Povo de Vila do Conde, “homens e mulheres com um coração tão grande como um porto, um porto de braços abertos para o mundo”. Quem o dizia era Neptuno, o mitológico Deus do Mar, a personagem central da 2.ª edição do maior espetáculo musical de teatro de rua do país.
Esta mega encenação que, ao longo de cinco noites, levou, até ao Cais da Alfândega, seis mil espectadores, tem já o seu regresso confirmado para o próximo ano e garantida a realização em 2018, conforme anunciou a presidente da Câmara, Elisa Ferraz, no final de um dos espetáculos.
Na sua intervenção, a autarca agradeceu, na altura, ao público, aos “vilacondenses que, voluntariamente, se entregaram de alma e coração na construção deste espetáculo” e a todos os elementos que, em equipa, alcançaram um resultado brilhante.
Numa coprodução entre a Câmara Municipal de Vila do Conde e a Companhia de Teatro Lafontana – Formas Animadas, encenação de Amauri Alves, dramaturgia de José Coutinhas e composição musical de Flávio Medeiros, Vila do Conde apresentou um espetáculo onde 400 participantes deram vida à história de um povo que deu “novos mundos ao mundo”.
Nesta encenação foram homenageados pescadores, “homens astutos, fortes e destemidos”, peixeiras, “mulheres que apregoam o bom pescado que vem do mar”, trabalhadores da construção naval que construíram “enormes e belas caravelas que sulcaram os mares nunca dantes navegados” e mercadores que fizeram “crescer a nossa terra”. “Vila do Conde cresceu tanto que se tornou numa das mais importantes terras do Reino de Portugal”.
Da história da nação mereceram destaque os reis época dos descobrimentos, “três figuras que jamais serão apagadas da memória: D. João I começou, os homens ao mar enviou; mais tarde D. João II foi mais longe pelo mundo; D. Manuel, o primeiro, foi o monarca marinheiro, tudo o que quis aconteceu e Portugal enriqueceu”.
Também os navegadores, “bravos portugueses, heróis do mar, heróis do mundo” entraram em cena: Gil Eanes, Diogo Cão, Bartolomeu Dias, Vasco da Gama, Pedro Álvares Cabral e Fernão de Magalhães mostraram a sua “ousadia, coragem e determinação”.
Sendo o mar o tema central de toda a encenação, a personagem “Maria Vileira” retratou a dura vida da gente que dele se sustenta e a profunda tristeza das mulheres e famílias que nele perdem os seus homens.
E como este ano celebramos os 500 anos do Foral manuelino, o espetáculo terminou em apoteose com a chegada a Vila do Conde, “a 10 de setembro de 1516, enviado da nossa coroa, por D. Manuel de Lisboa, o esperado Foral novo”.
Texto:Teresa Sá (GICVC) / EeT
Fotos: Pedro Martins
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