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Vamos ajudar o Gonçalo…

 António D. Lima / Tribuna Livre

Como (quando escrevo este artigo para ser publicado em maio) estamos no mês de Abril, muito próximo do dia 25, dia que o meu Portugal se livrou das grilhetas que nos prendia e das mordaças que não permitia que falasse-mos. Um movimento de militares das Forças Armada, restituiu-nos a liberdade, tirou-nos as grilhetas, arrancou as mordaças, permitiu que os nossos pensamentos voassem livremente e, ganhamos o direito à crítica.

Com o passar dos anos, os sucessivos governos mostraram ser imunes às críticas. Cada vez mais foram, um pior do que o antecessor, perdendo a vergonha. Neste momento, estamos na fase de uma geração de (des)governantes em que os apelos feitos pelas massas que moldam este desgraçado país, entram nos ouvidos dos (des) governantes à velocidade do som, mas saem à velocidade da luz.

A comunidade cientifica mundial, tirando, como é obvio, os mentecaptos dos cientistas adeptos destes (des)governantes, Troika(nos), Fmi(arianos) portugueses; nas revistas da especialidade, descobriram que os (des)governantes portugueses sofrem de um síndroma chamado:

“Caixa craniana queimada”. Traduzindo quer dizer. Que os miolos destes nossos (des) governantes, em vez de terem uma pele e cabelos que os protejam dos raios solares, têm uma espécie de coador com uma rede muito fina, o sol entra sem qualquer proteção e frita os miolos dos portadores desta grave doença, fazendo exalar um cheiro nauseabundo.

Esta, por exemplo, é uma das razões que os deputados abandonam a Assembleia. O Zé povo protesta nas galerias da Assembleia. O povo protesta na rua. Os polícias andam com mascaras, etc. Basta um pequeno esforço que um qualquer (dês) governante faça para dizer, seja lá o que for, logo, toda aquela mioleira, produz uns vapores tão mal cheirosos que a populaça que está ali com a melhor das intenções, entram logo numa de protesto: “Vai-te…lavar ó porco… meu imundo… és um merdas”.

Os polícias para acalmar os ânimos, mas que, também, não suportam o cheiro, colocam as mascaras e tentam explicar ao pagode a doença destes (des) governantes.

Chamo a atenção de quem ler estas poucas palavras, não julgue que esta doença é só dos (des) governantes portugueses! Não! É de quase todo o mundo que vive da política. Claro que a estes não lhes convém dizer que, também cheiram mal como a merda.

Foi por esta razão que inventaram os “dias mundiais” de quase tudo. E que eu tanto detesto.

Na crónica do mês de Março, escrevi sobre a alergia que tenho aos dias Internacionais ou Mundiais de, da, do. Estes dias são como uma batata; pode ser cozida, assada ou frita. È sempre uma batata, faça-se o que se fizer, o seu destino é ser comida. Metaforicamente falando claro. Os dias mundiais são a mesma coisa. Só servem para serem comidos, em lautas jantaradas. Para quem eles são dirigidos, não têm direito a nada. Rimou e é verdade.

Nessa mesma crónica, disse que o dia mundial contra o cancro era igual a muitos outros dias mundiais ou internacionais, serve para nada. Nada de ajudas. Nada de subsídios. Nada de verbas para subsidiar os tratamentos, ou melhor se quiserem! Nada de subsidiar uma esperança de vida por muita remota que ela seja. Quem ama viver agarra-se a todas as esperanças, tal como um náufrago; agarra-se a tudo o que o possa salvar, nem que seja a uma bola de sabão.

Gonçalo
Gonçalo

Esta esperança de vida é a mesma que o Gonçalo tem.

Este jovem com 21 anos, na primavera da vida, flor a desabrochar como tantas outras flores de 21 anos, não foi bafejado pela sorte da vida. Esse monstro chamado cancro, bateu à sua porta e entrou para ficar.

Tudo começou com uma dor no ombro, incómoda, que persista em não desaparecer. Após vários exames, foi-lhe diagnosticado um cancro na omoplata direita (Sarcoma de Ewing).

Seguiram-se vários ciclos de quimioterapia, esta…deixou de fazer efeito. Os médicos avançaram para a cirurgia, foi-lhe retirado a omoplata, ficando o Gonçalo, jovem 21 anos, impedido de movimentar o braço. Se tudo isto já era horrível para este jovem de 21 anos, ainda ficou pior.

Na semana seguinte à operação, o Gonçalo começou a queixar-se com fortes dores nas pernas. Feitos os exames, descobriu-se o pior, o cancro já se tinha apoderado de todo o corpo. A esperança do dia, tornou-se no negrume da noite. Esta flor de 21 anos, ficou a saber que já não era possível a absorção da luz solar, transformar-se na sua fotossíntese.

Os pais inconformados, doridos pelos espasmos do seu choro, não desistiram de ver a sua flor no meio do jardim, junto com as outras flores. Nasceu a esperança num tratamento que se faz na Alemanha e que dá alguma esperança de vida, mas… é uma esperança, não passa disso mesmo…uma esperança, e é extraordinariamente dispendiosa.

