiências tão realistas como estas se encontrem disponíveis para todo o público!

Além disso, têm sido feitos esforços diplomáticos conjuntos para permitir que se comecem a realizar viagens para o estrangeiro, pouco a pouco. Uma delas é o tão célebre quanto polémico “Passaporte Covid”. Denominado também de “Certificado de Vacinação” ou ainda “Certificado Verde Digital”, este precioso documento deverá “permitir a entrada de viajantes que já tenham sido vacinados e sejam provenientes de outro país”.

O artigo disponibilizado abaixo afirma que este documento pode constituir uma violação da proteção de dados, na medida em que revela informações confidenciais dos seus utilizadores a toda a União Europeia. No entanto, creio que para quem de facto pretende viajar, a disponibilização destes dados não é, de maneira nenhuma, “grave”, já que outros documentos como o passaporte e o cartão de cidadão (indispensáveis para viajar) também os contêm. Além disso, creio que o próprio contexto pandémico e a necessidade de manter a segurança sanitária nas viagens, exige que situações como esta sucedam sem entraves.

E enquanto a vacina não chega? O céu é o limite para a imaginação: podemos ouvir música, ler livros, esgotar o stock de séries da Netflix… Ou até descobrirmos a veia artística que pulsa no nosso interior! Podemos pintar, escrever, desenhar e criar os nossos próprios mundos, enquanto o nosso parece estar em suspenso. Há todo um mundo de possibilidades que nos permite viajar sem sairmos de casa ou sequer do nosso próprio quarto… É tudo uma questão de nos sabermos reinventar!

É certo que ainda nos encontramos longe dos áureos dias em que podíamos viajar livremente, tanto no nosso próprio país como no exterior… Contudo, é também certo que a cada dia que passa nos encontramos mais próximos desse objetivo. Por isso, devemo-nos tentar manter firmes e sãos apesar de tudo!

 

Foto: pesquisa Web

 

01abr21

 

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