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‘ALEXANDRE HERCULANO’ RENASCEU DAS CINZAS, MAS AINDA LHE FALTAM EQUIPAMENTOS E… ‘ALMA’! A ALMA’ QUE ALUNOS, PROFESSORES E DEMAIS PESSOAL DARÃO AO ‘LICEU-ESCOLA’ NO PRÓXIMO ANO LETIVO

Liceu-Escola Secundária emblemática da cidade do Porto, com 102 anos de existência, (abriu portas no ano letivo 1921-22) e por onde passaram, entre outros, nomes bem conhecidos como Manuel Alegre, Pacheco Pereira, Álvaro Siza Vieira, o ‘Alexandre Herculano’ – depois das obras há muito anunciadas, prometidas, reclamadas, e, agora, praticamente, concluídas -, reabrirá, finalmente, as suas portas no próximo ano letivo (2023-24)…

 

José Gonçalves

(texto)

Miguel Nogueira (Porto.)

(fotos)

 

O presidente da Câmara Municipal do Porto, Rui Moreira, acompanhado pelo vereador da Educação, Fernando Paulo, dos administradores da empresa municipal ‘GO Porto’ e elementos da equipa da vereação, assim como de todo um ’staff’ ligado à empreitada de requalificação e modernização das instalações do secular edifício, e à vida daquele que foi, e continuará a ser, um ‘pulmão’ do ensino e da cultura na cidade do Porto, visitou, na manhã desta quarta-feira (26abr23) o emblemático Liceu-Escola Secundária de Alexandre Herculano.

Ainda há obras por concluir, é verdade! Falta-lhe mobiliário e determinados equipamentos, pois falta-lhe, mas este ‘Alexandre Herculano’, ou ‘Alex’ – para os ‘alexandrinos’, um dos quais, quem vos escreve – nada tem a ver com aquele que, há poucos anos, estava a cair de podre e que, por óbvias razões de segurança, teve mesmo que encerrar portas.

RUI MOREIRA:ESTA OBRA JÁ DEVIA ESTAR PRONTA HÁ MUITO TEMPO!

E Rui Moreira foi, desde logo, perentório: “esta obra já devia estar pronta há muito tempo!”

“Esta era uma obra da responsabilidade do Ministério da Educação, mas, o município entendeu que a importância deste Liceu – que era assim que se chamava – era tão grande que devíamos estabelecer um acordo com o Governo para serem realizadas as obras que eram mais que necessárias. O primeiro-ministro veio cá pedir o nosso envolvimento e fomos, então, buscar um projeto datado de 2010. Fizemos um conjunto de obras, e depois surgiram um outro conjunto: o das questões, porque falta sempre alguma coisa neste tipo de intervenções, como, no caso, equipamentos, mobiliário…”

Visita do primeiro-ministro, António Costa, e do ministro da Educação da altura, Tiago Brandão Rodrigues, ao ‘Alexandre Herculano’ para assinatura de acordo com a Câmara Municipal do Porto, em março de 2018 – foto Mariana Malheiro
O projeto para o ‘Alexandre? – foto: Mariana Malheiro
Foto: Mariana Malheiro
Foto: Mariana Malheiro
Foto: Mariana Malheiro
Foto: Mariana Malheiro

Observando a questão pelo lado mais positivo, o autarca salientou: “o que é importante pensar, é que a Escola estará aberta no próximo ano letivo”, sublinhando também o facto de o edifício “não ser apenas uma Escola”, pois “ele tem um valor patrimonial incrível!”, pelo que, esta realidade, ‘obriga’, no entender de Rui Moreira, que “o Estado venha a jogo com a sua parte no financiamento da obra”. Obra que está estimada em 15 milhões de euros…

“É muito dinheiro! Desse montante, cerca de um terço é de fundos comunitários, e os outros dois terços são divididos entre nós e o Governo. Mas, o Governo também tem as suas restrições. Portanto, o que falta é concluir o resto das obras. Lançamos o concurso que espero corra bem, mas, precisamos, para isso, do envolvimento do Ministério da Educação”.

A ‘PARQUE ESCOLAR’ NÃO FEZ O SEU TRABALHO

Sem querer acusar ninguém pelo atraso na finalização das obras, uma vez que estava prevista a reabertura do ‘Alexandre Herculano’ para o terceiro período do presente ano letivo, Rui Moreira referiu que, em todo o processo, houve “boa vontade”, só que “as boas vontades estão limitadas pelos recursos disponíveis. O Ministério da Educação tem poucos recursos para a reabilitação de escolas, por isso, o Município veio a jogo, e numa altura em que não tinha de ir. Pensamos isto bem, e falámos com as forças políticas do anterior mandato, pois era importante haver consenso para a cidade fazer este investimento. Alias, a cidade não perdoaria se este equipamento continuasse ao abandono. Neste contexto, a ‘Parque Escolar’ não faz, na altura, o seu trabalho.”