Conheci o Gonçalo, um rapagão nos seus 20 anos, bem constituído. Conheço os pais do Gonçalo, conheço melhor a Dona Arlinda, mãe do Gonçalo, é muito querida no grupo de amigos do qual faço parte.

Num encontro, naqueles encontros casuais que se fazem na “Nossa Loja” (passo a publicidade) pequena loja tipo… tem quase tudo e que toda a comunidade (quase toda) que vive, aqui na Senhora da Hora, lá vai comprar algo que se esqueceu.

As amigas Rosário e Alice
As amigas Rosário e Alice

O encontro aconteceu num desses dias. A D. Arlinda entrou na “Nossa Loja” com toda a tristeza, e amargura, a cara lavada em lágrimas provocada pelas insuportáveis dores que tão horrorosa noticia; a incurável doença do seu Gonçalo e, ao mesmo tempo, uma, mesmo que muito ténue esperança, de um tratamento na Alemanha.

A Lurdes Xavier proprietária do estabelecimento, “A Nossa Loja”, é uma jovem, dinâmica, com um coração do tamanho do mundo. De imediato se comprometeu falar com outras amigas/os do núcleo de amigos que são como a irmandade do romance, “Os Três Mosqueteiros” de Alexandre Dumas. “Um por todos e todos por um”.

Assim, falou com a Rosaria Rocha, Alice Santos, e mais tarde com Lina Moreira, seguindo-se outros amigos por tão extensa lista não os menciono, mas eles sabem que também a eles me refiro. Cada uma com a sua tarefa. No imediato, compraram umas latas com uma ranhura (mealheiros), elaboraram um texto com a narrativa do que estava a acontecer ao Gonçalo, e que eu utilizo no essencial para descrever neste artigo quem é o Gonçalo, o que se passou com este jovem, e o porquê desta onda de solidariedade.

Gonçalo: um sorriso na sua jovialidade
Gonçalo: um sorriso na sua jovialidade

Colocaram neste documento fotos do Gonçalo. O título que deram a esta campanha, sim, plagiei-o, uso-o como título deste trabalho.

Este grupo de amigas percorreram os vários estabelecimentos destas redondezas, deixaram ficar o mealheiro (latinha com uma ranhura), por baixo do mealheiro, uma folha A4 explicando e contando o infortúnio do Gonçalo, com fotos do antes e do depois da doença, solicitando uma humilde contribuição a colocar dentro do mealheiro ou então, o envio de um, mesmo por pequeno que seja, contributo.

O... mealheiro
O… mealheiro

NIB: 0035 0995 0058 4719 7300 7

IBAN: PT50 0035 0995 0058 4719 7300 7

Code Swift: CGDIPTPL

Nome: Gonçalo Carlos Cardoso Maciel de Araújo

www.facebook.com/vamosajudar o Gonçalo

O passo seguinte foi contactar a Companhia de Teatro de Ramalde que de pronto se disponibilizou para levar em cena um Espectáculo Solidário. A peça intitulada “Metáforas…do Poeta do Amor” subiu ao palco em 14 de Março de 2014. Baseada no livro “ O Carteiro de Pablo Neruda” do autor, António Skármeta.

Para uma mão cheia de artistas amadores não se podia exigir muito mais, deram o seu melhor e que foi muito bom. (tenho este livro pelo menos há uns 10 anos, senão mais, e já o li 2 vezes).

O teatro, embora pequeno, estava cheio. Somos um país pequeno em território, mas somos enormes em solidariedade. Foram muitos os que quiseram associar-se ao evento. Um director do Teatro de Ramalde, subiu ao palco para apresentar e dissecar um pouco sobre a peça a que ia-mos assistir, disse:

– “É com muito orgulho que nos associamos a este evento, igualmente temos orgulho de ter uma casa tão cheia, como há muito tempo não se via”.

Os promotores da iniciativa também sentiram orgulho no trabalho que estavam a desenvolver. Porque se entusiasmaram e porque querem dar saída ao compromisso que assumiram, foram falar com o pároco da Senhora da Hora, padre Gonçalo. Homem com um elevado grau de humanismo dentro dele.

O padre Gonçalo, depois de ouvir toda a triste história que atingiu o jovem Gonçalo, colocou à disposição dos promotores destes eventos, um pequeno anfiteatro existente na cripta da igreja da Senhora da Hora.

A LinaMoreira, fadista por gosto, não por profissão, chamou a si a responsabilidade de organizar uma tarde de fados. Contactou fadistas de ambos os sexos que e, ao que parece, desde logo aderiram ao evento de alma e coração, assim realizaram no dia 23 de Março, às 15h30, uma tarde de fados.

Fadistas agradecem aplausos em jornada de solidariedade
Fadistas agradecem aplausos em jornada de solidariedade

Lina Moreira, Tania Pereira, Fátima Shelnik, Joaquina Rodrigues, Manuela Aleixo, Rosa Tavares. José Sá, Eduardo Oliveira, Bruno Alves, Abilio Alves, Marcelino Couto e Francisco Moreira (KIKO), jovem vencedor do concurso “A Tua Cara Não Me É Estranha”. À guitarra Rui Claro; Nuno Brás na viola.

