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Uma janela aberta para a Arte Nova

Carmen Navarro

 

 

 Arte Nova ou Belle Époque. “Belle Époque” é a expressão francesa que se usou para definir toda esta época.

Outra expressão, também ela francesa menos usada, mas também bastante conhecida – «Fin-de-siècle», dando origem a uma manifesta vontade de mudança e comportamentos excessivos. Todas estas expressões definem o mesmo período histórico. Havia um desejo de libertação do antigo e uma insaciável procura do novo.

Arte Nova expressava a ideia de enriquecer os vários géneros artísticos através da cooperação entre artistas e artesãos.

A Arte nova é essencialmente uma cultura cosmopolita que tardiamente chegou a Portugal por volta de 1860 no início da revolução das construções metálicas ou arquitetura do ferro tudo isto fez a Arte Nova. Por volta de 1890 verifica-se um aumento de construções como pontes e de edifícios deste género no nosso país. Gustave Eiffel engenheiro e a sua equipe foram muito conceituados nesta época.

Só os proprietários muito ricos aderiram a este estilo na decoração das suas casas por ser muito dispendioso e ao mesmo tempo por romper com o classicismo que era sinonimo de estatuto, ter dinheiro e respeitabilidade.

O século XIX assiste a enormes mudanças sociais que nos veio da expansão da industrialização em que tudo tendia a ser mecanizado, feito em serie e por vezes de muito mau gosto, sem valor estético, a Arte Nova tinha como objetivo combater a tendência. Com a industrialização nasce a sociedade de consumo. Em simultâneo, a tecnologia avança. E surgem os comboios, os barcos a vapor, o telegrafo as comunicações estão em alargamento, o mundo mudava. E os artistas procuravam um novo estilo que marcasse o tempo e surge uma nova corrente artística. Esta estética baseava-se no “estilo do artista” e assim não podia satisfazer a exigência de um design próprio da produção em massa, para massa mas sim para elites, que nada tinha a ver com os estilos que se usavam anteriormente, todas as artes foram tocadas pelo movimento que marcou esta época tendo tido o seu apogeu em 1900. e vai até  ao inicio da 1.ª Guerra Mundial. Foi uma Moda.

Os estímulos intelectuais e artísticos que povoavam os meios parisienses rapidamente se espalharam por toda a Europa, e tocaram todas as forma de Arte, a Ciência, a Filosofia com uma nova maneira de se exprimir, a pintura,  as letras, as roupas e a própria sociedade, umas mais visíveis que outras que dão primazia à elegância. Temos que considerar a importante transição que fez entre o historicismo e o modernismo.

Na arquitetura onde se destacou o ferro e o vidro em belos vitrais e vidros de decoração, inspirava-se principalmente nas formas e estruturas naturais, não somente de flores e plantas, mas também de linhas curvas, muito estilizadas, entrelaçadas, linhas fluídas, melodiosas e ondulantes. Formas muito graciosas.

(como dizia um Professor meu, o pintor António Cardoso: – O movimento do chicote.)

Os monumentos Art-Nouveau são, atualmente, reconhecidos pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura na sua lista de patrimónios mundiais como contribuições significativas para o património cultural.

Alguns dos nomes que se destacaram na Arte, cada um à sua maneira:

Gustav Klimt, Charles Rennie Mackintosh,   Antoni Gaudí,  Louis Comfort Tiffany,  Aubrey Beardsley, Alphonse Mucha,  Jan Toorop só para falar em alguns, que rapidamente usaram  novos materiais, superfícies novas e abstração, os volumes esbatem-se, evidenciando cores cintilantes.

(Em Portugal, Amadeu de Souza-Cardoso, foi um pintor modernista., no entanto, analisando a sua pintura primitiva, nota-se uma influencia deste Movimento, figuras esguias e cores muito vibrantes, é o passo para o modernismo.)

Desta época existem belas joias de ourivesaria e outros metais, compostas por pedras semipreciosas e formas de pérolas que até à época não eram tão valorizadas.

Um joalheiro-vidreiro francês que ficou famoso pelas suas belas libélulas foi René Lalique.

A decoração de interiores teve mobiliário extremamente belo, contando muito com peças avulsas.

