Menu Fechar

150 anos da morte de Júlio Dinis evocados em Ovar

Para evocar os 150 anos da morte de Joaquim Guilherme Gomes Coelho, eternizado como Júlio Dinis e os 25 anos do Museu Júlio Dinis – Uma Casa Ovarense, a Câmara Municipal de Ovar tem vindo a promover, com o envolvimento e articulação de vários agentes culturais locais, um vasto conjunto de iniciativas no âmbito da programação especial, que visam promover e valorizar a presença do médico e escritor Júlio Dinis em terras de Ovar.

 

José Lopes

(texto e fotos)

 

Desde o Verão de 1863, em que já chegou diagnosticado com tuberculose, procurando a região para se tratar, apanhar o ar da brisa marítima e descansar, na Casa dos Campos, então propriedade de sua tia paterna, D. Rosa Zagalo Gomes Coelho, em que, segundo investigações literárias, ali (atual Museu Júlio Dinis) se terá inspirado para alguns dos seus principais romances, como As Pupilas do Senhor Reitor e A Morgadinha dos Canaviais, que integram a vasta obra literária dinisiana.

Destacam-se na programação, iniciativas como o Concurso Literário e de Ilustração “Júlio Dinis em Ovar”, promovido em parceria com a Biblioteca Escolar da Escola Secundária Júlio Dinis (Agrupamento de Escolas Ovar Sul), que vai ser inaugurada no dia 12 de setembro, com uma cerimónia que inclui a entrega dos Prémios do Concurso Literário que decorreu até 15 de junho.

Nesta oferta cultural evocativa dos 150 anos do falecimento de Júlio Dinis, a programação teve o seu início com uma Residência Artística de Rui Pedro Lamy, com a produção do documentário “Júlio Dinis em Ovar”. Seguiu-se a arte da encenação com a Associação de Teatro e Sonoscopia – Sol d´Alma, a desenvolver um espetáculo de rua com a participação da população, para representar “Pelo Canto da Sereia”, uma adaptação, encenação e direção artística de Leandro Ribeiro, do original O Canto da Sereia. Uma das obras de Júlio Dinis menos conhecida, mas segundo a organização, a mais ambientada entre pescadores na costa do Furadouro. “Conta a história de um jovem pescador que se apaixona por uma voz que lhe chega do mar em noites tormentosas”.

Este projeto artístico que envolveu mais de 70 participantes, e “que pretende aliar a identidade vareira ao património arquitetónico da cidade, realizou os espetáculos no Centro Histórico da Cidade, no largo com bifurcação para arruamentos como a Travessa João das Bichas, personagem do romance de Júlio Dinis, Pupilas do Senhor Reitor, que funcionou como cenário nas várias cenas deste projeto teatral com estreia no dia 24 de julho, inserida na programação cultural do Dia do Município de Ovar (25 de julho). Uma performance de “rua para o mar” que resultou da encenação de um drama que marcou mais um grande momento do trabalho desenvolvido pela Sol d´Alma, nesta coprodução, que teve um elenco fixo composto por: Beatriz Moreira, Cláudia Dias, Luís Rola e Marco Nunes. E as participações especiais de Alberto Pinto (Tocador de Búzio) e Sofia Costa (Cantora Lírica).

Da vasta programação evocativa, registam-se exposições “O Canto da Sereia”, ilustrações de Pedro Podre, no Furadouro, até 19 de setembro. E com o mesmo titulo, “O processo criativo de Pedro Podre”, na Biblioteca Municipal de Ovar, com inauguração a 10 de setembro e “Oficina de Ilustração” no dia a seguir. Uma outra inauguração acontece já no próximo dia 4 deste mês, da exposição com os trabalhos apresentados ao Concurso Literário e de Ilustração, no Museu Júlio Dinis, em que serão ainda dinamizadas “Oficinas Vamos Ilustrar”, de 16 de outubro a 20 de novembro.

Os 150 anos do falecimento de Júlio Dinis, são igualmente tema de evocação do Festival Literário de Ovar 2021, que vai decorrer de 8 a 12 de setembro, em que será lançada a edição comemorativa de “O Canto da Sereia”. Uma evocação que culminará no dia 14 de novembro, com uma visita orientada e almoço literário “À Mesa com Júlio Dinis”, no âmbito de um Encontro Dinisiano no Museu Júlio Dinis.

Com esta programação verdadeiramente especial, Ovar presta uma singela evocação a Júlio Dinis, autor clássico da literatura portuguesa, que faleceu no Porto em 1871, com 31 anos de idade. O escritor publicou em vida, vários romances, como As Pupilas do Senhor Reitor, em 1867, Uma Família Inglesa e A Morgadinha dos Canaviais, em 1868, tendo ainda, reunido vários contos nos Serões da Província. No ano da sua morte, viria a ser editado o romance Os Fidalgos da Casa Mourisca. Já quanto às suas Poesias, só postumamente viriam a ser publicadas. Os Inéditos e Esparsos, em dois volumes, editados em 1910. Mais tarde, em meados do século XX foi compilada a sua obra na área do teatro.

 

01set21

 

 

 

 

Partilhe:

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.