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“A Feira do Livro é uma realidade cultural determinante na vida do Porto e do país!”, palavras do Presidente da República na abertura do certame

 Teve, na passada sexta-feira (27ago21) início mais uma edição da Feira do Livro do Porto. Até ao dia 12 de setembro, há muito para descobrir nos Jardins do Palácio de Cristal, onde se cumpriu a tradicional visita do Presidente da República. Com o presidente da Câmara do Porto a acompanhá-lo, Marcelo Rebelo de Sousa percorreu todo o recinto e deixou rasgados elogios ao evento.

Tendo passado por cada um dos 124 expositores, tanto o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, como o presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, fizeram questão de levar consigo alguns volumes, sem se negarem às fotografias e aos cumprimentos de quem visitava o recinto.

“Quero agradecer ao Presidente da República por, mais uma vez, nos acompanhar na abertura da Feira do Livro. É um homem que gosta dos livros e da cultura”, tinha-se congratulado Rui Moreira, durante a sessão de apresentação do famoso Herbário de Júlio Dinis, autor evocado na edição deste ano do festival literário, no auditório da Biblioteca Municipal Almeida Garrett.

 Agradecendo às equipas que, “numa situação difícil, conseguiram montar mais uma Feira do Livro”, o autarca notou que o evento é mais do que “uma simples venda de livros”. “Todos os anos tentamos surpreender e surpreender-nos na escolha do autor homenageado. Júlio Dinis é dos autores mais ignorados, mas a pandemia mostrou-nos que o Romantismo está presente. Olhando para o futuro, nas relações entre nós, e nas relações de nós com a natureza. Não é apenas uma homenagem, pensamos na realidade atual fazendo uma interpretação do passado”, acrescentou.

Num discurso em que começou por confessar sentir “surpresa e agradecimento” pelo que tem sido o desenvolvimento da Feira do Livro do Porto, Marcelo Rebelo de Sousa salientou que, o evento “é, hoje, uma realidade cultural determinante na vida do Porto e de Portugal.”

“Há uma continuidade entre a improvável Feira de 2020, que celebrou a Revolução Liberal do Porto nos seus 200 anos, e esta Feira do Livro, mais provável, vividas três vagas mais de pandemia. É uma continuidade lógica: 1820 foi uma revolução romântica. Uma revolução liberal, individualista, mas também romântica. D. Pedro IV era um romântico, e este ano é o Romantismo o tema da Feira do Livro do Porto. Assenta ao Porto como a mais nenhuma cidade. O Porto cultiva a liberdade, é individualista e romântico. É incorrigivelmente liberal, incorrigivelmente individualista, e incorrigivelmente romântico”, sublinhou.

Apelidando de “verdadeiramente notável” a programação desta Feira do Livro, Marcelo Rebelo de Sousa considerou “justíssimo” reavivar a memória de Júlio Dinis. “Aprendeu-se a ler com Júlio Dinis, manteve-se o diálogo entre campo e cidade com Júlio Dinis. O Herbário é um exemplo de paixão, de projeção de Júlio Dinis para além da vida”, apontou o Presidente da República.

“A Feira do Livro é um ponto de encontro para aqueles que amam o livro. Descobre-se e aprende-se sempre na Feira do Livro. Felicito o Município pelo que tem sido esta progressão em poucos anos, saudando o reavivar da memória de Júlio Dinis, e o reavivar do Museu da Cidade – Extensão do Romantismo, que pode ao mesmo tempo ser do Romântico e do futuro”, vincou Marcelo Rebelo de Sousa, concluindo: “O Porto é um caso singular, que arde intensamente, mas que dura para sempre.”

O coordenador da programação da Feira do Livro do Porto, Nuno Faria, também diretor artístico do Museu da Cidade, frisou que “nenhuma obra é mais emocionante do que o Herbário” na produção de Júlio Dinis. “Herborizar, o ato de fazer herbários, era uma prática comum que se estendeu até ao século XIX. Trata-se de uma prática meditativa, feita a dois tempos: a caminhada na natureza e depois a fixação”, acrescentou a propósito da obra apresentada na Biblioteca Municipal Almeida Garrett, que conta com um ensaio do cardeal Tolentino de Mendonça.

À sessão de apresentação da obra, à qual assistiu também o presidente da Assembleia Municipal, Miguel Pereira Leite, seguiu-se uma visita pela exposição “Errata – Uma Revisão feminista à História do Design gráfico Português”, patente no foyer do Auditório da Biblioteca Municipal Almeida Garrett.

Antes, a visita do Presidente da República tinha-se iniciado com uma introdução à Extensão do Romantismo do Museu da Cidade, que abriu oficialmente na noite do passado dia 27 de agosto e acolhe a exposição “Quando a Terra Voltar a Brilhar Verde para Ti”, que tem como base o Herbário de Júlio Dinis.

 

Texto e fotos: Porto. / Etc e Tal jornal

 

01set21

 

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