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Dialética de Tabernáculo (III)

Benigno de Sousa / Tribuna Livre

Seres e coisas criam o mesmo bolor como uma vegetação criptogâmica nascida ao acaso: absorvem os mesmos sais; exalam os mesmos gases, supuram escorrência fosforescente que deriva em discussões sobre a imortalidade da alma.

Resistência à crueldade do mundo, da vida, da sociedade, à barbárie humana, é uma existência ao elevar o espírito e a consciência; atenuar a inconsciência e a ignorância que produzem o mal é introduzir a razão na paixão impedindo a passagem ao delírio e à desmesura do homo demens, e ao mesmo tempo é desculpar-se com condições que fazem emergir a crueldade subjetiva. É jogar com as forças fracas de ligação, de cooperação, de compreensão, de amizade, de comunidade, de amor, na condição de que sejam acompanhadas de inteligência. Há múltiplas ilhotas de bondade e destas tudo deve principiar.

Teoriza a antropologia mais evoluída que a violência é o estágio mais avançado do instinto de defesa, faz parte do código genético do ser humano. Hoje existe menos violência quando do começo do mundo porque metade da humanidade era violenta. Caim matou Abel. Logo, metade da humanidade era violenta. Mas parece certo é que no mundo surgiu violenta explosão, consequentemente, paleocéfalo assassina à toa.

“Badalhoco! Gatuno!” Na rua aclamou a voz feminina.

“O quê… anda aí o cavaco?” O poeta ironizou. “Ele que venha cá pagar a caneca.”

“É a Maria-homem!” O papagaio disse. Está à bulha com um terrorista. Dá-lhe com uma coisa na tola… nahc, nahc, nahc!”

O taverneiro agarrou corrente do papagaio que esvoaçava e no instante quase todos foram em socorro. O Zé-povo ficou à mesa, ao lado da minha, e perguntou:

“Chegaram os terroristas?”

“Não! Daqui vão à Síria aprender a serem cobardes e assassinos. Filhos de meretrizes podres com álcool e droga, selvagens alucinados pelo ódio; surdos-mudos e cegos, corações em morbidez, sofrerão castigo por não se retraírem no derramar sangue da vaca”.

tragedia politica

A tragédia da história humana é que os seus movimentos de graça são efémeros, e o desabrochar da alta complexidade provoca não só a sua própria desintegração mas frequentemente uma profunda regressão. Isto significa a sociedade hipercomplexa que não pode deixar de ser extramente frágil.

A tragédia política reside numa oposição entre uma realidade antropossocial, que produz e apela para uma elevadíssima complexidade, e o pensamento político, que responde à ambiguidade, à incerteza, à contradição por simplificação, maniqueísmo, exorcismo.

Na tragédia política reside igualmente uma contradição inerente à ação política, cuja maior necessidade é a deteção do erro, do falso, da mentira, e cujo maior produto é o erro, o falso, a mentira.

Nas tragédias revolucionárias encontram-se as revoluções que quiseram instaurar uma hipercomplexidade e caíram nas piores regressões e só puderam estabilizar-se no terror e no sagrado, isto é, nas formas mais baixas de organização social.

Infligiram o golpe mais terrível à esperança de hipercomplexidade-antropossocial. É por isso que atualmente a revolução já não é a nossa solução, mas tornou-se e deve continuar a ser o nosso problema. É necessário invocar as forças vivas de fraternidade e de amor! Feliz Ano Novo!

Foto: Pesquisa Google

01jan16

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