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Eu vou-lhes contar a história da minha ida à Guerra da Covid-19

António Pedro Dores

 

Eu trabalhava numa fábrica de produtos farmacêuticos. Um dia sem querer, deixei cair um vírus e despediram-me. Fui lá para casa de quarentena sentar-me numa cadeira que nós temos lá em casa para quando somos despedidos. Estava-me a balançar, entrou o meu tio que estava com o jornal que trazia o anúncio da guerra, que rezava assim

“Precisa-se de pessoal de saúde que mate depressa!”

E disse a minha mãe,

“Olha, tu é que podias responder a esse anúncio.”

E disse a minha tia,

“Pois, mas é preciso medicamentos para curar!”

E disse a minha mãe,

“Mas eles na guerra estão desarmados?”

Fomos ao médico de família para que nos desse uma receita, mas a guerra tinha fechado os serviços de cura: só ano e meio depois do começo da guerra se começou o trabalho de certificação das curas existentes. Entretanto os generais estiveram a tratar da bomba atómica.

Uma arma que exterminaria o vírus e não a humanidade, e a minha mãe disse,

“O meu filho não vai agora para a guerra exterminar os vírus … O meu filho, vai para a guerra, mas vai de acordo com a legis artis e o código de Nuremberga.”

Então fomos para casa. A minha mãe preparou me umas papas de sarrabulho, tomei um táxi e fui para a guerra. Cheguei à guerra eram sete horas da manhã, estava a guerra ainda fechada. E estava uma senhora que vendia castanhas à porta da guerra e eu perguntei,

“Minha senhora, faz favor, aqui é que é a guerra da COVID 19?”

E ela disse,

“Não senhor! Aqui é a guerra à ganância de 2008, a guerra da COVID 19 é mais acima.”

“Muito obrigado”

E subi onze anos. Cheguei lá cima, e já estavam a abrir as portas da guerra, que eram nove e tal e ‘tava o sentinela que me perguntou,

“Vens ao anúncio?”

“Sim, venho.”

E ele disse,

“E vens desarmado?”

E eu disse,

“Tenho visto muita televisão e já não sei se usar máscara afinal é bom ou indiferente.”

Então ele levou-me ao meu capitão, e o capitão perguntou-me se eu trazia a máscara cirúrgica e eu disse que não trazia, que até pensava que a ferramenta davam lá eles. E disse

“Eu trago é uma máscara de pano, que um vizinho meu guardou de recordação da gripe espanhola”

E diz o capitão,

“Como é que tu vais enfrentar o vírus só com pano?”

E eu disse então,

“Eu pensava que o vírus avisava, aos fins-de-semana, quando queria fazer a guerra”,

Então eles fizeram uma conferência e deram-me uma máscara cirúrgica e mandaram-me fazer triagem dos doentes COVID e não COVID. Estava eu, a triar, muito contente, chego ao pé do meu capitão e mandou-me ir para os cuidados intensivos. Vestiram-me um fato de guerra química com laços cor-de-rosa, e fui enfrentar o inimigo, cheguei lá, bati à porta e o sentinela abriu frincha e disse,

“Quem é?”

E eu disse

“Sou a Maria Albertina”, malandrice!

E ele perguntou-me,

“Tu já trabalhas nos cuidados intensivos há muito tempo?”

E eu disse,

“Não, só trabalho desde as 11!”

“E que é que tu queres?”

“Eu venho cá buscar as vacinas”

E ele disse

“Não te dou as vacinas, não te dou as vacinas, não te dou as vacinas”

E fui fazer queixa ao capitão dele. E eu disse-lhe,

“Capitão, mas ele é um burro?”

“Deixa lá, almoça cá com a gente!”

Então, almocei nos cuidados intensivos. Comemos uma cabeça de pescada muita grande e depois voltei à triagem. E quando eu cheguei lá e estava a contar ao meu capitão, entra um soldado a correr, a correr

“Meu capitão, meu capitão, descobriram uma vacina em tempo record!”

Diz

“Sim, onde é que ela está?”

“Não quis vir.”

Porque cá há vacinas que são teimosas, a gente puxa, puxa e elas querem mais dar lucro do que imunizar as pessoas. Feitios.

Então o meu capitão disse,

“Então, se eles não dão as vacinas vai lá falar com a União Europeia, pronto”

Porque como a gente se dava muito bem com as indústrias farmacêuticas, nós tínhamos só um centro de compras que dava para todos. Eles proibiam a divulgação da existência de curas, nós esperávamos pelas vacinas, em casa, os serviços de saúde foram fechados para tratar apenas de doentes COVID, e lá íamos morrendo.

Mas a União Europeia disse que não podia levantar as patentes sobre as vacinas, porque estavam a adaptar uma globalização nova, Great Reset no código secreto, igual à velha que faliu.

Fui-me embora para a triagem e quando cheguei lá estava o meu capitão à porta da guerra e disse-me,

“Olha, podes-te ir embora porque a guerra acabou-se!”

Disse

“Acabou-se??”

“Acabou-se. O vice-almirante foi promovido a Chefe de Estado Maior da Marinha, a gente não tem competências logísticas, a não ser o desenrasca. Levaram os centros de vacinação, as máscaras deixaram de ser obrigatórias, só ficou a bazuca e a discussão do orçamento”

E foi assim que… ai ai ai ai ai

 

Adaptação do celebrado texto de Miguel Gila, interpretado por Raúl Solnado, com título semelhante

 

 

Obs: Por vontade do autor e, de acordo com o ponto 5 do Estatuto Editorial do “Etc e Tal jornal”, o texto inserto nesta rubrica foi escrito de acordo com a antiga ortografia portuguesa.

 

Imagem (desenho infantil): pesquisa Web

 

01nov21

 

 

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