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Memórias do urinol

Miguel Correia

 

Os tempos recentes alteraram imenso – e em pouco tempo – hábitos e atitudes que considerávamos normais. Os piropos às senhoras são exemplo de um gesto de cortesia e galanteio que caiu em extinção. Agora, pelas nossas ruas, elas circulam aparaltadas, mas desconhecem o seu grau de charme e encanto. Apreciadas em silêncio, quase como aqueles mausoléus que nem os cães se aproximam para alívio imediato. Neste momento, no meio de alguns insultos, alguns desistiram de ler a crónica. Porém, quero deixar claro que não faço parte dos machistas intolerantes, com mania que são um pedaço-de-carne irresistível às mulheres. Pelo contrário, não me considero herdeiro da tradição “macho latino” e defendo a igualdade no tratamento entre sexos. Assim sendo, desde já, aviso que o que resta deste texto tem palavras e ctos reservados aos homens e, como tal, aconselho as senhoras (se não desistiram nas primeiras linhas) a virar a página para temas mais interessantes.

O urinol é um dos locais mais ingratos para o homem. Por vezes prefiro fletir os joelhos, contar até cinquenta e despachar o assunto atrás de um arbusto. Pequeno habitáculo frequentado por malta aflita que, em regra, não prima pela higiene. É incrível a falta de controlo de alguns que conseguem molhar os sapatos quando apenas deveriam acertar numa parede ou peça sanitária presa à altura dos acontecimentos. Um autêntico dilúvio! O constrangimento obriga, por vezes, à utilização do urinol em formato de grupo. Defendo que, apesar de existirem vários, é tarefa que se deva levar a cabo com alguma dose de isolamento. Sim, é verdade que, mais cedo ou mais tarde, a tendência é lançar um olhar de soslaio para saber se a galinha da vizinha é melhor que a nossa. E confesso que depois deste gesto impulsivo, o ego de cada um pode ficar fortalecido ou, então, completamente de rastos. A pandemia trouxe limitações até à utilização dos urinóis. Não é permitido ter alguém ao nosso lado. Os termos de comparação estão em suspenso. Ou os salpicos daqueles que não conseguem controlar o que têm nas mãos…

 

Foto: pesquisa Web

 

01abr21

 

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