Embora para esta crónica não tenha muita importância, saliento que foi uma tarde de bons fados. As promotoras falaram com amigas, estas, fizeram bolos e levaram, estes foram vendidos às fatias, tudo serviu e serve, para se angariar fundos.

Até ao momento de entregar esta crónica, divulgo os eventos que estão a ser realizados e os que já estão a ser pensados para a sua realização

Camisola oferecida pelo Leixões
Camisola oferecida pelo Leixões

O Leixões Sport Club uniu-se a esta causa oferecendo uma camisola do jogador “Pedras”, autografada por todos os jogadores seniores. Esta camisola foi colocada em leilão com uma licitação inicial de 10 euros. No momento em que escrevo este artigo a licitação já vai em 50.

No dia 5 de Abril, houve um evento de solidariedade para angariação de fundos realizado no MASSPO, em S. Paio de Oleiros, Santa Maria da Feira. No programa deste evento constava: Vendas de produtos alimentares divertimentos para adultos e crianças, assim:

Das 16às 18horas: insufláveis e pinturas; 18h30: Bokwa Fitness; 19h00, Masterclass de Zumba; 20h30, Hicolor Dance; 21h00, Tuna Masculina do ESMAI, meia hora depois a feminina, e às 22h00 o encerramento com a intervenção do Dr. Marcelo Alves.

Todo o apuro deste evento reverteu para “VAMOS AJUDAR O GONÇALO”.

Outros eventos se estão a seguir. O grupo da Senhora da Hora esteve presente nos sábados 5 e12 deste mês de Abril, com uma pequena banca na feira da Senhora da Hora e devidamente autorizadas pela Junta de Freguesia da Senhora da Hora que também se associou e se disponibilizou na ajuda deste evento de solidariedade para com um filho da terra.

Alice Santos e Rosária Rocha, assumiram o compromisso de estarem com esta pequena banca. Já lá estiveram e estarão todos os sábados, na feira da Senhora da Hora, desde as 08h30 até às 13h00. Estão expostas como já aqui foi dito, pequenas peças e bugigangas, oferecidas por gentes desta Freguesia para serem vendidas.

A este grupo da Senhora da Hora, além dos já falados fadistas, actores de teatro amador de Ramalde, também se associaram alguns poetas, artistas plásticos, actores do teatro amador da Universidade Sénior de Matosinhos.

A artista plástica e poeta Fátima Ferreira, ofereceu uma obra de óleo sobre tela com o título “Pegadas de Deusa”

Está a ser organizada uma noite de poesia

Lina Moreira, assumiu e organizou a tarde de fados, neste momento, está de novo a pensar em organizar mais uma tarde de fados. Alice Santos, já tem a confirmado um espectáculo de teatro se a Câmara Municipal de Matosinhos, ceder, a título gratuito, o Teatro Constantino Nery.

Com a força de vontade demonstrada pelos pais, e, pelos muitos amigos do Gonçalo, tenho a certeza, que muitos outros eventos irão surgir.

É por todo este movimento de solidariedade em volta do objectivo VAMOS AJUDAR O GONÇALO que sinto orgulho de ser povo de Portugal, ser do Norte, e acima de tudo, tripeiro.

Ser tripeiro é ouvir os turistas dizerem: –

These people from Porto are lovable, are friends and are very supportive to all those in need

 

Fotos: António D. Lima

 

Por vontade do autor, e de acordo com o ponto 5 do Estatuto Editorial do “Etc eTal jornal”, o texto inserto nesta rubrica foi escrito de acordo com a antiga ortografia portuguesa.

01mai14

 

O “Tribuna Livre” é o seu espaço. Aqui pode dizer de sua justiça, abordando, ao pormenor, assuntos que lhe sejam caros e de interesse geral. Sempre respeitando o Estatuto Editorial deste jornal, pode enviar para a nossa caixa de correio eletrónica (etcetaljornal.site@gmail.com) até ao dia vinte de cada mês, o seu artigo, escrito em Microsoft Word e acompanhado, se assim o entender, da sua fotografia, neste caso em formato JPG ou JPEG.

Contamos com a sua colaboração. Este é um Espaço de Liberdade responsável…

 

 

1 Comment

  1. Bi Rodrigues

    Querido Amigo António Lima,

    São Seres Humanos como tu que, outrora e agora, continuam a fazer a diferença num Portugal que se pretende de rosto democrático mas parece continuar, cada vez mais, amordaçado mesmo em relação aos direitos humanos mais básicos… partilhaste um extraordinário exemplo de abnegação e solidariedade por parte de familiares e amigos mas é absolutamente repugnante que a saúde esteja neste ponto no nosso Portugal na segunda década do século XXI.

    Que a força da solidariedade e amizade ajudem o Gonçalo, uma vez que estamos a regredir novamente (e cada vez mais) nas necessidades de sobrevivência…
    Um abraço,

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