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O PORTO SAIU À RUA!… ‘25 DE ABRIL’ JUNTOU MILHARES EM PROL DA LIBERDADE E DA DEMOCRACIA

Foi há 49 anos que se deu a Revolução do 25 de Abril. Hoje, no Porto, quase meio século depois do ato libertador, milhares de cidadãos saíram à rua para demonstrarem a sua revolta quanto às realidades da vida, como em prol da Liberdade e da Democracia, e marcharem, assim, em nome dos “valores de abril“. Tanto jovens, como idosos, se reuniram neste marco tão importante para o país, numa luta pela liberdade.

 

Inês Inteiro            Ursula Zangger

(texto)                           (fotos)

 

No Largo de Soares dos Reis, ecoava a voz que marcou o país em 1974. Músicas de Zeca Afonso enchiam os corações daqueles que estavam presentes no cortejo.

Simultaneamente, na Avenida dos Aliados estava o músico Jorge Lomba, a interpretar músicas portuguesas, marcadas também pelo 25 de Abril.

A revolução que repudiou um regime autoritário, e lutou por um sistema aberto e livre, continua a marcar gerações, palpitando principalmente nos corações dos mais jovens, que defendem um país com mais oportunidades e inclusão.

“Este desfile para nós, mais jovens, significa, tudo o que nós vivemos. Podermos escolher as nossas próprias opções, as nossas escolhas, o nosso futuro, e não estarmos presos por um regime que limita a escada social, onde quem nasce pobre continua pobre”, “é uma chance de não limitarmos a nossa vida”.

A JUVENTUDE NÃO SE ESQUECEU DOS VALORES DE ABRIL

A presença de tanto jovens no desfile “faz-nos sempre lembrar que a juventude ainda não se esqueceu dos valores de abril e daquela madrugada de 25 de Abril”, afirma Mateus de Sousa, que estava com a bandeira nacional hasteada, juntamente com um grupo de amigos.

Ainda que a presença jovem se fizesse sentir, muitas foram as faixas etárias que saíram à rua para se manifestar.

Andrea Peniche, editora, afirmou que “as lutas estão sempre difíceis e o dia da revolução é o dia que as coisas mudam, mas os dias seguintes são os dias da construção dessa revolução. Em 49 anos temos tido vários recuos, mas muitos avanços também. Por isso faz parte da nossa insatisfação querermos sempre mais e juntarmo-nos para alcançar o que queremos.”

“Essencialmente é a celebração da liberdade e também a sua luta. Há muita coisa ainda por cumprir e é por isso que nos fazemos ouvir. Para fazermos cumprir Abril e os seus valores”, disse Pedro Ferreira, assistente administrativo.

Antes de se dar início ao cortejo, subiu ao palco Pedro Baranita, jurista e membro da Associação Conquistas da Revolução. “Assinala-se hoje o 49.° aniversário do 25 de abril, o momento em que laçamos as comemorações do meio século da revolução e muitos são os balanços que vão sendo feitos”.

Num breve discurso, Baranita esclareceu as razões de luta que ali reunirão dezenas de cidadãos. Era a vasta a lista de razões que levou dezenas de pessoas à rua no marco dos 49 anos do 25 de abril de 1974, numa luta contra o Governo e as decisões que têm levado o País às condições que se encontra.

Serviço público de qualidade, melhorias no SNS, direito dos trabalhadores, ensino, etc.. Era a vasta a lista de razões.

Bandeiras amarradas aos ombros, empunhadas ao alto e pintadas na cara; ruas pintadas de vermelho devido aos cravos que as pessoas, com orgulho, carregavam; sentimento de luta que batia nos corações e vozes que gritavam a plenos pulmões frases como “Abril de novo, com a força do povo”, e, “25 de Abril sempre, fascismo nunca mais”. Assim se caracteriza o cortejo pela liberdade que teve lugar hoje (25abr23) pelas 15 horas.

A manifestação foi acompanhada de carros com colunas, que, através de ‘palavras de ordem’, acompanharam os manifestantes até à Avenida dos Aliados.

Durante todo o percurso, o cortejo foi também acompanhado por pessoas que se juntavam nas varandas e passeios junto ao percurso, muitos, mostravam aos filhos e netos o que foi a revolução que mudou as suas vidas há quase 50 anos.

QUANDO SE ABRIRAM AS PORTAS (A 25 DE ABRIL DE 1974)… TODOS OS SONHOS PARECIAM POSSÍVEIS

O cortejo chegou à Avenida dos Aliados por volta das 16h30. A Praça do General Humberto Delgado, encheu-se de pessoas que se juntaram para “continuar a festa e a luta” como referiu o presidente da Comissão para as Comemorações Populares do 25 de Abril.

Nuno Fonseca, autarca, e convidado pela Associação 25 de Abril a ler a mensagem relativa à data referiu “Quando se abriram as portas, a 25 de Abril de 1974, a ditadura durava há quase 48 anos. Nesse dia, a luta de muitos e muitas portuguesas se unificou. E, a partir desse momento, todos os sonhos pareciam possíveis. Os capitães de Abril, criaram condições, e para que se pudesse construir uma sociedade mais justa e fraterna.”

Terminam as celebrações com a atuação da Brigada Victor Jara. Um grupo também com quase 50 anos, com o seu início marcado pela interpretação de músicas da revolução, pôs um fim ao Dia da Liberdade.

 

Abril sempre!

 

 

25abr23

 

 

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