Um vasto programa comemorativo assinalou entre os dias 21 e 27 de maio, os 120 anos da formação da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Ovar (AHBV de Ovar) que anualmente celebram duas marcantes datas da história da Instituição. A de 23 de maio de 1896, em que se deu a formação desta Associação Humanitária e a de 1 de janeiro de 1897, que assinala a saída pela primeira vez à rua de um corpo organizado dos Bombeiros Voluntários de Ovar.
O quartel dos bombeiros em Ovar foi o palco para o momento mais marcante da principal cerimónia que contou com várias representantes de corporações de bombeiros da região, destacando-se a presença de Jaime Marta Soares, da Liga dos Bombeiros Portugueses e várias outras entidades civis e militares convidadas, que, com a habitual participação das famílias partilharam o momento de imposição de condecorações e homenagens póstumas a elementos dos corpos sociais da Associação e do corpo de bombeiros ali em formatura na parada, num ato de fortalecimento de laços de solidariedade que mereceram palavras de reconhecimento por parte das entidades que na ocasião usaram da palavra.
Neste 120.º aniversário da AHBV de Ovar influenciado pela nova liderança saída das recentes eleições, em que Dinocrato Formigal que, durante vários mandatos, presidiu à direção, cedendo agora o lugar a Luís Medeiros, ficando como presidente da Assembleia Geral. O comandante Carlos Borges começou por lembrar, perante o seu corpo de bombeiros, que, “nestes 120 anos ao serviço de uma causa, não posso esquecer os corpos sociais que por cá passaram. “Foram uns heróis” afirmou, reconhecendo que, “todos procuraram colocar os meios suficientes à nossa disposição”. Mas como o tempo não para, acrescentou ainda o comandante Borges, referindo-se à aposta na formação: “temos que ter homens e mulheres bem preparados” e concluiu, “espero que este corpo de bombeiros nunca venha a desfraldar a direção”. Palavras de reconhecimento mereceu também o antigo comandante Patrício, por parte do seu sucessor no comando, António Borges, que lembrou os seus ensinamentos.
Com um discurso essencialmente virado para os objetivos a que se propõe a nova direção, o seu presidente, Luis Medeiros, dirigiu palavras de apreço aos “vizinhos” B.V. de Esmoriz e de imediato afirmou que “dia de aniversário deve servir para fazer balanço de investimentos e o que nos propomos fazer”.
Falou por isso da Central de Comunicações acabada de inaugurar e dos seus grandes objetivos para a Instituição, como: Melhorar as relações interpessoais; Candidaturas ao Portugal 2020 ou redução de custos entre os 60 e 70%.
Propósitos para os quais conta com o apoio das autarquias e empresas. Apoios que o presidente da Câmara Municipal de Ovar, Salvador Malheiro, realçou, ao afirmar às corporações de bombeiros do concelho de Ovar que, “os bombeiros voluntários nunca tiveram tal investimento” referindo-se aos apoios e financiamentos do atual executivo camarário aos bombeiros de Ovar e de Esmoriz, porque, como referiu, “quem trata bem dos seus bombeiros, trata bem do seu povo”. Malheiro defendeu ainda uma política de discriminação positiva para os bombeiros, nomeadamente ao nível dos impostos municipais, para o qual a Câmara de Ovar está a trabalhar afirmou.
Empolgado pela “linda cerimónia” como começou por dizer o presidente da Liga dos Bombeiros de Portugal, Jaime Marta Soares, para quem, “estas cerimónias não são um ritual, são valores de solidariedade e de humanismo”, o presidente da Liga realçou que os bombeiros portugueses têm mais de 600 anos de história, e “estejam onde estiverem sabem que o seu legado continua em boas mãos”. Dirigiu ainda palavras ao “alforro de jovens em formação” presentes na formatura dos “voluntários” que acrescentou, “não é sinónimo de amadorismo”. O dirigente da Liga deixou também recados à tutela sobre a necessidade de reformulação da lei de financiamento dos bombeiros, apesar de ser “uma boa lei”, como reconheceu.
Entre os eventos comemorativos, teve lugar, a inauguração da nova Central de Operações, uma antiga reivindicação que vem melhorar e tornar mais eficaz a monitorização de todas as ocorrências recebidas. Enquanto na componente cultural a secular relação entre os BVO e a Banda Musical Boa União foi reafirmada com a sua participação nas cerimónias, para tocar o Hino dos BVO, e para encerrar as comemorações no dia 27 com um Concerto dado pela Big Band da Boa União. Realizou-se uma exposição de viaturas de socorro e no dia feriado de 26 de maio, depois das cerimónias oficiais e do desfile apeado e motorizado, teve lugar um almoço de confraternização.
Incêndios no Furadouro na origem da formação da Associação Humanitária
Como refere o historiador Alberto Sousa Lamy no seu livro sobre a História da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Ovar – 1.º Centenário 1896 – 1996, os grandes incêndios que aconteceram no Furadouro e causaram enormes destruições das construções de madeira que albergavam as famílias dos pescadores, foram determinantes para a necessidade de ser formada a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Ovar.
O historiador refere os três grandes incêndios, tendo sido o primeiro “também considerado o mais violento e pavoroso”, que teve lugar a 31 de julho de 1881. Já o segundo aconteceu a 14 de julho de 1887 e o terceiro viria a ocorrer a 7 de junho de 1892 “com a destruição de fábricas de sardinha, depósitos de sal e, aproximadamente 200 habitações”.
No entanto e segundo referência no livro, “Pode considerar-se estes três incêndios como a causa remota da fundação da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Ovar, tendo a causa próxima da sua organização sido um incêndio que deflagrou no dia 30 de Março de 1896 em casa de Domingos Soares. Este incêndio levou à formação de uma comissão organizadora de uma Associação de Bombeiros Voluntários em Ovar, comissão essa que se reuniu a 19 de Abril desse mesmo ano.
Foi então formada, a 23 de Maio de 1896, a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Ovar, com 14 sócios fundadores. Os primeiros estatutos foram aprovados nesse mesmo dia e tiveram a aprovação da Câmara Municipal, a 23 de Junho, e do Governador Civil do distrito de Aveiro, Visconde de Alenquer, a 20 de Julho desse ano”.
Os 14 sócios fundadores foram: António Augusto Freire de Liz; Dr. António dos Santos Sobreira; Carlos Ferreira Malaquias; Francisco Marques da Silva e Costa; Frederico Ernesto Camarinha Abragão; João José Alves Cerqueira; Dr. João Maria Lopes; Dr. Joaquim Soares Pinto; José Luís da Silva Cerveira; José Marques da Silva e Costa; José Ramos; Justino de Jesus e Silva; Manuel Gomes Pinto; Silvério Lopes Bastos.
Texto e fotos: José Lopes (*)
(*)Correspondente “Etc e Tal Jornal” em Ovar – Aveiro
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