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MUSEU DE OVAR mostra “Grandes Mestres” do seu valioso espólio

A nova sala de exposições do Museu de Ovar tem disponível ao público em geral, o valioso espólio desta Instituição, que reúne mais de 500 mil peças de vários artistas e de diferentes épocas. Beneficiando de um espaço que dignifica e valoriza muitas das obras e do significativo património cultural que tem estado afastado do público por falta de condições físicas, a Direção do Museu, presidida por Manuel Cleto, quer continuar a preservar, catalogar e inventariar, para, agora através de uma mais adequada sala de eventos, iniciar um ciclo de mostra de peças de arte que ao longo de meio século lhe foram doadas, como as que vão integrar a exposição “Grandes Mestres” de pintura, escultura e cerâmica, que estará aberta ao público até três de Agosto.

Entre os vinte artistas, pintores, escultores e ceramistas, que o Museu de Ovar traz à luz do dia, algumas das suas obras de arte são datadas dos anos 60 e 70, proporcionando um certame cultural, que confirmará que este Museu não é um repositório de “coisas velhas”, mas um espaço cheio de vida. Constam nomes marcantes das artes, alguns dos quais ainda vivos, como o ceramista Querubim Lapa residente na margem sul do Tejo, que, independentemente, da sua avançada idade, ainda vai todos os dias ao ateliê onde produziu uma das valiosas coleções de placas cerâmicas (50×50) as quais foram doadas ao Museu de Ovar.

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Trabalho de Guilherme Camarinha

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Obra de  Querubim Lapa

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“Peixeira” de Querubim Lapa

A exposição “Grandes Mestres” tem ainda a particularidade, de algumas das peças de arte guardarem curiosidades e memórias, que podem ir dos apontamentos deixados por Louis Demée, que no verso da sua obra “Composição”, escreveu entre outros elementos, tratar-se de um “óleo sob/tela envernizado” referindo mesmo o verniz “Mate” Rembrandt”. Trabalho que iniciou em 1963 e concluiu em 1966. Um outro nome marcante pela afinidade deixada através do seu “fresco” no interior da Sala de Audiências do Palácio da Justiça de Ovar, é Guilherme Camarinha, cujo “estudo” (guache sobre papel – 49×95) desta sua obra está também exposta como uma das relíquias que o Museu vem guardando.

A escolha de peças a mostrar não foi tarefa fácil dos responsáveis do Museu, tal é o valioso património artístico, que inclui “serigrafias autenticadas” de Vieira da Silva, ou “guaches sobre papel” de 1962, de Cargaleiro. Espólio que estimula os novos responsáveis pelo Museu de Ovar a perspetivar muitos outros projetos culturais, como novos desafios para os quais só precisarão de mais apoios.

Artistas representados nesta mostra:

Louis Demée, Cargaleiro, Júlio Resende, Beatriz Campos, Artur Bual, Querubim Lapa, Vieira da Silva, Abel Manta, Jorge Barradas, Aurora Libório, António Joaquim, Dórdio Gomes, Guilherme Camarinha, Domingos Pinho, Armando Andrade, Domingos Rebelo, Armando Mesquita, Raúl Xavier, Leopoldo de Almeida, José Basalisa.

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Oportunidade rara para observar a peça de arte africana: “Tabaqueira”

Peça integrante de uma vasta coleção de arte africana doada ao Museu de Ovar nos anos 60, por Manuel Coelho da Silva – um cidadão de Ovar que andou por terras africanas -, a “Tabaqueira” é uma peça com 40 cm de altura, composta por madeira e ferro, originária da tribo angolana Tehokwe ou Chokwe como também é designada.

Esta pequena, mas grande embaixadora do Museu de Ovar no Mundo, “em forma de tambor, sustentada por um punho com decolação retangular com abertura, fechada por uma tampa esculpida com a forma duma cabeça de Chefe, com ligaduras de fibra na parte inferior. Ponta de ferro. Pilão ornado com molduras suspenso por uma tira de couro…” conforme é descrito nos catálogos de exposições, em que esta peça, referenciada em estudos sobre arte africana, já esteve presente, destacando-se o certame “Stad Antwerpen, Etnografisch Museum” na Bélgica, entre 1993/95. No âmbito da Capital Europeia da Cultura, Museu Nacional Etnologia, Lisboa 1994. Musee Dapper, Paris, 1997/98. Fundação Dr. António Cupertino de Miranda, Porto, 1999, em que a peça “Tabaqueira” mereceu na época a atenção da investigadora do Centro de Estudos Africanos, Marie-Louise Bastin. Este exemplar que agora poder ser admirado em Ovar, esteve ainda em Madrid entre 2005/2006 no evento “Orígenes Artes” realizado no Centro Cultural Conde Duque.

Texto e fotos: José Lopes

2 Comments

  1. Teresa Afonso

    Aconselho vivamente uma visita ao Museu de Ovar! Para além do seu valioso espólio, tem excelentes condições para diversos eventos culturais, como se tem vindo a verificar!
    Teresa Afonso

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