As questões foram ultrapassada, e de acordo com Rui Moreira “vamos ter uma escola que manterá aquilo que nós consideramos um valor patrimonial incrível, e uma Escola que responderá a todas as necessidades… esta é, hoje, uma Escola contemporânea, quer em termos de instalações, quer em termos de conforto, inclusive para os pais que vão ter um espaço próprio para falarem com os professores, e principalmente para os alunos que terão uma Escola nova, uma Escola para o século XXI, apesar de ser uma escola com cem anos”.

A CÂMARA NÃO PODIA FICAR INDIFERENTE A ESTE PROBLEMA…

O estado em que se encontrava a Escola – foto Sindicato da Construção
Foto: Sindicato da Construção
Foto: Sindicato da Construção
Foto: Sindicato da Construção
Foto: Sindicato da Construção
Foto: Sindicato da Construção
Foto: Sindicato da Construção
Derrocada de muro do ‘Alexandre Herculano’ que atingiu esplanada de padaria situada na Rua de António Carneiro

Recuando um pouco no tempo, Rui Moreira relembrou um facto, que as imagens que atrás reproduzimos comprovam: “a Escola não estava em condições para funcionar. Durante anos não foram feitos investimentos. A ‘Parque Escolar’ lançou, na altura, um projeto magnífico, mas ficou-se por aí, e, portanto, nós fomos chamados a atuar. A cidade entrou em ebulição pelo facto da Escola não ter condições para funcionar. Veio cá a senhora secretária de Estado e, com ela, toda a comoção que foi criada. Aquilo que a Câmara decidiu foi que não podia ficar indiferente a este problema. Fizemos o investimento necessário, mas depois surgiram vicissitudes de diversa natureza”.

CÁTIA MEIRINHOS:O EDIFÍCIO ESTAVA MAIS DEBILITADO DO QUE O PRÓPRIO PROJETO PREVIA

De acordo com a arquiteta Cátia Meirinhos, da ‘GO Porto’, “falta lançar um conjunto de contratações públicas para a aquisição de mobiliário, bem como terminar alguns trabalhos no exterior da escola. Toda a obra foi feita de acordo com o projeto global, mas tivemos algumas vicissitudes que nos obrigaram a fazer trabalhos adicionais”, que é como quem diz…” as fachadas exteriores tinham uma série de fissuras que se deveram ao facto do projeto ser de 2010 e nós iniciamos a obra posteriormente. Portanto, o edifício estava mais debilitado do que o próprio projeto previa. Esses trabalhos adicionais condicionaram um bocadinho a obra …

Houve, no fundo, a separação ao projeto global, e foi separado devido aos arranjos exteriores que será uma empreitada a ser feita posteriormente, ou seja, os arranjos da envolvente do edifício, assim como um recinto, no exterior, cobertor.”

E depois, faltam os equipamentos, que, de acordo com a nossa interlocutora, “é, agora, da responsabilidade da Câmara, é ela que está a lançar o concurso para a sua aquisição, bem como do mobiliário necessário para dotar a escola de modo a entrar em pleno funcionamento”.

FERNANDO PAULO:PODEREMOS ABRIR A ESCOLA NO PRÓXIMO ANO LETIVO, AINDA QUE A MESMA, NÃO ESTEJA TOTALMENTE APETRECHADA

Ainda sobre os equipamentos que faltam ao Liceu-Escola Secundária de Alexandre Herculano, o vereador Fernando Paulo, responsável pelas ‘pastas‘ da Educação e Coesão Social, “na próxima reunião de Executivo, será discutida a aprovação da celebração de um acordo de colaboração entre o Município do Porto e o Ministério da Educação “para apetrechamento de toda a Escola. Estamos a falar de todo o tipo de equipamento De qualquer das maneiras, neste momento, temos a garantia que poderemos abrir a Escola no próximo ano letivo ainda que a mesma não esteja, na totalidade, apetrechada”

“Temos os alunos que estão a frequentar a Escola Pires de Lima; temos algum equipamento em armazém e temos assim todas as condições para se iniciar aqui o novo ano letivo. Mesas, cadeiras, secretárias, quadros, equipamento informático e de cozinha. Há aqui todo um conjunto de aquisições que são necessárias fazer, sendo ainda necessário acautelar as comunicações, quer as vistorias de eletricidade, controlo de acesso… vistoria de gás etc., que estão a decorrer”, referiu ainda Fernando Paulo.