Na música, a arte da «mélodie» a canção francesa, traz-nos nomes que ainda hoje são sonantes, como; Gabriel Fauré, Henri Duparc, Claude Debussy e Francis Poulenc…

Este estilo, eminentemente decorativo e ornamental, aplicava-se a quase todas as formas de arte. As ligações entre a pintura, a literatura, a Poesia, o Teatro os periódicos são grandes. Nas artes decorativas foi onde a expressão se manifestou com mais visibilidade.

A relutância em se aceitar esta nova conceção estilística foi muito grande.

A Arte Nova nas letras ficou conhecida pelo Simbolismo que foi considerado um escândalo literário, foi preponderantemente poético, embora também tenha prosa poética, O simbolismo tem duas palavras-chave que o definem principalmente, musicalidade e espiritualidade, conceitos da Belle Époque. O som para o poeta simbolista é mais importante até que as próprias palavras, que por vezes chega a ser ilógica, porque ele apenas quer soar, ser lírico buscar a alma o espírito o transcendente que lembre o sonho, dum certo misticismo. Não sendo considerado uma escola literária teve a sua origem em “Flores do Mal” do poeta francês Charles Baudelaire 1857 que é considerado um marco no simbolismo literário. Os Simbolistas deram início a uma revolução formal sem a qual não seria possível a poesia Moderna.

Outros extraordinários se seguiram, Stéphane Marllarmé, Paul Verlaine, e outros.

O simbolismo estendeu as suas raízes à Literatura e aos palcos teatrais.

Havemos de voltar ao simbolismo, por agora vamo-nos focar só em Portugal.

A introdução do Simbolismo em Portugal teve início em 1890 coma obra “Oaristos” de Eugénio de Castro, que é uma obra-prima no que diz respeito à presença das caraterísticas do Simbolismo.

 

Um Sonho

 

Na messe, que

enlourece, estremece a quermesse…

O sol, o celestial girassol, esmorece…

E as cantilenas de serenos sons amenos

Fogem fluidas, fluindo à fina flor dos fenos…

 

As estrelas em seus halos

Brilham com brilhos sinistros…

Cornamusas e crotalos,

Cítolas, cítaras, sistros,

Soam suaves, sonolentos,

Sonolentos e suaves,

Em suaves,

Suaves, lentos lamentos

De acentos

Graves,

Suaves.

 

Flor! enquanto na messe estremece a quermesse

E o sol, o celestial girassol esmorece,

Deixemos estes sons tão serenos e amenos,

Fujamos, Flor! à flor destes floridos fenos…

 

(…………)

Eugénio de Castro

Outros importantes simbolistas portugueses, se lhe seguiram como António Nobre, Augusto Gil e o expoente máximo Camilo Pessanha, com Clepsidra principal representando do Simbolismo português;

A linguagem poética de Camilo Pessanha é moderna, é mais precisa e não é rebuscada, o poeta abriu as portas para a poesia do século XX.

Foi na Revista Centauro dirigida por Luís de Montalvor, que lhe publicou quinze poemas, e assim se fez a primeira publicação de alguns dos poemas de Camilo Pessanha, só depois foi iniciada a sua influência na Poesia Portuguesa.

 

Inscrição

 

Eu vi a luz em um país perdido.

A minha Alma é lânguida e inerme.

Oh! Quem pudesse deslizar sem ruído!
No chão sumir-se como faz um verme…

 

Soneto

 

Foi um dia de inúteis agonias.

Dia de sol, inundado de sol!…

Fulgiam nuas as espadas frias…

Dia de sol, inundado de sol!…

 

Foi um dia de falsas alegrias.

Dália a esfolhar-se – o seu mole sorriso…

Voltavam os ranchos das romarias.

Dália a esfolhar-se, – o seu mole sorriso…

 

Dia impressível mais que os outros dias.

Tão lúcido… Tão pálido… Tão lúcido!…

Difuso de teoremas, de teorias…

 

O dia fútil mais que os outros dias!

Minuete de discretas ironias…

Tão lúcido… Tão pálido… Tão lúcido!…

 

Camilo Pessanha

 

Camilo Pessanha é um autêntico poeta simbolista tal como Charles Baudelaire a poesia aproxima-se do sortilégio e da alquimia verbal da palavra poética, tem como uma função sagrada.

A 1.ª Edição de Clepsidra só é publicada em 1920 por D. Ana de Castro Osório na Casa Editora Lusitânia.

No ambiente literário da época Camilo Pessanha é um caso à parte que define bem o Simbolismo.

Com a Arte Nova tudo se transformou…

 

 

Fotos: pesquisa Web

 

01set21

 

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