A empresa multinacional alemã Tovartex, com uma unidade fabril na cidade de Ovar, desde 1981, em que chegou a empregar cerca de 700 trabalhadoras em 2004 na produção de meias para homens, senhora e criança da marca Falke, decididamente tem os dias contados em Portugal ao estar a dar por concluído o processo de deslocalização para a Sérvia com mais um despedimento coletivo que atingiu, entre julho e agosto, mais 176 trabalhadoras das cerca de 200 que nos últimos meses viviam angustiadas com a previsível condenação a tal desfecho, deixando apenas umas trinta trabalhadoras para concluírem a produção de collants das encomendas previstas até ao final do ano, não deixando dúvidas sobre o encerramento desta empresa em Ovar que assim perde mais postos de trabalho.
Este novo despedimento, que deixou também claro o objetivo estratégico da multinacional, na procura de mão-de-obra ainda mais barata no seio da Europa, acontece no mesmo ano em que já tinha procedido a um despedimento coletivo de 30 trabalhadores como noticiou o Etc e Tal jornal na sua edição de abril deste ano.
A constante redução de efetivos na Tovartex veio acontecendo ao longo dos últimos anos através de despedimentos coletivos e de acordos de rescisão, que permitiu a empresa libertar-se de 116 trabalhadoras em 2012, quando em 2011 ainda empregava 550 trabalhadoras, e em finais de 2013 um outro processo de despedimento lançou no desemprego mais de meia centena de trabalhadoras, sempre em nome do argumento de que a empresa se debatia com dificuldades resultantes do aumento dos custos de produção em Portugal.
Curiosamente, quando novos sacrifícios foram impostos aos trabalhadores portugueses com redução de direitos e menores custos do trabalho, a multinacional alemã quer mão-de-obra ainda mais barata e tal como aconteceu com a fábrica de Itália, assumiu definitivamente a transferência da produção de Ovar para a Sérvia com custos de produção que se cifram abaixo dos 60 por cento.
Autarcas compreensivos
Este processo de despedimento e consequente fechar de portas da Tovartex, em Ovar, teve a particularidade de não merecer uma natural condenação dos responsáveis do Município, mas antes pelo contrário, o vice-presidente da Câmara Municipal de Ovar, Domingos Silva, a propósito da deslocalização da produção da Tovartex para um país do Leste europeu, afirmou que “a autarquia foi muito recentemente informada dessa possibilidade pela administração da empresa, tendo essa assegurado desde logo que será cumprida a legislação em vigor, nomeadamente em matéria de direitos de trabalho e indemnizações compensatórias”.
Ou seja, os parcos direitos laborais que a pressão da irónica influencia alemã na troika reduziu nas indemnizações para 12 dias por cada ano de trabalho, com o limite de 12 meses de salário.
Mas o autarca realçou ainda que o capital da Tovartex é detido em 100 por cento pela multinacional alemã Falke, que, como afirmou, adota “um modelo de produção assente na subcontratação de mão-de-obra com baixo valor acrescentado”, e conclui que a unidade de Ovar está “à mercê da procura de um custo de produção mais baixo e, neste caso, da deslocalização para um país do Leste da Europa” (segundo declarações à Lusa).
Na mesma linha já no início do ano, a quando do despedimento de 30 trabalhadoras, o presidente da Câmara de Ovar, Salvador Malheiro, também reconheceu ter tido “oportunidade de auscultar os reais problemas com que se confronta nomeadamente, com os custos energéticos, com os custos da água e com a concorrência provocada pela mão-de-obra mais barata”.
No entanto, e ao contrário das iniciativas dos partidos PCP e BE que têm denunciado as várias fases de despedimentos nos últimos anos nesta empresa, o Município de Ovar para além de compreensivo para com a estratégia da multinacional em procurar mão-de-obra mais barata, e se ter colocado na posição de nada poder fazer, limitou-se a manifestar junto da administração da empresa a sua total disponibilidade para estudar um quadro de benefícios que permitisse a sua continuação no concelho, mas nada parece ter demovido a multinacional de ao fim de 34 anos abandonar o país que sempre proporcionou mão-de-obra barata e precariedade laboral em setores como o textil.
Texto e fotos: José Lopes
01set15

Esta foi um recolha de opiniões que o nosso camarada de redação e correspondente em Ovar do nosso jornal, José Lopes, e com autorização editorial a fez publicar nesta página.
Aliás isso já aconteceu por diversas vezes no nosso jornal- e em muitas colunas de opinião- , sendo que mal interpretadas em alguns casos.
A Direção Editorial do jornal pede, assim, a todas as pessoas que queiram comentar este pertinente e importante trabalho, que o façam, diretamente, para este espaço,de modo a deixarem os seus registos expostos à comunidade, isto para que não se registem confusões de ordem “técnico-informática” e de alegados interesses de promoção de audiências provenientes de leitore(a)s que nada entendem sobre esta funcionalidade.
O Diretor
José Gonçalves
Como vai o diálogo no face… sobre a peça publicada no Etc e Tal relative aos despedimentos na Tovartex…
Jorge Pinho
Este artigo assinado por JOSÉ LOPES, denuncia as diversas fases dos despedimentos colectivos feitos na Tovartex, e acusa a Camara Municipal de Ovar de uma total passividade!
Denunciar… têm todo o direito, mas eu teria lido o artigo com muito mais empenho, se o caro José Lopes tivesse aqui dito o que o Executivo deveria ter feito, se é que podia fazer alguma coisa!
É caso para perguntar… que faria o José Lopes, se fosse Presidente da Camara Municipal de Ovar!
Por acaso até gostava de saber!
Criticar… todos podemos fazer… mas apresentar soluções, isso é que já é o carago!!!!!!!!
Carlos Dias
É a lei do mercado.
Jorge Pinho
Logicamente… que pode a Camara ou o Presidente fazer ?
Joaquim Brandão
Claro que a câmara ou o governo, nada pode fazer. Se temos ordenados cá de 500€, no leste por volta dos 100. Apenas lamentarmos pelas políticas que estão a ser seguidas pela UE.
Rui Formigal Padrela
Completamente de acordo Jorge pinho
Jose Lopes
Neste caso eu diria a estes senhores que não apreciamos nada a sua politica de baixos salários, que durante quase três décadas exploraram operárias em Ovar para agora irem para a Sérvia sugar mão de obra ainda mais barata. Diria a estes senhores que o Municipio de Ovar não aceita tal argumento da multinacional para justificar estes despedimentos. Era mesmo preciso ter coragem politica para dizer a estes senhores que a Câmara está frontalmente contra tais práticas de exploração! Não se ouviu nada! Apenas uma espécie de compreensão com as razões da multinacional e é iso que é lamentável, ainda que compreensível por seguirem a lógica neoliberal do seu partido e do Governo.
Jorge Pinho
Bem fico muito contente, porque certamente com isso que lhes ias dizer… tenho a certeza que iriam retroceder e manteriam a fabrica aberta em Ovar. E tenho até a certeza que eles aumentariam de imediato os ordenados… Zé, tenho muita admiração por ti, como acho que sabes, mas isso é uma treta!
Ismael Rl Varanda
A questão é que o PSD defende este tipo de politica neoliberal, de capitalismo selvagem, partido a que pertence o Presidente da Câmara de Ovar, por isso não acredito na real preocupação com a questão.