O PROCESSO DE ‘DESCENTRALIZAÇÃO’ NÃO VEIO FACILITAR AS COISAS

E Rui Moreira voltou a intervir relembrando que “esta Escola só passou para nós em abril do ano passado, até lá não sabíamos qual seria o nosso envolvimento no processo de descentralização. Portanto, quando fizemos o acordo com o Governo, a nossa preocupação era auxiliar o Ministério da Educação para resolver os problemas. Entretanto, e em pleno desenvolvimento deste projeto, surgiu o processo de descentralização, o qual obrigou a fazer um conjunto de ajustamentos. Há certas competências que passaram a ser nossas, não através do acordo que tinha sido celebrado com o Governo relativo a este Liceu, mas já por causa do referido processo de descentralização, o que, naturalmente, não facilita as coisas”.

O QUE FOI FEITO NO ‘ALEXANDRE’

Ora, como nos informaram, “a intervenção na Escola Secundária de Alexandre Herculano compreendeu, de uma forma geral, a reabilitação e modernização do edifício classificado como Monumento de Interesse Público, e da autoria do arquiteto Marques da Silva.

A empreitada “primou pelo valor histórico do equipamento escolar, contemplando trabalhos de renovação de pavimentos, tetos e paredes, instalação de novas caixilharias e pinturas, reformulação de espaços interiores, requalificação de auditórios, substituição de coberturas e recuperação de elementos estruturais. O espaço de recreio envolvente foi requalificado através da colocação de pisos adequados, criação de áreas de lazer e zonas de jogos.

MANUEL LIMA:ESTOU CONVICTO QUE, EM SETEMBRO, PODEREMOS INICIAR AS ATIVIDADES LETIVAS

Para o diretor do Agrupamento de Escolas de Alexandre Herculano, o ‘novo’ edifício reúne “as condições de conforto exigíveis para os alunos estudarem em condições condignas. A obra foi feita com critério, rigor e respeito pelo valor patrimonial do edifício. Estou convicto de que em setembro já podemos iniciar as atividades letivas”, realçou, Manuel Lima, para quem a “Escola, tal fénix renascida vai voltar a ganhar vida”, isto num espaço que terá capacidade para receber cerca de mil alunos, desde o 7.º ao 12.º ano de escolaridade.

A nova estrutura do Liceu-Escola Secundária Alexandre Herculano contará com:

– 25 salas de aula

– 04 salas de ciências

– 03 salas de artes

– 04 laboratórios

– Sala de grandes grupos

– Sala de cinema

– Ginásio

– Cafetaria

– Refeitório

– Salas de Apoio Administrativo

UM LICEU SECULAR

Nos inícios do século XX, o aumento da população escolar em Portugal exigiu que se aumentassem as zonas escolares para o secundário e o número de liceus em funcionamento. Eram as exigências do tempo a requerer a modernização imediata das estruturas e do sistema de ensino.

A cidade do Porto foi, nessa época, dividida em duas zonas escolares, a Oriental e a Ocidental. Cada zona tinha vários liceus, coordenados por um liceu central.

Em 26 de setembro de 1908, o Liceu Central da Zona Oriental passou a designar-se Liceu Central Alexandre Herculano, tendo sido batizado com o nome de um dos portugueses mais ilustres no campo das letras, Alexandre Herculano.

Nesta altura, já se tornava necessário dar novas instalações ao liceu, que passou, temporariamente, para um edifício alugado na Rua de Santo Ildefonso.

Após muitas críticas no Parlamento relacionadas com o tipo de edifício que acolhia este liceu em particular, o Estado decidiu construir um edifício de raiz para o acolher, um prédio novo, à altura da importância do estabelecimento e da cidade. Foi escolhido para o efeito um dos talhões em que a Avenida Camilo dividiu a antiga Quinta de Sacais, recentemente urbanizada (freguesia do Bonfim)). Em 31 de Janeiro de 1916, o Presidente da República, Bernardino Machado, presidiu ao lançamento da primeira pedra do liceu, que teria traço da autoria do conceituado Marques da Silva.

O novo liceu abriu as portas no ano letivo de 1921/22. Compreendia 28 salas, laboratórios, salas para Física e Química, Ciências, Geografia, Desenho e Música, uma biblioteca, um anfiteatro, cinco pátios de recreio, um pátio de desporto, três ginásios, piscina, refeitório, entre outras valências.

Texto: Wkipédia

 

 

26abr23

 

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